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Quinta-feira, 24 de junho de 1999
França intensifica cerco a transgênicos
Governo francês pedirá às nações européias suspensão da venda de novas variedades de produtos
PARIS - O governo da França deve pedir hoje às demais nações européias a "suspensão da venda" de novas variedades de produtos transgênicos. O anúncio foi feito ontem pela ministra do Meio Ambiente, Dominique Voynet. No entanto, o processo de autorização para cultivo de alguns tipos de trangênicos, aprovados pelo governo francês desde novembro de 1997, não será interrompido.
Voynet falou ontem com a imprensa após reunião de ministros destinada a fixar a posição da França sobre transgênicos, que deverá ser apresentada ao conselho dos ministros europeus do Meio Ambiente entre hoje e amanhã, em Luxemburgo.
Voynet esclareceu que essa suspensão de venda poderia ser aplicada até que se esclareça a posição da Comissão Européia sobre a rotulagem dos produtos.
Depois do encontro entre o primeiro-ministro Lionel Jospin, e os ministros da Saúde, Ambiente, Agricultura e Assuntos do Consumidor franceses, o governo informou que pediria à União Européia (UE) a adoção de um sistema de rotulagem para identificar alimentos produzidos com a utilização de transgênicos, atendendo a protestos dos consumidores.
A União Européia está tentando alterar a legislação para liberar novos produtos transgênicos, em meio à crescente preocupação dos consumidores em relação à segurança dos alimentos derivados das sementes alteradas geneticamente.
Exportação - Ontem, em Porto Alegre, o gerente do grupo britânico Tesco, após encontro do secretário da Agricultura do Estado, José Hermeto Hoffmann, informou que os europeus estão dispostos a adquirir soja não-transgênica exclusivamente do Rio Grande do Sul, caso o Estado se mantenha livre de plantas geneticamente modificadas, conforme prevê uma lei de autoria do governo que tramita no Legislativo.
O grupo é o maior varejista da Europa, com faturamento anual de US$ 30 bilhões, 25% do mercado do Reino Unido e 10 milhões de clientes por semana, em suas 650 lojas em 10 países. As compras, entretanto, estarão condicionadas às garantias de que os produtores e o governo gaúcho poderão oferecer quanto à qualidade e não contaminação da soja por grãos transgênicos, informou o gerente de desenvolvimento estratégico do grupo, Martin Cooke, que se reuniu com o secretário e representantes da Federação das Cooperativas Agropecuárias do RS (Fecoagro). (France Presse, Reuters, AE)
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