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De:  Luiz Meira <luizmeira@aleph.com.br>
Data:  Qui Mar 4, 1999  5:47 pm
Assunto:  [gen-ocidio] O experimento de Pusztai

    Prezados participantes,

    Coloco a descrição deste experimento, assim como suas referências, pois é frequentemente citado nos informes sobre transgênicos.


Produtos agrícolas geneticamente modificados poderiam de fato causar danos à saúde humana, de acordo com os resultados de uma pesquisa feita pelo dr. Arpad Pusztai num laboratório da Escócia. Por isso, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, declarou uma moratória na entrada desses produtos no mercado.

Repetidamente, o chefe de Gabinete de Blair, Jack Cunningham, afirmava que os alimentos modificados geneticamente eram seguros. Mas ontem o jornal londrino The Guardian publicou pela primeira vez que a insistência do ministro era prematura. Fotografias da parede do estômago dilatado de um rato alimentado com batatas modificadas foram publicadas.

Quando Pusztai, um húngaro naturalizado britânico, fez este anúncio, em agosto do ano passado, ele não apenas agitou a comunidade científica, como também foi afastado do Instituto de Pesquisa Rowett, de Aberdeen.

Seus superiores o consideraram afoito, por expor riscos que muitos produtores e a indústria de alimentos sempre negaram existir. Na quinta-feira, porém, vinte renomados cientistas de 13 países endossaram as conclusões de Pusztai, exigindo que ele seja imediatamente reabilitado e de novo aceito pelo instituto.

O cientista, que deixou o seu país natal em 1956, depois que tropas soviéticas esmagaram um levante popular, contou, no ano passado, num programa de televisão, como foi que percebeu as conseqüências de alimentos transgênicos.

Durante 100 dias ele alimentou ratos com batatas modificadas com genes que produzem proteínas chamadas lectins, destinadas a proteger uma planta de pestes. O problema é que as lectins danificam as células do sistema imunológico. Os ratos alimentados com a batata transgênica cresceram menos e se tornaram menos resistentes a infecções do que os alimentos com batatas que não tiveram a sua constituição alterada.

Mas o próprio cientista não considera a sua experiência uma prova final. Ele declarou, na época do rebuliço causado pelas constatações do seu trabalho, que não comerá alimentos agrícolas geneticamente modificados até que novos testes sejam feitos.

Se começarmos com a idéia de que um gene não é tóxico e que passa pelo sistema de corpo, nada se descobrirá. Mas isto não é bom. É preciso demonstrar que não existem efeitos prejudiciais. A batata transgênica não será liberada para consumo, afirmou na época.

Apenas alguns dias depois o dr. Arpad Pusztai foi afastado porque, segundo os seus acusadores, confundiu o público. Ele figurou durante dias no noticiário como o  esponsável por declarações que, segundo o Monsanto, uma companhia trabalhando em plantações transgênicas, foram um completo desastre. A empresa afirmou tratar-se de um exemplo de como um trabalho deste tipo pode causar reações exageradas e medo ao público.

A reabilitação de Pusztai parecia neste fim de semana absoluta e o fato de um respeitável grupo de cientistas ter reconhecido a validade do seu trabalho levou supermercados a reexaminarem rapidamente a sua estratégia de venda de produtos que contenham ingredientes de estrutura genética modificada.

Entidades que fazem campanha a favor da pureza dos alimentos aconselharam os donos dos supermercados a se cobrirem com grandes apólices de seguro para a hipótese de alguém reclamar, na Justiça, indenização por perdas e danos.

Na sexta-feira, o governo britânico foi pressionado a suspender por certo tempo a exploração comercial de transgênicos. Apesar das renovadas advertências dos meios científicos, nenhuma decisão foi tomada. Muitos países europeus já adotaram esta medida.

Mas, como disse Vyvyan Howard, um dos cientistas que pediram a reintegração do dr. Arpad Pusztai ao instituto de pesquisas de Aberdeen, evitar alimentos geneticamente modificados, popularmente conhecidos como alimentos Frankestein, está ficando cada vez mais difícil.

Um exemplo sempre lembrado é a versão humana da doença da vaca louca. Embora não tenha sido causada por modificações genéticas, e sim por um tipo de ração usada para apressar o desenvolvimento dos animais, ela prova como uma doença pode chegar ao consumidor de produtos que fugiram do convencional.

A variedade de alimentos modificados existente nos mercados da Grã-Bretanha é muito pequena, são apenas quatro produtos. Mas há centenas sendo desenvolvidas por universidades e indústrias da Europa, Ásia e América do Norte.
 


A descrição do experimento de Pusztai encontra-se disponível em:
 http://www.rri.sari.ac.uk/gmo/index.html


><>   Luiz Roberto Salvatori Meira ><> Equilíbrio Alimentar
<><   http://www.aleph.com.br/~luizmeira/me.htm
 


eGroup home: http://www.eGroups.com/list/gen-ocidio
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