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De:
luizmeira@luizmeira.cjb.net
Data: Ter Jun 18, 2002 12:36
pm
Assunto: comida permitida somente para animais distribuida a pobres
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Segunda-Feira, 10 de Junho, 10:32 PM
Países pobres sofrem com debate sobre comida transgênica doada
(O milho doado pelos EUA para a Bolívia testou positivo para StarlinK,
variedade aprovada pelo governo norte-americano somente para uso animal.)
Por Richard Cowan
WASHINGTON (Reuters) - Enquanto os Estados Unidos e a Europa lutam pelo futuro
dos alimentos geneticamente modificados, países pobres que precisam de doação
de milho e soja ficam na rebarba dos debates sobre biotecnologia.
A Europa demonstra preocupações com os efeitos ambientais e à saúde que os
alimentos transgênicos podem causar. Os Estados Unidos dizem que a segurança já
foi provada cientificamente.
A disputa ficou mais aparente nesse mês, quando uma doação de 10 mil toneladas
de milho do governo norte-americano para o Zimbábue foi retida por causa de
preocupações com a biotecnologia.
O milho irá para outros países do sul da África, mesmo com metade dos 11,5
milhões de habitantes do Zimbábue em risco de passar fome.
Autoridades da ONU dizem que não haveria problema com a doação dos EUA se o
milho fosse moído e não em grãos inteiros. Mas os grãos poderiam ser usados
como sementes e não para o consumo. Isso criaria um problema duplo.
Se o milho fosse comido por animais, as exportações de carne do Zimbábue para a
Europa ficariam ameaçadas.
Segundo uma autoridade do Programa Mundial de Alimentação, o governo do
Zimbábue poderá aceitar uma doação de milho transgênico dos EUA em julho, se
"acompanhada de uma campanha de educação e conscientização" para que não seja
usado como alimento para animais ou como semente.
Os Estados Unidos acusam a Europa de usar a biotecnologia para erguer barreiras
comerciais injustas.
Em 1999, após um ciclone no Estado de Orissa, Índia, grupos ambientalistas
fizeram uma campanha contra a doação de uma mistura de soja e milho
transgênica. O governo indiano acabou aceitando a doação.
Na segunda-feira, o grupo Amigos da Terra afirmou que parte do milho doado
pelos EUA para a Bolívia testou positivo para StarlinK, variedade aprovada pelo
governo norte-americano somente para uso animal.
A empresa Aventis SA, que fez o StarLink, recusou-se a comentar o assunto.
OPOSIÇÃO
De acordo com um estudo privado, cerca de 25 por cento da comida doada no mundo
vem de sementes modificadas para repelir insetos ou resistir a herbicidas.
O percentual pode subir para 82 por cento com o aparecimento da farinha
biotecnológica, daqui a muitos anos, segundo relatório do grupo Agricultural
Cooperative Development International/Volunteers.
As primeiras plantas transgênicas foram desenvolvidas por cientistas nos anos
1980s. Desde então, vêm sendo usadas em grandes fazendas dos Estados Unidos,
onde quase 70 por cento da soja e 25 por cento do milho tem origem
geneticamente modificada.
A tecnologia se encaixa no objetivo da ONU de reduzir a fome no mundo pela
metade até 2015, mas sofre oposição de grupos de consumidores e ambientais.
"Quando o assunto é comida geneticamente modificada ou nada, a maioria das
pessoas diz que prefere comer," disse Marc Cohen, do Instituto de Pesquisa de
Políticas Internacionais de Alimentação.
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