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De:  Campanha Transgenicos <campanhatransg@uol.com.br>
Data:  Sex Jan 25, 2002  7:50 pm
Assunto:  BOLETIM 98 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS

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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
###########################

Car@s amig@s

A Campanha “Por um Brasil livre de transgênicos” convida a todos para Seminário no II Fórum Social Mundial

A Campanha “Por um Brasil Livre de Transgênicos" tem o prazer de convidar-lhes a participar do Seminário “Ação contra os transgênicos: construindo alianças - mobilizando a sociedade”, que acontecerá no II Fórum Social Mundial - Porto Alegre - RS.

O objetivo deste espaço será o de articular as diferentes iniciativas de trabalho contra a liberação e a disseminação precoce dos transgênicos no mundo e propor ações comuns neste sentido.

O Seminário será realizado entre os dias 3 e 4 de fevereiro de 2002, das 14:00 h às 18:00 h, no salão de artes número 1 da Universidade Federal do Rio Grande do Sul / UFGRS, localizada na Rua Paulo Gama 110, Porto Alegre - RS.

A programação do evento segue logo abaixo.

Contamos com sua presença!
Vamos juntos lutar por um Mundo Livre de Transgênicos!

Seminário
“Ação contra os transgênicos: construindo alianças - mobilizando a sociedade”
Proponente: Campanha “Por um Brasil livre de transgênicos”

03/02 - 14:00 pm
Impactos dos transgênicos: novas evidências

Coordenador: Sezifredo Paz - IDEC - Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor / Brasil
ideccampanha@uol.com.br

Impactos econômicos:
Peter Rosset - Food First / EUA

Impactos ambientais:
Rubens Nodari - Professor da Universidade Federal de Santa Catarina / Brasil

Impactos na saúde:
Mae Wan Ho - Instituto de Ciências na Sociedade / Inglaterra

03/02 - 16:00 pm
Estratégias pró-transgênicos: entender para combater

Coordenadora: Magnólia Said - Esplar - Centro de Pesquisa e Assessoria - Ceará / Brasil
                                            esplarcp@brhs.com.br

Estratégias das empresas
Patrick Mooney - ETC - Grupo de Ação sobre Erosão, Tecnologia e Concentração / Canadá

Comércio International
Mark Ritchie - IATP - Instituto de Políticas Agrícolas e Mercadológicas / EUA
                                     
O Caso do Brasil
Vitor Pelaez - Professor da Universidade Federal do Paraná/ / Brasil
Elvino Bonn Gass - Deputado Estadual do Rio Grande do Sul / Brasil
                                   
04/02 - 14:00 pm
A luta contra os transgênicos no mundo

Coordenadora: Maria Emília Pacheco - Fase - Federação dos Órgãos para Assistência Social e Educacional / Brasil
fase@fase.org.br

América do Norte
Renske Van Staveren - GEAN - Rede de Ação sobre Engenharia Genética / EUA

União Européia
Fréderic Prat

América Latina
Karen Nansen - Rede Por Uma América Latina Livre de Transgênicos

Brasil
Marijane Lisboa - Campanha “Por um Brasil livre de Transgênicos”
Aurélio Rios - Procurador da República / Brasil

04/02 - 16:00 pm
Propostas de ação comum

Coordenadora: Ana Toni  ActionAid Brasil
                            actionaid@actionaid.org.br

Alternativas aos Transgênicos
Jean Marc von der Weid - Campanha “Por um Brasil livre de Transgênicos”
                                                
Moratória no Brasil
Adriano Campolina - Campanha “Por um Brasil livre de Transgênicos”    
Francisco Miguel de Lucena - Contag - Confederação dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura / Brasil

Moratória Internacional
Gerd Leiopold - Greenpeace Internacional
                    
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Neste número:

1. Nações Unidas investem US$ 38,4 milhões em biossegurança
2. Itália não tolerará a contaminação de sementes com transgênicos
3. Ministério vai lançar manual para fiscalizar transgênicos
4. Distância usada para isolar campos experimentais de transgênicos não é segura
5. Agricultores canadenses processarão Monsanto
6. A polêmica do porco-espinafre japonês
Efeitos colaterais dos herbicidas na produção agrícola
O Roundup
Eventos
Painel Exportação de soja para a Europa: o desafio da certificação
Inauguração de Jardim Permacultural

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1. Nações Unidas investem US$ 38,4 milhões em biossegurança
Um programa milionário de pesquisas para avaliar o impacto dos organismos vivos modificados (Living Modified Organisms, ou LMOs) e capacitar os países que vão comercializá-los foi anunciado pelo diretor do Programa das Nações Unidas sobre Meio Ambiente (Pnuma), Klaus Toepfer, em Nairóbi, no Quênia.
Organismos Vivos Modificados é o nome atribuído a organismos geneticamente modificados (OGMs), ou transgênicos vivos. O programa prevê investimentos de US$ 38,4 milhões do Fundo Ambiental Mundial (GEF) para estudos de biossegurança, envolvendo avaliações relativas à saúde humana e ao meio ambiente em cerca de 100 países em desenvolvimento, nos próximos 3 anos.
A idéia é preparar tais países para a entrada em vigor do Protocolo de Biossegurança de Cartagena, adotado em janeiro de 2000. O Protocolo conta com 107 assinaturas e 10 ratificações. São necessárias 50 ratificações para sua entrada em vigor. "Apesar das empresas estarem convencidas das vantagens do uso dos LMOs, ainda há muitas dúvidas sobre os riscos ambientais e de saúde a eles relacionados", disse Toepfer. "O Protocolo de Cartagena é uma tentativa de conciliar o comércio e o meio ambiente neste campo. Não apenas como o primeiro tratado ambiental legal a institucionalizar o princípio de precaução, como por estabelecer procedimentos de acordos de informação avançada". Segundo tais acordos, o país exportador de LMOs é obrigado a informar aos países importadores, que então decidem se querem ou não receber a carga. Para que este tipo de decisão seja tomada de forma consciente, é importante que os órgãos encarregados da biossegurança tenham parâmetros nacionais e conheçam o impacto de cada tipo de organismo comercializado, o que, em princípio, deve ser o resultado do programa do Pnuma.
Agência Estado, 16/01/02.
Zero Hora, 17/01/02.

2. Itália não tolerará a contaminação de sementes com transgênicos
A Itália não tolerará contaminações acidentais de sementes com transgênicos e investirá 50 milhões de Euros para executar politicamente esta decisão, disse o ministro da agricultura Giovanni Alemanno, na última semana.
“A posição que temos sobre as sementes é de 'tolerância zero' dentro dos limites técnicos”, disse Alemanno. (...)
Agricultores italianos esperam semear em torno de 1,5 milhões de hectares de milho e soja nesta primavera, declarou um grupo de agricultores.
Oficiais de indústrias de sementes disseram que será muito difícil garantir a ausência completa de transgênicos nos carregamentos de sementes. (...)
Em resposta à reação pública sobre a segurança desta tecnologia a União Européia impôs a moratória para importação de alimentos transgênicos, tolerando somente o nível de 1% de transgênicos em cada produto.
PM ET, 24/01/02.

3. Ministério vai lançar manual para fiscalizar transgênicos
Ainda em fevereiro, o Ministério da Agricultura brasileiro vai lançar um manual para fiscalização de organismos geneticamente modificados (OGMs).
O objetivo é harmonizar as regras, em todo o Brasil, do acompanhamento das pesquisas liberadas pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) e ainda combater as áreas clandestinas, facilitando o trabalho dos fiscais, que saberão como autuar irregularidades.
O diretor de defesa e inspeção vegetal do Ministério, Odilson Ribeiro, explica que o manual está praticamente aprovado, mas ainda falta uma reunião conclusiva. Depois de serem lançadas as regras, o texto final ficará 90 dias disponível para consulta pública e somente então será editado. Para Ribeiro, são informações que darão mais confiabilidade aos fiscais.
Por enquanto, Ribeiro explica que vem recebendo denúncias de entidades ligadas ao setor de sementes de que existem áreas com plantio irregular de soja transgênica, principalmente no Rio Grande do Sul. Mas observa que em nenhum momento as denúncias indicam a área e o produtor responsável pela ilegalidade, o que dificulta o trabalho de uma equipe de fiscalização, que é reduzida. (...)
A CTNBio, órgão técnico e científico ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia que trata da análise dos produtos transgênicos, informa que não tem responsabilidade em caso de plantio de áreas clandestinas, mas que em caso de suspeita de cultivo ilegal é o órgão fiscalizador do Estado que deve comunicar o fato ao Ministério da Agricultura. (...)
No final do mês, uma comissão de japoneses estará no Brasil. O principal interesse do grupo é a produção de alimentos livres de transgênicos. (...)
Zero Hora, 22/01/02.

4. Distância usada para isolar campos experimentais de transgênicos não é segura
A perspectiva para a aprovação comercial dos transgênicos no Reino Unido é ainda mais incerta após as mudanças na política de governo para o futuro das tecnologias transgênicas.
Em uma resposta pouco divulgada a um relato crítico sobre as controvertidas avaliações dos campos experimentais a céu aberto, publicada em 17/01/02, a ministra do meio ambiente, Margaret Beckett, disse que:
* Os resultados das avaliações de transgênicos são insuficientes para a sua permissão comercial;
* Haverá um debate público sobre a liberação comercial dos transgênicos;
* Existe um processo para aumentar massivamente as distâncias entre os cultivos transgênicos e os não-transgênicos para a proteção de agricultores vizinhos contra a contaminação; (...)
A avaliação de ONGs inglesas que estão lutando contra a liberação dos transgênicos é a de que o governo se distanciou dos resultados obtidos nos campos experimentais a céu aberto declarando que as decisões sobre o cultivo de transgênicos deverão agora “se basear não só nos resultados dos experimentos a céu aberto” e  que “deverá haver discussões públicas sobre a possibilidade da introdução comercial dos cultivos transgênicos”.
As distâncias para a separação entre os cultivos transgênicos e os não-transgênicos foram estabelecidas para assegurar uma contaminação máxima de 1%. O governo agora reconhece “que a distância de separação deve ser maior para assegurar que no máximo, por exemplo, a contaminação por polinização cruzada seja de 0,1%”. O que pode representar um enorme aumento nas distâncias para separação dos cultivos. No último ano, a Comissão Ambiental propôs que a produção de canola, para obter a contaminação máxima de 0,3%, irá necessitar de uma distância de separação de 5 km.(...)
As ONGs avaliam que um país pequeno como a Inglaterra não poderá produzir transgênicos e não transgênicos ao mesmo tempo. (...)
Just-food.com, 21/01/02.

5. Agricultores canadenses processarão Monsanto
Um grupo de agricultores do Canadá que cultivam sementes orgânicas disse hoje que vai entrar com uma ação judicial contra os gigantes de biotecnologia Monsanto e Aventis para receber indenização por danos causados pela canola geneticamente modificada que está atingindo seus campos. “Estamos pedindo por danos pelas perdas de canola em nossas plantações no passado, presente e futuro e esperamos obter um mandado para impedir a introdução do trigo geneticamente modificado”, disse Marc Loiselle, presidente da Organização Orgânica de Saskatchewan (SOD), um grupo que representa cerca de mil agricultores orgânicos da Província de Saskatchewan, Canadá.(...)
Eles alegam que as plantações geneticamente modificadas são uma ameaça ao meio ambiente e à pureza genética da indústria da agricultura orgânica. Os órgãos que concedem certificados a produtos orgânicos têm tolerância zero com os organismos geneticamente modificados (OGMs) no suprimento de sementes. Eles também proíbem os agricultores de produtos orgânicos de aplicar nas plantações a maioria das substâncias químicas. Além disso, estes agricultores devem se basear na rotação de culturas, que inclui o plantio alternado de canola e trigo para controlar as pragas. Cerca de 60% da canola cultivada em Saskatchewan é geneticamente modificada para resistir às pragas.
O Globo Online, 11/01/02.

6. A polêmica do porco-espinafre japonês
Pesquisadores de uma universidade japonesa anunciaram ontem ter criado um porco transgênico com um gene de espinafre. O suíno com gene vegetal causou polêmica. Teoricamente, trata-se do primeiro mamífero com gene de planta do mundo. (...)
O coordenador da equipe de pesquisa, Akira Iratini, da Universidade de Kinki reconheceu que seu suíno transgênico teria pouquíssima ou nenhuma utilidade, pois apenas 1% dos filhotes nascem vivos. (...)
Porcos têm sido alvo de experiências bizarras. Numa das mais recentes, foram criados suínos com patas e focinhos fosforescentes, devido à inserção de um gene de água viva.
O Globo, 25/01/02.

Efeitos colaterais dos herbicidas na produção agrícola
O Roundup
A expansão do plantio de soja transgênica merece uma visão abrangente para que possam ser avaliados seus efeitos colaterais no ambiente em geral e, especificamente, nas plantas. Na fruticultura, por exemplo, são usados diversos agrotóxicos que acabam aumentando a incidência de pragas e doenças e/ou aumentando sua resistência aos tratamentos químicos. O uso de agrotóxicos também pode alterar o ecossistema do solo, atuando diretamente sobre os seres vivos nele existentes como minhocas, insetos, bactérias, fungos benéficos e outros, podendo causar também erosão e compactação do solo.
Um destes agrotóxicos de utilização generalizada em plantas transgênicas é o herbicida Round-Up, que tem como princípio ativo o glifosato.
Diversos são os danos comprovados pelo uso de glifosato tanto para o ambiente como para as plantas. Um deles é causado pelo fato do glifosato ter alta capacidade de se fixar à argila (um dos componentes do solo). Ele já foi encontrado no solo em quantidades de 6 a 18% do produto aplicado nas folhas após um ano de sua pulverização em florestas de clima frio.
Outra grave complicação é o fato do glifosato inibir a produção de fitoalexinas, (compostos fenólicos) que participam diretamente do mecanismo geral e básico de defesa das plantas, o que foi comprovado em experimentos com feijoeiro, soja, batata, tomate, pinheiros, citros, macieira e diversas outras espécies. É comprovado também que o glifosato estimula o aumento de esporos de fungos que causam podridões nas raízes. Doses de um centésimo do recomendado que derivam na pulverização são suficientes para inibir a expressão de resistência das plantas à podridão da raíz em soja e em macieira, por exemplo.
As plantas invasoras não são mortas diretamente pelo herbicida e sim pelo ataque de organismos oportunistas que se aproveitam da desativação do mecanismo natural de defesa da planta. O herbicida, portanto, acaba transformando o mato e outras plantas em comida para estes fungos. Isto significa que os fungos do solo é que matam as plantas invasoras. Logo, com o cultivo de plantas transgênicas resistentes ao glifosato, como a Soja Roundup Ready (RR), da Monsanto, o problema de doenças do solo deverá se agravar, levando ao maior uso de herbicidas e, consequentemente, de fungicidas para controlar o agravamento de podridões de raízes gerados pelo uso de glifosato.
Tokeshi, Hasime. A relação entre o uso de agrotóxicos e o aparecimento de pragas e doenças. São Paulo: IV Encontro de produtores de Agricultura Natural.

Eventos
Painel Exportação de soja para a Europa: o desafio da certificação
O Governo do Estado do RGS, através da Secretaria da Agricultura e Abastecimento e do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE), promove no próximo dia 29/01/02, às 9h, no auditório do BRDE, o painel "Exportação de soja para a Europa: o desafio da certificação".
O evento tem como objetivo discutir uma forma transparente e segura de estabelecer uma relação de confiança entre produtores gaúchos e consumidores europeus na comercialização de grãos. Participarão do evento representantes de entidades européias e gaúchas ligadas à produção e exportação de soja.

Inauguração de Jardim Permacultural
Na próxima quarta-feira, dia 23/01, às 19:30 horas, será inaugurado o Jardim Permacultural , situado em frente ao moinho, no Parque Moinhos de Vento, em Porto Alegre.
A proposta é aproveitar as áreas públicas para passar informações às pessoas. Assim o parque deixa de ser contemplativo e passa a ser didático, informativo. O projeto faz parte de uma parceria do Instituto Bem Estar e da prefeitura de Porto Alegre.


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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa

=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet

http://www.syntonia.com/textos/textosnatural/textosagricultura/apostilatransgenicos

=> Para acessar os números anteriores Boletim clique em:

http://www.dataterra.org.br/Boletins/boletim_aspta.htm

ou

http://www.uol.com.br/idec/campanhas/boletim.htm

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"Continuamos a contar com a participação de todos, tanto no envio de notícias, como de sugestões de pessoas e instituições interessadas em se cadastrar para receber o Boletim"


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