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De:
Campanha Transgenicos <campanhatransg@uol.com.br>
Data: Sex Jan 11, 2002 7:49
pm
Assunto: BOLETIM 96 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s
Bem vindos a 2002! Mais um ano de grandes desafios.
Começamos com uma pequena reflexão sobre os rumos da pesquisa
biotecnológica, hoje concentrada nas mãos das empresas privadas.
O jornal australiano The Daily Telegraph publicou esta semana uma
matéria sobre a nova pesquisa multi-bilionária da gigante Monsanto: seu
objetivo é criar uma variedade de milho transgênico que possa resistir à
umidade, para produzir flocos de milho que continuem crocantes
mesmo após mergulhados no leite. Para obter esta “delícia transgênica”, a
empresa pretende descobrir genes capazes de induzir altas taxas de
produção de cera no milho.
O aspecto mais esdrúxulo da história é que a Monsanto espera que este
novo produto possa ajudar a mudar a opinião pública (hoje extremamente
negativa) com relação aos transgênicos.
Vocês conseguem imaginar uma pesquisa mais sem sentido do que esta? Ela
nos faz lembrar os argumentos pró-transgênicos, repetidos pela Monsanto
mundo afora, de que a pesquisa biotecnológica ajudará a resolver os
grandes problemas da humanidade, desde a fome nos países pobres, até o
tratamento de doenças hoje incuráveis.
Pode até ser que, se conduzida de maneira independente por instituições
públicas de pesquisa, a biotecnologia possa buscar e encontrar soluções
para grandes problemas. Mas como está sendo feita, terá sempre como
objetivo maior gerar lucro para as empresas, ainda que através da criação
de produtos completamente inúteis, mas capazes de abocanhar algum nicho
do mercado. Para isto se investe bilhões de dólares e se usa o potencial
de cientistas brilhantes e bem preparados (para se desenvolver uma
variedade transgênica gasta-se, em média, 300 milhões de dólares -- 5
vezes mais do que o governo brasileiro gastou com saúde no estado de
Sergipe em 2001, ou mais que o dobro gasto em Goiás no mesmo período).
Uma lástima.
E o pior de tudo é pensar que, além de serem inúteis, estes novos
produtos podem trazer danos irreversíveis ao ambiente e imprevisíveis à
saúde humana. Responsabilidade dos cientistas que acham que, do alto de
sua autoridade, devem definir sozinhos -- sem a participação da sociedade
-- para onde a pesquisa científica deve caminhar.
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Neste número:
1. Chapecó (SC) proíbe transgênicos
2. Irlanda descobre transgênicos em produtos rotulados como
não-transgênicos e orgânicos
3. Processadoras de grãos nos EUA querem segregação de transgênicos
4. China divulga regras para a importação de transgênicos
5. Soja ilegal preocupa Abrasem
6. Ovelha Dolly sofre de envelhecimento precoce
7. Ex-Monsanto responde a ação milionária nos EUA
Sistemas agroecológicos mostram que
transgênicos não são solução para a agricultura
Revolução nos arrozais
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1. Chapecó (SC) proíbe transgênicos
O cultivo, comercialização, transporte e distribuição de
produtos geneticamente modificados (os transgênicos) estão proibidos no
município de Chapecó. O prefeito José Fritsch (PT) sancionou nesta
quinta-feira, dia 3, a lei de autoria da Câmara de Vereadores, que trata
sobre o tema. Fritsch destacou que a Europa exige certificados que
comprovem a inexistência de produtos transgênicos nas áreas de onde
importam mercadorias. O município de Chapecó é um dos principais pólos de
exportação de carne do país.
Segundo o vereador Cláudio Vignatti (PT), já existem leis
federais* e estaduais que proíbem o cultivo
de transgênicos, mas a fiscalização não está sendo eficiente. Com a lei
local, o objetivo é dar ao município o poder de polícia para controlar
esta prática.
O diretor do Departamento de Agricultura de Chapecó, Luiz Carlos Borsuck,
destaca que o objetivo é primeiro orientar produtores e supermercados,
para depois tomar medidas de repressão e apreensão.
A fiscalização será feita pelo Departamento de Agricultura e Vigilância
Sanitária. Borsuck disse que existe suspeita do cultivo de oito lavouras
de soja transgênica no município.
ClicRBS, 03/01/02.
* Na verdade, os transgênicos estão
proibidos em nível nacional através de uma decisão judicial e não de uma
lei federal. O Congresso Nacional está tentando passar uma lei sobre o
tema, mas o Projeto de Lei que está em discussão é muito ruim. Propõe
a liberação dos transgênicos no Brasil sem a necessidade de estudos
de impacto para o ambiente ou para a saúde humana.
2. Irlanda descobre transgênicos em produtos
rotulados como não-transgênicos e orgânicos
A Autoridade em Segurança dos Alimentos (FSA, na sigla em
inglês) da Irlanda descobriu que alguns dos produtos alimentares
rotulados como livres de transgênicos e orgânicos contêm traços de
elementos transgênicos em sua composição.
“Esta atitude, além de confundir os consumidores, é extremamente
oportunista devido aos benefícios de mercado obtidos pelos alimentos
descritos como livres de transgênicos e orgânicos”, disse Dr. Patrick
O’Manhony, especialista-chefe em biotecnologia da FSA. (...)
A pesquisa se concentrou no nível de transgênicos contidos em produtos de
soja desidratada, leite de soja e alimentos infantis a base de soja.
O Dr. O’Mahony disse que já fez contato com a maior parte das indústrias
alimentícias envolvidas e que elas estão cooperando para corrigir seus
rótulos. (...)
Contudo, ele admite que as indústrias possam ter tido problemas em alguns
casos em que produtos transgênicos e não-transgênicos plantados nos EUA
foram despachados para o mesmo silo e ocorreu contaminação acidental.
(...)
Irish Independent, 04/01/02.
3. Processadoras de grãos nos EUA querem
segregação de transgênicos
Na divulgação dos resultados da terceira pesquisa anual com os
processadores de grãos dos EUA, a Associação Americana dos Produtores de
Milho (ACGA, na sigla em inglês) mostra que mais da metade das
processadoras pesquisadas está requisitando segregação das variedades
transgênicas das não-transgênicas, tanto na entrega às processadoras,
quanto no campo. Quase 20% oferecem prêmios para o milho não-transgênico.
A pesquisa abrangeu 1.149 processadoras de grãos em 11 estados do
meio-oeste americano.
“Os resultados deixam claro o crescente nível de preocupação das
processadoras quanto à sua capacidade de satisfazer seus clientes
internacionais e de manter seus mercados de exportação”, disse Larry
Mitchell, da ACGA.
“O número de acres plantados com variedades de milho transgênico
despencou de cerca de 25 milhões, em 1999, para aproximadamente 16,4
milhões em 2001. Ao menos em parte, tal fato reflete as preocupações
relativas ao mercado e a outros problemas que os agricultores relacionam
ao cultivo de transgênicos”, disse Dan McGuire, diretor do programa
‘Escolha do agricultor - o cliente em primeiro lugar’, da ACGA.
“As dificuldades da segregação no campo, combinadas com os prêmios que
têm sido oferecidos para as variedades não-transgênicas e com a
constatação de que os transgênicos estão prejudicando as exportações,
estão aparentemente se tornando incentivos mais fortes para que os
agricultores optem por não cultivar transgênicos. (...)
Maiores informações sobre os dados da pesquisa no site
http://www.acga.org
American Corn Growers Association, 19/12/01.
4. China divulga regras para a importação de transgênicos
Novas regras para produtos transgênicos entrarão em vigor na China a partir de 20 de março de 2002, disse o Ministro da Agricultura chinês na última segunda-feira. A definição encerrará a indecisão que durante seis meses causou o rompimento das negociações de importação de soja dos EUA. (...)
As novas regras incluem inspeção de certificados de segurança, classificação de importações e rotulagem dos transgênicos.
As regras de rotulagem publicadas na China em junho do último ano determinavam que a importação de transgênicos deveria ser acompanhada por um certificado de segurança, mas não trazia uma definição para este certificado e nem dizia como se poderia obter um, o que deixou os importadores inseguros.
As novas regras, agora publicadas em detalhes, explicam também que será criado um Comitê Nacional de Avaliação para aspectos relacionados à segurança dos transgênicos. O Ministro da Agricultura também criará um departamento para administrar a emissão de certificados de segurança para produtos transgênicos.
Dow Jones Newsires, 06/01/02.
5. Soja ilegal preocupa Abrasem
A Associação Brasileira dos Produtores de Sementes (Abrasem) vai encaminhar um alerta ao Ministério Público e ao Ministério da Agricultura sobre o cultivo ilegal de sementes transgênicas de soja no Brasil. A entidade quer providências das autoridades contra a atividade irregular, cujo crescimento ameaça desestruturar seu mercado, disse o diretor executivo da Abrasem, João
Henrique Hummel. O dirigente ressaltou que a Abrasem não pretende denunciar agricultores pela possível prática clandestina. Sua intenção, revela, é defender as empresas e a estrutura de pesquisa de cultivares ligada a elas. (...)
A entidade defende a liberação do cultivo de sementes geneticamente modificadas e avalia que o volume de utilização do produto clandestino já começa a assustar. (...)
Para o secretário da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul, José Hermeto Hoffmann, as declarações do ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, a favor da liberação dos transgênicos, servem de estímulo ao produtor para buscar este método de cultivo. (...)
Hoffmann considerou ainda que o alerta da Abrasem sobre o cultivo irregular de soja no país chega com atraso e deveria ter sido encaminhado há três anos. (...)
Correio do Povo, 27/12/01.
6. Ovelha Dolly sofre de envelhecimento precoce
Primeiro animal clonado do mundo, a ovelha Dolly está sofrendo de artrite aos cinco anos e meio de idade. O anúncio, feito pelos cientistas, reabriu a polêmica sobre o envelhecimento precoce dos animais clonados e do desenvolvimento de problemas de saúde decorrentes de efeitos genéticos oriundos do processo de clonagem. (...)
O surgimento imprevisto da doença reforça a teoria de que o processo de clonagem pode provocar defeitos genéticos graves.
-- Infelizmente, essa é mais uma prova de que os procedimentos atuais de clonagem são ineficazes. Já sabíamos que somente uma pequena parcela dos embriões clonados chega a nascer, mas, agora, tudo indica que alguns desses animais se tornam mais vulneráveis a algumas doenças -- afirmou Ian Wilmut, coordenador da equipe responsável pela clonagem da Dolly. (...)
Alguns cientistas defendem a tese de que animais clonados seriam propensos ao envelhecimento precoce. A clonagem é feita a partir do DNA de um indivíduo maduro, inserido num óvulo. Dolly foi criada a partir do material genético de uma ovelha de seis anos e, por isso, os especialistas discutem se ela teria cinco anos (seu tempo de vida) ou onze anos (a idade do DNA usado).
-- Os cientistas acreditam que podem combinar os genes de uma forma controlada, mas não podem. Esse controle é uma ilusão -- afirmou Sarah Kite, diretora de pesquisa da União Britânica pela Abolição da Vivissecção. -- A verdade é que ninguém compreende de que maneira exatamente os genes atuam e que tipo de problema podem desenvolver os animais sujeitos a técnicas de biotecnologia -- disse. (...)
O Globo, 05/01/02.
7. Ex-Monsanto responde a ação milionária nos EUA
A antiga Monsanto, uma das maiores empresas do mundo na área química, está sendo processada pelos moradores de uma cidade americana em um caso que pode valer uma indenização de vários milhões de dólares.
Cerca de 3.500 habitantes de Anniston, no Alabama, afirmam que a empresa poluiu os rios da região com uma substância refrigerante conhecida como PCB, que hoje está proibida, favorecendo o desenvolvimento de doenças como o câncer.
Eles também dizem que a empresa sabia dos danos que poderiam ser causados à saúde dos moradores, e que autoridades estaduais também ajudaram a Monsanto, que hoje se chama Solutia, a acobertar o caso. (...)
A Monsanto produziu PCB (bisfenol policlorotado) em Anniston de 1927 a 1971. Pouco depois, a substância foi proibida pelo governo americano por supostos riscos à saúde.
Um dos moradores da cidade, David Baker, disse à agência de notícias Associated Press que, devido à poluição causada pela fábrica da Monsanto, seu irmão morreu aos 16 anos, vítima de câncer de pulmão e de problemas cardíacos.
O próprio Baker garante que tem lesões de pele e outros problemas por causa do PCB. "Eles nos mentiram durante 25 ou 30 anos", afirmou ele.
A empresa insiste que não dá para afirmar com certeza que há uma relação entre a fabricação de PCBs e esse tipo de problema. "Há um estudo aqui e outro ali, mas nada de conclusivo", disse um advogado da Solutia à AP. (...)
No ano passado, a Solutia (ainda então chamada Monsanto) já foi forçada a fechar um acordo de US$ 40 milhões com 1.600 moradores de Anniston.
A Solutia também teve que gastar outros US$ 40 milhões em trabalhos de recuperação da região.(...)
BBC Brasil, 07/01/02.
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Revolução nos arrozais
O padre francês Henri de Lalaunie é um experiente agricultor. Vindo de Madagascar em 1961, trouxe consigo a esperança de resgatar os pequenos agricultores da miséria. Lalauine observou a maneira como eles cultivavam arroz, alimento básico da ilha, e implantou seus próprios campos experimentais. Vinte anos depois, o padre formulou um novo conceito que permite a colheita de mais arroz plantando-se menos sementes. Assim foi desenvolvido o “Sistema de Intensificação de Arroz” (SIR).
Com o SIR, o arrozal recebe a quantidade exata de água para se desenvolver, evitando excessos ou escassez, mas as plantas invasoras precisam ser eliminadas mecanicamente. Ao fazê-lo, o padre Lalaunie descobriu que arejar a terra com enxada estimulava o crescimento das plantas. Assim, como resultado direto de seu trabalho, a quantidade de arroz colhida por hectare passou a ser o dobro da quantidade média produzida pelo método convencional.
O número de agricultores em diferentes países que adotam o SIR aumenta cada vez mais. Em Madagascar existem 50 mil rizicultores cultivando sob este método. Outros países como a China, Blagadesh, Sri Lanka e Camboja demonstraram boa aceitação pela técnica. Agora especialistas aguardam os resultados de estudos do Camboja, feitos pela Universidade Wageningen, da Holanda. “O grande salto do SIR virá quando ficar realmente provado que o método confere maior eficiência ao uso da água e da terra, ao mesmo tempo que ajuda a preservar o ambiente e proporciona uma produção maior e melhor.
Poucos rizicultores precisam dobrar sua colheita, por isso sobrará espaço na lavoura para o cultivo de outros cereais e hortaliças. As famílias terão mais alimentos e também novas oportunidades de fontes de renda”, afirma Norman Uphoff, professor da Universidade de Cornell, N.Y.
RECEITAS CONTRA A FOME. Histórias de sucesso para o futuro da agricultura. São Paulo: Greenpeace, 2001.
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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.), ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), INESC (coord.), GREENPEACE , CECIP, CE-IPÊ, e FASE.
Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa
=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet
http://www.syntonia.com/textos/textosnatural/textosagricultura/apostilatransgenicos
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