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De:
Campanha Transgenicos <campanhatransg@uol.com.br>
Data: Sex Nov 30, 2001 6:32
pm
Assunto: BOLETIM 92 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s amig@s
A votação do Projeto de Lei (PL) sobre transgênicos do Deputado Federal
Confúcio Moura (PMDB/RO), que estava marcada para a última terça-feira
(27/11), foi novamente adiada -- por falta de quorum.
Neste dia o Congresso Nacional estava em estado de caos por conta da
votação das alterações na Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT), o que
deixou a questão dos transgênicos em segundo plano.
O Dep. Confúcio, relator da Comissão Especial dedicada a avaliar os 19
Projetos de Lei sobre transgênicos que tramitam na Câmara, elaborou um PL
substitutivo aos 19 anteriores que, se for aprovado na Comissão, seguirá
para votação na plenária da Câmara.
Como já relatamos neste Boletim, o PL do Dep. Confúcio é dos piores
possíveis, liberando os transgênicos para cultivo e comercialização no
Brasil de forma ampla e irrestrita, sem as necessárias avaliações de
riscos para o meio ambiente e para a saúde dos consumidores e sem
garantir os direitos de plena informação aos consumidores.
O relator chegou a alterar a redação de seu PL após as pressões sofridas
quando da sua primeira apresentação (contou para isso o recebimento de
centenas de mensagens por e-mail dos leitores deste Boletim), mas o
conteúdo essencial permaneceu intacto.
A votação será novamente chamada na próxima terça-feira (04/12). Ganhamos
mais uma semana para pressionar os deputados da Comissão a assumir uma
postura mais crítica e puxar novamente o debate entre os seus
membros.
Hoje (30/11) à tarde, a Fetagro/RO (Federação dos Trabalhadores e
Trabalhadores na Agricultura de Rondônia), a CUT/RO (Central Única dos
Trabalhadores / RO), o MST (Movimento dos Trabalhadores Sem Terra), o MPA
(Movimento dos Pequenos Agricultores) e outras entidades ambientalistas
do estado de Rondônia estão reunidos com o Deputado Confúcio para
discutir a importância de uma Lei séria que regulamente esta matéria,
garantindo a segurança da população, do ambiente e da agricultura no
Brasil, e as conseqüências que teria uma Lei como a que o Deputado quer
aprovar.
Um dado importante neste cenário é que 2002 será um ano eleitoral, e o
Dep. Confúcio sairá como candidato ao Senado Federal.
É bom que ele se cuide. Um Projeto de Lei como o que ele propõe será
seguramente ultra-impopular!
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Neste número:
1. Contaminação mais que comprovada no milho mexicano
2. Soja não-transgênica pode ter prêmio de 10%
3. Contrabandistas de sementes transgênicas são presos na Índia
4. Campanha tailandesa para a proteção do arroz jasmim
5. FDA avalia a segurança dos animais clonados para o consumo humano
6. Anúncio da criação de clone humano é questionado por cientistas
Sistemas agroecológicos mostram que
transgênicos não são solução para a agricultura
Isca natural combate inseto nas
lavouras
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1. Contaminação mais que comprovada no milho mexicano
Desta vez a denúncia de poluição genética não partiu de uma
organização não- governamental, nem foi anunciada no calor de uma
entrevista coletiva. Saiu na publicação científica britânica
"Nature": variedades mexicanas tradicionais de milho foram
contaminadas com DNA de plantas transgênicas.
Uma constatação tanto mais importante porque o México faz parte da origem
geográfica das plantas ancestrais do milho hoje plantado no mundo todo.
Esse estoque de diversidade genética deveria ser preservado, pois pode
ser útil para criar novas variedades, por cruzamentos, no futuro.
O artigo traz nova evidência, agora com a chancela da "peer
review" (revisão por pares, espécie de controle de qualidade
científica), de que organismos geneticamente modificados (OGMs), uma vez
postos no ambiente, se comportam como bem entendem -- e não como os
manuais de biossegurança prescrevem.
David Quist e Ignacio Chapela, que assinam o trabalho e pesquisam na
Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA), alertam que a contaminação
genética foi verificada dois anos depois da moratória no plantio de milho
transgênico baixada pelo governo mexicano (em 1998). Ou seja, não deveria
haver pólen de OGMs voando pela Sierra Norte do Estado de Oaxaca (sul do
México).
Eles provaram que há, sim. E o pólen estava presente a pelo menos 20 km
da estrada principal que corta as montanhas, num lugar remoto do
município de Ixtlán, onde coletaram as espigas de milho
"criollo" para teste.
Quatro amostras de milho "criollo" mostraram sinais
inequívocos, ainda que fracos, de DNA de origem transgênica. Segundo
Quist e Chapela, a debilidade do sinal genético decorre de terem
examinado todos os grãos de cada espiga ao mesmo tempo.
Cada grão é produto da fertilização de um óvulo por um grão de pólen
individual, portanto a mesma espiga pode ter grãos transgênicos e
não-transgênicos. Outra pesquisa, patrocinada pelo governo mexicano,
havia examinado grãos individuais e verificado que a contaminação por
OGMs é da ordem de 3% a 10%.
"Nossos resultados demonstram que há um alto nível de fluxo gênico
do milho industrialmente produzido para as populações de variedades
tradicionais progenitoras. Como nossas amostras se originaram de áreas
remotas, é de esperar que regiões mais acessíveis estarão expostas a
taxas mais altas de contaminação", escrevem os autores na
"Nature" de hoje. (...)
Folha de São Paulo, 29/11/01.
(...) Uma hipótese é que os genes tenham chegado pelo ar, contidos no
pólen de milho transgênico de outras regiões. Mas o mais provável,
segundo o pesquisador, é que a contaminação seja proveniente de sementes
importadas dos EUA, que são distribuídas às populações pobres por um
programa de alimentação do governo. "Uma vez inseridas na população,
essas variações genéticas não podem ser eliminadas", afirmou Quist.
"A única solução é identificar e eliminar essa fonte."
Estado de São Paulo, 29/11/01.
2. Soja não-transgênica pode ter prêmio de
10%
Os prêmios pagos pela soja convencional podem chegara mais de
10% nos próximos doze meses, bem acima do intervalo de 2 a 4% pagos
atualmente. A previsão é do britânico Graham Brooke, que tem entre seus
clientes órgãos agrícolas da Comunidade Européia e companhias européias
de alimentos e insumos.
A estimativa, explica ele, baseia-se em projeções de diferentes
organizações, que convergem para um interesse crescente dos consumidores
por produtos livres de transgênicos, tanto na União Européia quanto na
Ásia.
Alem do aumento na demanda, deve contribuir para a melhora dos prêmios a
redução da oferta mundial de grãos convencionais. (...)
Valor Econômico, 30/11/01.
3. Contrabandistas de sementes transgênicas
são presos na Índia
O tribunal de Guarajat, na Índia, emitiu um mandato de prisão
contra oficiais da empresa que disse ter vendido sementes de algodão
transgênico para agricultores sem a permissão do governo, divulgou o
Sindicato dos Funcionários do Ministério do Meio Ambiente, que
está fazendo a acusação criminal formal contra a empresa.
(...)
Nenhuma espécie transgênica foi autorizada para cultivo comercial na
Índia e os estudos de impacto ambiental e sobre a saúde dos consumidores
ainda não foram concluídos. Neste caso, a empresa de sementes em questão,
a Navbharat Seeds, sequer solicitou qualquer uma das permissões
necessárias, disseram os funcionários.
Por outro lado, o governo do estado de Guarajat parece não ter ido longe
em apreender o algodão transgênico já colhido, o que força os
funcionários do Ministério a admitir que a maior parte da produção
transgênica não deve ser recuperada -- forçando-os a ver este caso como
um exercício “educativo”. (...)
The Times of India, 23/11/01.
4. Campanha tailandesa para a proteção do
arroz jasmim
Um Grupo de Ação pela proteção do arroz jasmim, nativo da
Tailândia, está sendo criado com o objetivo de agir para além do poder
governamental em proteger o arroz nativo e combater a tentativa dos
cientistas americanos de modificar geneticamente a linhagem.
A criação do grupo, composto por agricultores, ONGs, ambientalistas,
acadêmicos, advogados, membros do parlamento e exportadores, foi decidida
esta semana por um fórum público organizado pelo Centro de Estudos em
Desenvolvimento Social da Universidade Chulalongkorn e da ONG Biothai,
que se dedica a proteger os recursos biológicos e os direitos dos
agricultores na Tailândia.
No fórum, Witoon Lianchamroon, diretor do Biothai, explicou que “entre as
ações do grupo estarão a organização de uma campanha para boicotar a
venda de todos os produtos americanos, condenando os cientistas do
Departamento de Agricultura americano, que financia a pesquisa, e
forjando alianças com outros países na esfera dos Acordos
Internacionais relacionados aos Direitos de Propriedade Intelectual”.
(...)
just-food.com editorial team, 27/11/01.
5. FDA avalia a segurança dos animais
clonados para o consumo humano
Enquanto as atenções do mundo esta semana se voltaram para a
notícia do primeiro embrião humano clonado, regulamentadores americanos
já estavam trabalhando em avaliar se os clones animais são seguros ou não
para o suprimento alimentar nos EUA.
A clonagem animal começou em 1997, quando pesquisadores criaram a ovelha
Dolly, primeiro mamífero adulto clonado. Empresas de
biotecnologia têm produzido duplicatas de animais premiados e
propagandeado a tecnologia para os donos desses animais.
Com a rápida evolução nessa área, o departamento do governo americano
responsável por avaliar a segurança de alimentos e medicamentos, o FDA
(Food and Drug Administration), está considerando se vai regulamentar os
animais clonados que podem servir para o consumo humano.
Alguns especialistas em clonagem têm argumentado que todos os clones
possuem, no mínimo, irregularidades súbitas que não podem ser facilmente
detectadas, e grupos de consumidores dizem que é necessária a supervisão
do governo até que se saiba mais sobre o assunto.
“Nós achamos que o FDA não deve se precipitar nesta questão dizendo
apenas que está tudo bem e permitindo que os animais sejam
comercializados imediatamente”, disse Joseph Mendelson, diretor do Centro
para a Segurança dos Alimentos, baseado em Washington.
O Conselho Nacional de Pesquisa dos EUA convocará uma reunião para
preparar um relatório para o FDA sobre os animais bioengenheirados.
Duas empresas já estão preparadas para dizer aos cientistas que suas
vacas clonadas são aparentemente normais e bem sucedidas. (...)
“Nós temos vacas normais. Elas produzem leite, seu leite é normal. Seu
desempenho é normal em todos os sentidos”, disse Michael Bishop,
presidente da empresa DeForest, Infigen Inc., acrescentando que sua
empresa está preparando as informações para publicar em uma revista
científica. (...)
O FDA está avaliando se a carne e o leite dos clones é seguro para o
consumo humano. Em junho deste ano a agência exigiu que as empresas que
trabalham com criação de animais clonados requeiram autorizações se
quiserem vendê-los para a alimentação.
Os funcionários do FDA planejam utilizar o relatório do Conselho Nacional
de Pesquisa, esperado para a próxima primavera, para ajudar a criar uma
política formal a partir da qual as empresas solicitarão a aprovação do
FDA antes de comercializarem animais clonados, similar à liberação
necessária para a venda de produtos farmacêuticos.
Além do exame em detalhe dos clones, o Conselho Nacional de Pesquisa quer
rever os efeitos da transgenia animal na saúde humana, no ambiente e no
bem-estar animal. (...)
Reuters, 27/11/01.
6. Anúncio da criação de clone humano é
questionado por cientistas
O anúncio pela empresa americana Advanced Cell Technology
(ACT) de que clonou um embrião humano foi recebido com algum ceticismo e
muitas dúvidas sobre seus reais objetivos. O cientista escocês Ian
Wilmut, pai de Dolly, a ovelha clonada, comentou que o anúncio foi
“prematuro”, pois o máximo que a ACT chegou foi a um embrião “de seis
células, quando, pelo tempo decorrido, deveria haver mais de 60”.
Michael West, Robert Lanza e José Cibelli, os pesquisadores que assinam o
informe asseguram que seu único objetivo foi dar um novo passo no terreno
da medicina regenerativa através do implante de células para tratar
doenças incuráveis. Entretanto, não foram poucos os cientistas que viram
no anúncio uma jogada publicitária da ACT. Os resultados não foram
divulgados em publicações científicas como Nature e Science
e portanto não podem ser reproduzidos por pesquisadores independentes,
como é norma. (...)
“Trata-se mais de uma provocação do que de um anúncio científico”,
declarou à agência France-Presse Jean Paul Renard, especialista em
clonagem animal do Instituto Nacional francês de Investigação Agronômica
(INRA). Segundo Renard, a clonagem para a obtenção das células tronco
embrionárias fracassou. “estão longe de seu objetivo, a utilização
terapêutica”, afirmou. (...)
Jornal do Brasil, 27/11/01.
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos
não são solução para a agricultura
Isca natural combate inseto nas
lavouras
A Universidade Estadual de Londrina - PR (UEL) está
pesquisando o uso de iscas naturais para o controle do inseto conhecido
como “vaquinha” nas lavouras. A isca é um pó amarelo à base de purungo ou
cabaça, rico em cucurbitacina, substância que faz com que o inseto se
alimente compulsivamente. Ao composto são adicionados aromas da flor de
uma variedade de abóbora. As armadilhas podem ser feitas com garrafas pet
e devem ser distribuídas pela lavoura. Outro método de uso consiste em
aplicar-se uma dose do inseticida natural em uma pequena parcela da
lavoura, de forma que os insetos sejam atraídos para lá, deixando o
restante livre.”
Folha de São Paulo, 02/10/01.
Maiores informações pelo endereço
deptagro@uel.br ou pelo telefone (43)
371-4555.
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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta
pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.),
ACTIONAID BRASIL (coord.), ESPLAR (coord.), IDEC (coord.), GREENPEACE ,
CECIP, CE-IPÊ, FASE e INESC.
Este Boletim é produzido pela
AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura
Alternativa
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"POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet
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