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De:
Campanha Transgenicos <campanhatransg@uol.com.br>
Data: Seg Out 22, 2001 3:42
pm
Assunto: BOLETIM 86 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s Amig@s
A Comissão Especial da Câmara dos Deputados que discute os
projetos de lei sobre transgênicos traçou um roteiro de visitas ao Rio de
Janeiro, São Paulo e Minas Gerais (em Uberlândia), para colher mais
subsídios. Esse movimento é interessante porque, acompanhada de
parlamentares e de organizações não governamentais e movimentos sociais
que exigem um posicionamento crítico e independente do Brasil no assunto
organismos geneticamente modificados (OGMs), a Comissão poderá, enfim,
ouvir empresas e setores do governo brasileiro que vêm se negando a
debater aberta e democraticamente a série de impactos causados pelos OGMs
na saúde dos consumidores, na economia brasileira e na ciência nacional.
Segue a programação da Comissão que deve, na medida do possível, ser
acompanhada por todos os interessados.
VISITA A UBERLÂNDIA
DIA 25/10 - (Quando será acompanhada pelo Frei Rodrigo Peret, membro da
Campanha em Uberlândia)
12h - Visita à MONSANTO. Recepção: Rodrigo Lopes de Almeida - Diretor de
Assuntos Parlamentares da empresa
13:30h - Almoço dos Parlamentares
14:30h - Visita ao Centro de Pesquisa da SYNGENTA. Recepção: Wilhelmus
Utdewlllgen
VISITA SÃO PAULO
DIA 31/10 - São Paulo (IDEC e Greenpeace acompanham)
11:30h - Visita à Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo -
FAPESP.
End.: Rua Pio XI, 1.500 - Alto da Lapa - 5 andar Tel. 3645-2417 e
3838-4003.
Recepção: José Fernandes Péres - Diretor Científico
14:30h - Visita ao Instituto Butantã. End. Av. Vital Brasil,1500
tel. 3726-9257 e 3726-8381. Recepção: Dra. Isaco Higashi
VISITA RIO DE JANEIRO
DIA 01 de Novembro (A confirmar o acompanhamento)
11:30h - Visita à Fundação FioCruz. End. Av. Brasil, 4.365 - Manguinhos -
Castelo Mourisco - 5o andar, tel. 2598-4305 e 2598-4308. Recepção: Dra.
Marise Magalhães - Chefe do Depto de Microbiologia - INCQS
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Neste número:
1. Justiça proíbe plantio de Arroz Transgênico
2. Sociedade organizada contra os Transgênicos
3. Transgênicos em ajuda alimentar para os países pobres
4. Monsanto pode ser acionada por invasão de propriedade
Sistemas agroecológicos mostram que
transgênicos não são solução para a agricultura
Urina de vaca dá excelentes resultados
no controle de pragas
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1. Justiça proíbe plantio de Arroz Transgênico
A Procuradoria da República no Município de Rio Grande foi
intimada da sentença proferida pelo Juízo Federal da 1a Vara Federal de
Rio Grande, concedendo os pedidos formulados na Ação Civil Pública que o
Ministério Público Federal move contra a empresa Aventis Cropscience do
Brasil Ltda. e a União Federal, tendo por objeto a liberação de arroz
transgênico no meio ambiente.
A Ação foi proposta em 22 de março de 2000 pela Procuradora da República
em Rio Grande, Anelise Becker, tendo em vista experimento desenvolvido
pela Aventis em sua Unidade Experimental do Arroz, situada no Distrito do
Taim, Rio Grande. O experimento consistia no plantio experimental de 0,8
ha do organismo geneticamente modificado arroz liberty link.
Embora o experimento tenha sido concluído com a colheita do arroz
geneticamente modificado, a Justiça Federal declarou comprovada a sua
ilegalidade, pois foi realizado sem autorização dos Ministérios da
Agricultura, do Meio Ambiente e da Saúde, sem registro do Organismo
Geneticamente Modificado (OGM) e da empresa perante os mesmos
Ministérios, sem licenciamento ambiental, sem estudo de impacto ambiental
e sem registro especial temporário do agrotóxico Glufosinato de Amônio,
ao qual associado o OGM.
Determinou a Justiça Federal, assim, acolhendo o pedido do Ministério
Público Federal, que a Aventis não libere no meio ambiente o OGM arroz
liberty link obtido a partir do experimento, sem prévia autorização dos
Ministérios da Saúde, da Agricultura e do Meio Ambiente e licenciamento
ambiental, mediante elaboração de Estudo Prévio de Impacto Ambiental, sob
pena de aplicação de multa no valor de R$ 10.000.000,00 (dez milhões de
reais).
Quanto à União Federal, a Justiça determinou que não autorize qualquer
liberação do OGM arroz liberty link no meio ambiente, seja com finalidade
experimental ou comercial, bem como suspenda as autorizações que,
porventura, já tenham sido expedidas, até que seja elaborado o Estudo
Prévio de Impacto Ambiental correspondente e licenciada a atividade pelo
IBAMA, sob pena de aplicação de multa no valor de R$ 10.000.000,00 (dez
milhões de reais). (...)
Ministério Público Federal, Procuradoria da República RGS,
10/10/01.
2. Sociedade organizada contra os
Transgênicos
Um ato em defesa da natureza uniu, ontem à tarde, crianças do
campo e da cidade num abraço à Embrapa, no Jardim Botânico.
No Dia Nacional de Luta Contra os Transgênicos, 400 ''sem terrinha''
vindos de assentamentos do MST no interior do estado se aliaram aos
alunos do Centro Educacional Anísio Teixeira, que atende crianças de
classe média em Santa Teresa. Promovido pelo MST, Apedema
(Assembléia Permanente das Entidades de Defesa do Meio Ambiente), e
outras entidades, o ato denunciou a situação de penúria da Embrapa
(Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária).
Jornal do Brasil, 12/10/01.
3. Transgênicos em ajuda alimentar para os
países pobres
Desde que foram lançados no mercado os alimentos transgênicos
vem sofrendo grande rejeição pelos consumidores dos países
industrializados, especialmente na Europa e no Japão. Esta fato vem
causando um efeito nos países do terceiro mundo que estão se tornando a
lixeira dos produtos transgênicos, pois recebem estes alimentos a preços
baixos ou através de ajuda alimentar.
A ajuda alimentar, é o último mercado de exportação sem regulação que
está aberto para os agricultores dos EUA, pois para os países pobres, que
enfrentam constantes crises econômicas, ou que são vitimas de desastres
ambientais se torna muito difícil recusar estas ajudas.
O departamento de agricultura dos EUA está exportando mil toneladas de
milho e soja transgênica ao terceiro mundo, através dos programas de
ajuda alimentar.
Em 1999 o governo dos EUA doou 500.000 toneladas de milho seus produtos.
Pode-se afirmar que 30% desta ajuda foi de alimentos transgênicos, de
acordo com o USAID. (...)
As Nações Unidas não sabem quanto da ajuda alimentar recebida é
transgênica, nem tem uma política definida sobre o assunto. O Programa
Mundial de Alimentos recebe quase a metade do pressuposto anual dos EUA.
(...)
A presença de transgênicos em ajuda alimentar já não é mais uma
possibilidade. Sua presença foi detectada em vários países do mundo,
incluindo a Índia, aonde se distribui transgênicos para as vítimas de um
furacão, na região andina (Colômbia, Equador e Bolívia), na Nicarágua,
entre outros países, o que causou a rejeição da população e de alguns
Estados. (...)
Red por una America libre de transgenicos, 16/10/01.
4. Monsanto pode ser acionada por invasão de
propriedade
O agricultor Terry Kemmet, produtor de algodão e trigo
orgânico, batata convencional e presidente da certificadora USA Organics,
em North Dakota, está estudando com outras famílias de agricultores as
possibilidades de mover ações contra a empresa Monsanto. Um dos motivos
desta iniciativa se dá pela violação de seus cultivos através de
contaminação com os transgênicos, causando danos principalmente no
mercado de exportação de seus produtos. (...)
“Em breve nossos direitos constitucionais básicos sobre nossas
propriedades serão perdidos. (...) Nossos direitos de cultivar as plantas
que quisermos e vendê-las serão ofuscados pelas leis de patentes. Não
teremos nem sequer a capacidade de salvar nossas próprias sementes.
(...)
A Monsanto tem permissão de fazer seus experimentos, mas não tem o
direito de invadir nossos cultivos. Os pássaros, vento, insetos e a
rápida troca de material genético pela dispersão de pólen e sementes de
plantas transgênicas da Monsanto, propiciam a expansão desta tecnologia
para outros locais.
A difusão da contaminação em cultivos orgânicos e convencionais causada
pelos transgênicos da Monsanto e de outras empresas do Agronegocio,
constitui uma atitude criminal e deve ser parada através do sistema
judiciário”, denunciou o agricultor Terry Kemmet. (...)
Farm News from Cropchoice, 09/10/01.
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos
não são solução para a agricultura
Urina de vaca dá excelentes resultados
no controle de pragas
Na década de 90, a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Estado
do Rio de Janeiro (Pesagro) iniciou pesquisas em busca de um produto
alternativo para o controle da fusariose (doença fúngica que ataca um
grande número de plantas cultivadas), dado que nenhum fungicida químico
apresentava controle satisfatório. Foram testados biofertilizantes,
vinhaça e outros produtos, sendo que a urina de vaca foi o único que
apresentou excelente nível de controle. Estudos comparativos também
revelaram que além de controlar a “gomose” do abacaxi, a urina
proporcionou o desenvolvimento de plantas mais vigorosas e sadias.
A prática de utilização de urina passou por um amplo processo de difusão
no meio rural. Em agosto de 1999, a ONG AS-PTA iniciou um intenso
trabalho de divulgação dos dados da Pesagro na região Centro-Sul do
Paraná. A iniciativa foi apoiada pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais
de São Mateus do Sul, que espalhou cópias do material com os resultados
da pesquisa pelas comunidades e os divulgou nos programas de rádio.
Também foram realizadas reuniões e dias-de-campo em comunidades. No
processo de disseminação do uso da urina de vaca leiteira, bem como de
outras práticas agroecológicas, funcionou o sistema boca-a-boca promovido
pelas famílias de agricultores.
No município de Irati-PR, a partir de trabalho dos
agricultores-promotores da região, a urina foi distribuída na feira livre
e usada nas hortas da Associação dos Alcoólicos Anônimos. O agricultor
Luiz Carlos Camilo, conta que aplicou urina em suas lavouras de feijão e
que o resultado foi similar ao de uma adubação de cobertura com
uréia.
No município de São Mateus do Sul, pelo menos 100 famílias utilizaram
urina de vaca em suas lavouras. Todos os agricultores que fizeram
experiências com a urina obtiveram bons resultados e a aprovaram.
Observaram que a urina de vaca possui efeito repelente a insetos e
resolve o problema das doenças do feijoeiro. Contaram ainda que houve
aumento de produtividades nas lavouras, fato que comprova o efeito
nutricional da urina de vaca.
José Licheski, um dos principais promotores da agricultura ecológica da
região, aplicou urina a 3% em uma lavoura de melão e observou que além de
repelir brocas, a urina afastou os gambás, que costumam causar grandes
prejuízos em sua lavoura.
Seu Guilherme Gurski da comunidade de Pinhalzinho, município de
Rio Azul, tem obtido resultados satisfatórios com a aplicação de urina
nas lavouras de tomate e morango. Ele observou que a urina atua tanto
como repelente de pragas quanto como adubo.
Uso e resultados da urina de vaca. In: A mesa de refeição é o
altar da família. AS-PTA- Paraná, Pastoral da Juventude Rural, Fórum das
Organizações dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do Paraná, Diocese
de União da Vitoria do Paraná, p.33-34.
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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta
pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): AS-PTA (coord.),
ESPLAR (coord.), GREENPEACE (coord.), IDEC (coord.), ACTIONAID BRASIL,
CECIP, CE-IPÊ, FASE e INESC.
Este Boletim é produzido pela
AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura
Alternativa
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"POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet
http://www.syntonia.com/textos/textosnatural/textosagricultura/apostilatransgenicos
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