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De:  Campanha Transgenicos <campanhatransg@uol.com.br>
Data:  Qui Out 4, 2001  12:59 pm
Assunto:  BOLETIM 84 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS

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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s Amig@s

As autoridades mexicanas concluem até o final do mês a investigação sobre o milho crioulo do estado de Oaxaca, que foi contaminado pela variedade transgênica StarLink. Porém, mesmo que  concluam que houve contaminação através da polinização pelo milho alterado geneticamente, o país terá pouco a fazer para proteger a saúde de sua população.

O Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta, que envolve o Canadá, o México e os Estados Unidos) garante que nenhuma legislação ambiental poderá cercear as atividades das multinacionais produtoras de sementes alteradas geneticamente.

A situação pela qual  passa o México dá bem a dimensão dos perigos que os organismos geneticamente modificados (OGMs) colocam para um país rico em biodiversidade como o Brasil. E, também, como tratados internacionais de liberalização comercial diminuem drasticamente a possibilidade de as autoridades nacionais protegerem a saúde de sua população.

No caso específico do México, a situação é particularmente grave. O milho é a base da
alimentação da parcela da população mexicana de origem indígena, assim como de todos os povos da América Central.

Como é de praxe em situações como essa, as autoridades garantiram que não há motivo para preocupação. O subsecretário de Agricultura assegurou que apronta até o final do mês o estudo da Comissão Intersecretarial de Biossegurança de Organismos Geneticamente Modificados (Cibiogem) para determinar a extensão da contaminação e que a riqueza genética do milho mexicano está assegurada pelo banco de germoplasma do Centro de Investigaciones de Maíz y Trigo e do Instituto Nacional de Investigaciones Forestales, Agrícolas y Pecuárias.

Porém, a semana que passou trouxe também notícias positivas. Segundo a Folha de
São Paulo Online, Luís Inácio Lula da Silva, que lidera as pesquisas de intenção de voto para a sucessão presidencial em 2002, informou que na viagem para contatos políticos, que faz agora na Europa, trata da formação de uma aliança internacional em torno de determinados temas. E um deles, citado por Lula e reproduzido pela FSP, é a oposição aos transgênicos globalmente.

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Neste número:

1. Propostas de rotulagem da comissão européia para os transgênicos, não recupera a confiança dos consumidores
2. Revés do governo aos transgênicos
3. Quase 50% do alimento orgânico da Dinamarca contaminado com transgênicos
4. Resistência de insetos aos transgênicos
5. Pragas resistentes ao algodão transgênico
6. É preciso responsabilidade para garantir a biossegurança
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Arrozais ecológicos aumentam produtividade

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1. Propostas de rotulagem da comissão européia para os transgênicos não recupera a confiança dos consumidores
O Conselho Europeu dos Ministros da Agricultura se reuniu para debater sobre os transgênicos. Nesta reunião, o comissário de agricultura, Frans Fischler e o comissário de saúde e proteção dos consumidores, David Byrne, apresentaram aos ministros as propostas da comissão para novas legislações sobre rastreabilidade e rotulagem dos alimentos para consumo humano e animal.
Por mais que seja positiva a proposta de acompanhar desde o campo até o prato e rotular todos os alimentos obtidos pela engenharia genética, parece que o “alto nível de proteção” defendido pelos comissários, não será alcançado, já que as propostas admitem uma “presença acidental” de traços de transgênicos, não aprovados pela União Européia, em uma proporção de 1% sem necessidade de rotulagem. Seria como dizer que de cem tomates, por exemplo, um poderia ser transgênico sem constar no rótulo.
O que significaria abrir a porta para uma contaminação generalizada, aonde o consumidor não poderá exercer sua liberdade de escolha. Aceitando a presença acidental, não se poderá conseguir a viabilidade de diferenciar duas linhas de produção separadas, uma com transgênicos e outra livre de transgênicos. Especialmente a agricultura ecológica terá dificuldade de se proteger da contaminação genética. Seguindo esta linha, seguramente as autoridades européias não conseguirão alcançar a confiança dos consumidores sobre os alimentos transgênicos.
Ayaba, 20/09/01. 

2. Revés do governo aos transgênicos
O governo não conseguiu mudar na Câmara Técnica do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) o prazo para definição dos critérios gerais de licenciamento e estudos de impacto ambiental para organismos geneticamente modificados no país.
 O secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Benjamin Sicsú, tentou, sem sucesso, fixar uma "data-limite" para encerrar os debates em torno dos critérios.
Contrárias à estratégia de parte do governo, as ONGs ambientalistas e de defesa do consumidor conseguiram adiar a decisão final para o início de novembro. O objetivo é impedir a liberação comercial da soja transgênica "Roundup Ready", da multinacional Monsanto, nesta safra, iniciada em setembro. A pedido do Greenpeace e IDEC, uma liminar da 6ª Vara da Justiça Federal de Brasília proíbe a liberação da soja desde 1998.
Argumentando dificuldade em obter um consenso sobre as normas, o governo quer levar as discussões em torno do tema para o plenário do Conama, onde espera aprovar regras mais brandas para os organismos modificados.
Na reunião, voltou-se a discutir o poder da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) de dispensar a realização de EIA-Rima (estudos e relatórios de impacto ambiental) para transgênicos. (...)
 Valor Econômico, 2/10.

3. Quase 50% do alimento orgânico da Dinamarca contaminado com transgênicos
Em 31 de julho as autoridades dinamarquesas  revelaram a presença de transgênicos em vinte das quarenta amostras de alimento orgânico testadas. Doze amostras continham traços de componentes de transgênicos e sete continham mais de 0,1% de transgênicos, uma das amostras continha 100% de contaminação.
Estas sete amostras provinham de duas empresas que terão que pagar multa por violação da legislação dinamarquesa sobre agricultura ecológica. Outras empresas, cujas amostras continham traços de menos de 0,1%, receberam uma advertência das autoridades competentes, sendo determinada maior cautela no futuro.
Boletin (OGM) Amigos de la Tierra, nº 20, setembro de 2001.

4. Resistência de insetos aos transgênicos
Existem mudanças no DNA introduzidas pelo meio ambiente; estas mudanças são hereditárias e afetam as células germinais. Entre os introdutores destas mudanças estão os praguicidas, fertilizantes, antibióticos e outros químicos.
De acordo com a cientista Mae-Wan Ho, em um meio rico em antibióticos, as bactérias podem incrementar a taxa de evolução especificamente daqueles genes que lhes conferem resistência a antibióticos. (...)
Descobriu que esta habilidade de desenvolver resistência a medicamentos ou outras substâncias hostis é comum a todas às células: bactérias, fungos, plantas e animais. O desenvolvimento de resistência aos inseticidas funciona de maneira similar no caso das pragas agrícolas.
Com a chegada dos cultivos transgênicos, e à luz de novas descobertas no campo da engenharia genética, o tema resistência é preocupante. Nos cultivos comerciais que existem até o momento, é preocupante também o uso de marcadores genéticos de resistência a antibióticos e o desenvolvimento de plantas inseticidas que podem desencadear uma resistência das pragas às toxinas introduzidas em um ritmo muito rápido.
Boletin (OGM) Amigos de la Tierra, 24/09/01.
 
5. Pragas resistentes ao algodão transgênico
Foi gerado um alarme em torno dos cultivos industriais de algodão de que os insetos estão se tornando resistentes ao algodão transgênico Ingard. O Departamento de Agricultura esteve monitorando os cultivos e descobriu que há um notório incremento na sobrevivência da larva dos insetos, o que indica que estas são menos suscetíveis ao gene Bt de Ingard.
O chefe da Plant Industries, Dr Lindsay Cook, disse que se a resistência foi gerada a partir de um gene somente, a tecnologia que utiliza dois genes, que possivelmente estará disponível dentro de cinco anos, pode também representar um risco.
O Dr. Lindsay Cook disse que as pragas têm a possibilidade de desenvolver resistência em algodão com dois genes, porque o inseto sofre mutação para desenvolver resistência aos dois genes separados. Enquanto havia um aumento na resistência de um só gene, no algodão com dois genes pode ficar um gene útil o que é preocupante. Quer dizer, este é um sinal de alerta que as indústrias necessitam para obter uma  nova visão sobre as estratégias de resistência.
Australian Broadcasting Corporation, 20/08/01.

6. É preciso responsabilidade para garantir a biossegurança
Um novo relato mundial  sobre contaminação com transgênicos mostra a necessidade urgente de uma ratificação do Protocolo de Biossegurança e para a criação de um regime de responsabilidade o mais breve possível.
A organização Amigos da Terra internacional, insiste com os governos que no próximo encontro de Biossegurança  das Nações Unidas em Nairobi, seja elaborado um novo Protocolo de Biossegurança. Esta responsabilidade será discutida  no próximo Comitê Intergovernamental de Cartagena, para o qual a Amigos da Terra está preparando um relatório sobre as contaminações com transgênicos no mundo. O relatório intitulado “Transgênicos ao redor do mundo”, fornece mais evidências sobre os impactos da transferência ilegal dos genes de transgênicos.
No momento não existe uma regra internacional e apenas poucas nacionais de responsabilidades e reformulação sobre os transgênicos.
“A contaminação dos transgênicos se tornou o cavalo de Tróia das indústrias de biotecnologia. Sem um regime correto, as responsabilidades pelos danos causados pelas contaminações serão mais freqüentes, e as vítimas não serão os criadores dos transgênicos e sim o ambiente, a saúde e a economia”, disse Larry Bohlen da Amigos da Terra nos EUA. (...)
“Um sistema justo será um incentivo para as indústrias de biotecnologia serem mais cuidadosas com os cultivos produzidos e com a agressiva forma de comercialização destes produtos”, completou Bohlen.
Os custos da compensação dos danos causados pelo milho StarLink, caso mais selvagem de contaminação com transgênicos, não autorizado para o consumo humano em todo o mundo, foi estimado em um bilhão de dólares. Um ano após a contaminação com o StarLink, agricultores e importadores querem saber quem pagará os custos dos testes de rastreabilidade de contaminações com transgênicos. (...)
Friends of the Earth, 28/09/01.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Arrozais ecológicos aumentam produtividade
Em um resultado surpreendente, agricultores chineses que cultivam arroz dobraram a produção e praticamente eliminaram a doença mais devastadora sem usar química ou gastar um centavo a mais.
Liderados por uma equipe internacional de cientistas, camponeses da província de Yunnan implantaram uma mudança simples em seus arrozais. Em vez de plantarem um único tipo de arroz, como sempre fizeram, eles plantaram fileiras intercaladas com dois tipos diferentes de arroz. Com isso, os agricultores restringiram radicalmente a incidência da brusone, doença causada por fungo. Em dois anos, os agricultores puderam abandonar os fungicidas químicos.
“Não me surpreendi que o sistema funcionasse, mas sim que funcionasse tão bem”, disse Christopher Mundt, biólogo da Oregon State University e um dos autores do estudo, publicado em agosto na revista Nature. Youyong Zhu, patologista da Universidade de Agricultura de Yunnan, orienta a maioria dos cientistas chineses envolvidos no estudo, que abrange dezenas de milhares de agricultores.
Vários pesquisadores defendem há tempos que plantar tipos variados de um vegetal levaria a benefícios na produtividade e à supressão de doenças, se comparado às monoculturas.
A hipótese por trás do estudo, o mais recente relacionado aos efeitos da biodiversidade, é simples. Se uma variedade de vegetal é suscetível a uma doença, quanto mais concentrada ela estiver, mais facilmente a doença pode espalhar-se. Mas essa disseminação fica mais difícil se as plantas suscetíveis forem separadas por outros tipos de plantas que resistem à moléstia e podem atuar como uma barreira.
O fungo da brusone move-se de planta a planta como um esporo aéreo e seria bloqueado facilmente por uma fileira de vegetais resistentes à doença.
O simples fato de que a brusone é a mais devastadora doença do arroz já tornaria o estudo importante. Mas, segundo cientistas entrevistados, não há razão para que a tática usada na China não funcione em outras culturas, embora não se saiba qual seria a eficiência nesses casos.
“Tem havido uma considerável pressão por parte das indústrias de agrotecnologia para vender sementes de vegetais geneticamente alterados e vegetais geneticamente homogêneos que tenham um desempenho realmente bom”, disse Shahid Naeem, ecologista da Universidade de Washington. “Mas o que realmente importa nesse estudo é que ele mostra como perdemos de vista o fato de que existem algumas coisas simples que podemos fazer no campo para controlar as colheitas.”
O Estado de São Paulo, 02/10/00.

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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): ESPLAR (coord.), GREENPEACE (coord.), IDEC (coord.), ACTIONAID BRASIL, AS-PTA, CECIP, CE-IPÊ, FASE e INESC.

Este Boletim é produzido pela AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa

=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet

http://www.syntonia.com/textos/textosnatural/textosagricultura/apostilatransgenicos

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