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De:
Campanha Transgenicos <campanhatransg@uol.com.br>
Data: Sex Ago 17, 2001 5:51
pm
Assunto: BOLETIM 77 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s Amig@s
Uma enorme bomba foi revelada esta semana por um grupo de cientistas
belgas.
A soja transgênica Roundup Ready (RR), da Monsanto, contém um
fragmento de DNA estranho, cuja origem é desconhecida.
O estudo, publicado esta semana no European Journal of Food Research
Techonology, mostra que o trecho de 534 pares de bases identificado
não é nativo de soja.
Os cientistas apontam duas hipóteses para explicar o fato. A primeira
sugere que, ao se inserir os genes de interesse, uma parte do DNA da soja
tenha se desordenado ou re-arranjado, resultando no “novo gene”. Outra
hipótese sugere que uma parte do genoma da soja tenha sido apagado,
deixando, próximo ao lugar de inserção, o fragmento estranho.
Seja qual for a resposta, o fato é que nada se sabe sobre esse novo
fragmento e sua possível função. Ele pode, por exemplo, codificar uma
proteína nova. Não se sabe. Sabe-se, porém, que a soja RR apresenta
alterações funcionais também inexplicáveis, como diferentes níveis de
fitoestrógeno, se comparados com os da soja não transgênica, e o aumento
do teor de lignina, que a torna mais sensível às altas temperaturas,
reduzindo a produtividade.
Um aspecto importante destas descobertas é que fica mais fácil deixar
claro para a população “leiga” o quanto é crua e imprecisa essa
tecnologia.
Esta foi a segunda vez que a Monsanto foi obrigada a admitir às
autoridades reguladoras que não conhece o produto que desenvolveu e
comercializa.
No ano passado o mesmo grupo de cientistas belgas identificou na soja RR
dois fragmentos extras do gene bacterial inserido. Na época a Monsanto
foi obrigada a informar o fato às autoridades e concluiu que os dois
fragmentos extras eram inócuos.
Jerry Hjelle, vice-presidente da Monsanto para assuntos regulatórios,
declarou que o novo gene inesperado foi encontrado porque, pela primeira
vez, técnicas mais sensíveis tornaram possível determinar a seqüência de
DNA próximo aos genes inseridos. “Na medida em que os métodos se
aperfeiçoam, podemos encontrar coisas de uma perspectiva mais detalhada
do que poderíamos há dez anos”, disse ele.
Ou seja, pode-se ainda encontrar muito mais “coisas estranhas”...
Um reflexo imediato à nova descoberta verificado nos EUA esta semana foi
a queda de 2,6% da soja americana na bolsa de Chicago. Os traders
estão temendo um “novo fenômeno StarLink”. Para quem não se lembra, o
StarLink, da empresa Aventis, é um milho transgênico modificado para
matar lagartas que não foi aprovado para consumo humano nem nos EUA. No
segundo semestre de 2000 descobriu-se que ele havia contaminado toda a
cadeia produtiva e centenas de alimentos industrializados nos EUA. Foi um
escândalo internacional que provocou, entre outras conseqüências, uma
enorme queda nas exportações americanas de milho.
A Campanha “Por um Brasil livre de transgênicos” já havia solicitado à
Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) a revisão do processo
que liberou a soja RR para cultivo comercial no Brasil (hoje embargada
pela justiça). O processo apresenta inúmeras falhas, tanto técnicas como
de procedimento. Ésper Cavalheiro, presidente da CTNBio, recentemente
declarou haver revisado o processo, que lhe pareceu “perfeito”.
Parece-nos evidente, agora, que o processo não tem valor, pois avaliou um
produto que não existe -- o novo fragmento de DNA não foi
considerado.
Finalmente, como vimos alertando, quanto mais se pesquisa, mais problemas
aparecem!
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Neste número:
1. O Brasil rouba mercado americano nas exportações de milho
2. Deputados americanos vão tentar quebrar patentes de transgênicos
3. Caem em 59% as exportações de soja americana para a Coréia
4. Sementes Bt podem perder o registro nos EUA
5. Remédio da Bayer causa morte de 52 pessoas
Sistemas agroecológicos mostram que
transgênicos não são solução para a agricultura
A experiência cubana com agropecuária
ecológica
Eventos:
Feiras
de Sementes Crioulas no Paraná
Bioconstruindo 2001
Manejo Sustentável da água
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1. O Brasil rouba mercado americano nas exportações de milho
“As exportações de milho do Brasil este ano aumentaram em 1,7
milhões de toneladas métricas, competindo diretamente com os produtores
norte-americanos de milho” disse Dan McGuire, diretor do programa da
Associação Americana de Produtores de Milho (ACGA, na sigla em
inglês).
A ACGA está questionando muito seriamente a política de empurrar a
biotecnologia aos clientes internacionais ao ver cair de forma contínua
os preços que o mercado internacional paga aos seus produtores.
“A AGCA acredita que se deve uma explicação aos milhares de produtores
norte-americanos a quem se aconselhou acreditar nesta tecnologia e que
agora vêem cair seus preços aos níveis mais baixos da história, enquanto
outros países exploram a vulnerabilidade dos EUA e roubam seus clientes
internacionais um a um”, disse Larry Mitchell, da ACGA. O programa
“Farmer Choice-Customer First” da ACGA está disponibilizando aos
produtores norte-americanos informações relativas às perdas de mercado
internacional devido aos transgênicos, à responsabilidade legal pela
contaminação por polinização cruzada e às limitações inerentes à
segregação no campo. O programa fornece informação objetiva e propõe aos
agricultores que tomem decisões embasadas sobre que variedades plantar. O
programa da ACGA incentiva os produtores a estudar os prós e contras da
biotecnologia agrícola e seus impactos potenciais nos mercados.
Agropecuaria y Ambiente MERCOSUR Boletín 31, agosto /
2001.
2. Deputados americanos vão tentar quebrar
patentes de transgênicos
Dois legisladores do estado de Indiana, de diferentes
tendências políticas, estão se unindo para propor a criação de leis que
garantam que os agricultores não sejam prejudicados pelas empresas de
sementes.
Os representantes do estado F. Dale Grubb, do partido democrata, e Bill
Friend, do partido republicano, planejam apresentar propostas que
permitam que os agricultores possam conservar sementes transgênicas para
futuras plantações, ficando isentos de pagar taxas (de patentes) pela
obtenção da tecnologia para as empresas de sementes.
Grubb e Friend, ambos agricultores e membros do Comitê de Agricultura,
Recursos Naturais e Desenvolvimento Agrícola do estado, estão buscando
outros representantes que os apoiem antes de entrar com os recursos
legislativos em janeiro.(...)
“Os agricultores devem ter o direito de cultivar em safras posteriores
qualquer semente produzida comercialmente. Este direito não pode
ser prescindido por nenhum contrato”, disse Grubb.
Indiana é um importante produtor de milho e soja. (...)
Tanto Grubb como Friend estão cientes do poder que possuem as empresas de
sementes, mas dizem que estão prontos para assumir este desafio.
(...)
Friend disse que a Monsanto cobra uma taxa de US$ 6,50 por saca de 50
libras de sementes de soja. “A maioria dos agricultores acha que uma vez
pagando pela semente e pela taxa tecnológica, eles deveriam ter algo mais
que um simples contrato de aluguel”, disse ele.
Reuters, 2/07/01.
3. Caem em 59% as exportações de soja
americana para a Coréia
Importações de soja dos EUA, onde se produz transgênicos em
larga escala, caíram em 59% nos primeiros cinco meses de 2001, disse na
última semana o Ministro de Agricultura e Florestas da Coréia.
No período relatado as importações de soja da China aumentaram em 16%.
(...)
O total de soja importada de janeiro a maio alcançou um recorde de queda,
tendo sido 23% menor do que o mesmo período do ano passado.
O aumento das importações de soja da China se deve principalmente à
preferência do mercado coreano pela soja chinesa, pois a China produz
soja não transgênica. Em março último entrou em vigor um novo regulamento
que requer que os produtos que contenham ingredientes geneticamente
modificados sejam rotulados.
Digital Korea Herald, 04/08/01.
4. Sementes Bt podem perder o registro nos
EUA
As ONGs que atuam no movimento contra os transgênicos nos EUA
estão articulando uma campanha de envio de mensagens à Agência de
Proteção Ambiental (EPA, na sigla em inglês) do governo americano,
pedindo que o registro para os cultivos transgênicos Bt, que apresentam
propriedades inseticidas, não seja renovado.
A EPA está avaliando se essas sementes devem continuar a ser plantadas
nos EUA. A permissão para esses cultivos expira em 2001 e a agência
precisa decidir em breve se os agricultores poderão ou não -- e sob quais
condições -- plantar lavouras Bt de 2002 em diante.
Entre os argumentos apresentados pelo movimento estão os riscos que os
cultivos Bt representam para os insetos não alvo (que não são pragas
agrícolas), o risco deles causarem reações alérgicas em seres humanos, o
fato deles contaminarem lavouras orgânicas e convencionais e o fato dos
cultivos Bt levarem à perda de eficácia dos extratos naturais de Bt,
usados na agricultura orgânica para controle de pragas.
Genetic Engineered Food Alert (GEFA), 14/08/01.
5. Remédio da Bayer causa morte de 52
pessoas
O laboratório farmacêutico alemão Bayer anunciou ontem que o
medicamento Lipobay, contra o excesso de colesterol e à base de
cerivastatina, provavelmente foi o responsável pela morte de 52 pessoas.
O balanço da Bayer sobre o medicamento, que foi retirado do mercado
mundial na semana passada, é superior ao anunciado antes por autoridades
sanitárias que contabilizaram 31 mortes nos Estados Unidos, três na
Espanha, provavelmente seis na Alemanha e um possível caso na França.
(...)
Segundo Manfred Schneider, diretor da Bayer, a retirada do medicamento de
circulação vai causar à empresa um prejuízo de mais de US$ 500 milhões.
Pacientes que usaram o Lipobay morreram depois de desenvolverem uma
doença chamada rabdomiólise, que se caracteriza pela falência das células
musculares, podendo levar à insuficiência renal e infecções. Os sintomas
incluem dores musculares, fraqueza, febre, urina escura e vômitos. A
Bayer acredita que a combinação da cerivastatina do Lipobay com outro
medicamento chamado gemfibrozil potencializou as reações adversas. A
droga era vendida no Brasil desde 1998 (com o nome “Baycol”). Sabe-se que
seis brasileiros reagiram mal ao medicamento.
Jornal do Brasil, 14/08/01.
O grupo farmacêutico alemão Bayer justificou neste sábado sua
política de informação em relação à retirada do mercado mundial do
medicamento contra o colesterol Baycol/Lipobay, muito criticada pelos
médicos.
“Infelizmente, prevenir em primeiro lugar grupos como médicos,
farmacêuticos e pacientes não foi possível por não podermos ir contra o
regulamento da Bolsa”, declarou o grupo em comunicado.
No meio médico europeu, a política informativa da Bayer também foi
criticada, que privilegiou a lógica do mercado em detrimento da
informação que deveria ser fornecida aos profissionais de saúde e
consumidores. (...)
Agence France Presse, 14/08/01.
N.E. É esta mesma lógica que orienta as empresas produtoras de
sementes transgênicas: questões de mercado impedem que se evite
contaminação e/ou morte de seres humanos.
É importante também notarmos o quão precárias são as avaliações feitas
pelos órgãos que autorizam a liberação comercial de medicamentos (nos
EUA, é o FDA, o mesmo órgão que [não] avaliou a segurança dos alimentos
transgênicos).
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos
não são solução para a agricultura
A experiência cubana com agropecuária
ecológica
Os pecuaristas cubanos se viram, da noite para o dia, diante
de um grande desafio: converter sua produção em grande escala,
especializada e altamente dependente de insumos externos, em
agrossistemas diversificados, integrados, auto-suficientes e de menor
escala. Até então, graças a um vantajoso comércio, Cuba adquiria dos
países socialistas os insumos necessários para sustentar sua produção
agrícola. Este esquema de intercâmbio criou uma grande dependência e
conduziu à degradação dos solos, devastação das florestas e contaminação
das águas.
No início dos anos 90, quando se instaurou a grande crise econômica
cubana, o governo percebeu a necessidade de recorrer a tecnologias
alternativas como uma saída para a crise. Desde então os institutos de
pesquisa agropecuária adotaram uma concepção de sistema integrado de
práticas de manejo como alternativa aos sistemas especializados de
produção de leite.
Em 1994 foi implantado um projeto de promoção e difusão de sistemas
integrados pecuários, voltados à agricultura em pequena e média escala,
atendendo às principais regiões pecuárias do país. Além de áreas
experimentais, investiu-se na capacitação de difusores, que iniciaram um
projeto de extensão participativa e trabalho prático para a introdução de
conceitos de produção integrada. Cada área implantada teve seu próprio
planejamento, adequado às condições locais e baseado em diagnóstico
prévio da topografia, clima, espécies de planta, animais e preferências
dos produtores.
O projeto chamou a atenção para a importância de se integrar a pecuária à
agricultura de base agroecológica. Constatou-se que a concepção
agroecológica favorece a criatividade e o entusiasmo no trabalho
agrícola, podendo estar relacionada com uma melhora na economia e na
tomada de decisões dos agricultores.
A inclusão de cultivos na pecuária estimulou as famílias de pecuaristas
promovendo a auto-suficiência alimentar e o aumento da disponibilidade de
subprodutos para a alimentação animal.
A divulgação destes resultados e sua apropriação por parte dos
agricultores, professores, técnicos e pesquisadores, assim como a
participação das comunidades, são importantes para uma mudança de
mentalidade na agricultura que promova a integração pecuária-agricultura
e a prática de sistemas mais eficientes de produção a partir do baixo uso
de insumos externos, sustentáveis e em equilíbrio com a natureza e com os
seres humanos.
Marta Monzote, et al. Unir en un
todo coherente: una opción sustetable y produtiva. Boletín ILEIA,
fundación ILEIA, abril 2001 vol.16 nº4, pg. 12-13.
Eventos:
Feiras de
Sementes Crioulas
A
AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa - e
o Fórum das Organizações dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais do
Centro-Sul do Paraná desenvolvem um amplo programa de manejo
sustentado da agrobiodiversidade com envolvimento direto de
aproximadamente 10 mil famílias na região Centro-Sul do Paraná.
A
realização das Feiras de Sementes está em franca atividade e configura-se
como um momento privilegiado de livre intercâmbio de sementes e outros
materiais propagativos entre as famílias. Nas feiras, um misto de
celebração e festa revigora os valores místicos e sagrados das sementes e
a vocação de ser agricultora e agricultor, fortalecendo os laços de
solidariedade e comunhão entre as famílias, concretizado na oferta e na
partilha das sementes que cada um conserva e usa em sua propriedade. As
feiras são também um momento vivo e de forte expressão da importância da
agricultura familiar a serviço da conservação e do melhoramento do
patrimônio genético do país.
Calendário das Feiras - Paraná - 2001
19 de agosto - São João do Triunfo
19 de agosto - Irati
25 de agosto - Palmeira
08 de setembro - Rebouças
16 de setembro - Cruz Machado
16 de setembro - Bituruna
23 de setembro - Feira Regional São Mateus do Sul
* Municípios que estão para definir as datas das feiras: Rio Azul, União
da Vitória, Porto Vitória, Porto União, Lapa e Antônio Olinto.
Maiores Informações - AS-PTA Paraná:
E-mail: aspta@net-uniao.com.br
Telefone: (42) 523 4074.
Eventos programados pelo o IPEC -
Instituto de Permacultura e Ecovilas do Cerrado Pirenópolis, GO -
2º semestre de 2001:
Bioconstruindo 2001 - 10 a 14 de outubro
Múltiplas oficinas práticas, exposições, intercâmbios, slides,
conferências e demonstrações do que há de mais avançado em
bioarquitetura, permacultura, tecnologias apropriadas e comunidades
ecológicas no Brasil e no mundo.
Preço do curso: R$ 490,00 (alimentação
incluída).
Para cada inscrição, você ganha uma bolsa para o curso de Água (só
paga a alimentação).
Manejo Sustentável da ÁGUA - 7 a 9 de setembro (24 horas/aula)
Preço do curso: R$150,00 (alimentação
incluída)
Para maiores informações e inscrições, entre em contato com
IPEC: ipec1@terra.com.br (62)
331-1529
Em Brasília: (61) 468-8467 (Alice) ou (61) 327-0436/922-3228 (Adriana)
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A Campanha "Por um Brasil livre de transgênicos" é composta
pelas seguintes Organizações Não Governamentais (ONGs): ESPLAR (coord.),
GREENPEACE (coord.), IDEC (coord.), ACTIONAID BRASIL, AS-PTA, CECIP,
CE-IPÊ, FASE e INESC.
Este Boletim é produzido pela
AS-PTA - Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura
Alternativa
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