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De:
Campanha Transgenicos <campanhatransg@uol.com.br>
Data: Sex Jul 13, 2001 10:06
am
Assunto: BOLETIM 73 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s Amig@s
É assustadora a ofensiva que vem sendo feita, nos mais diversos espaços,
em favor dos transgênicos (ou da “moderna biotecnologia”).
Todos já devem ter lido, em algum dos diversos jornais brasileiros (de
Brasília, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul...) artigos,
bem escritos, diga-se de passagem, de Nida Coimbra, exaltando os
transgênicos como única esperança para um mundo feliz e saudável e
acusando seus críticos de obscurantistas da Idade Média. O “grande lance”
deste caso é que Nida assina como ex-conselheira do Conama (Conselho
Nacional do Meio Ambiente / MMA) e do Conselho Nacional de Recursos
Hídricos e consultora ambiental. Só não diz que é “consultora ambiental”
da empresa E.labore, de Assessoria Estratégica em Meio Ambiente,
que tem a Monsanto como cliente desde 1999.
Este mês a revista Globo Rural traz encartada a segunda cartilha
sobre “o maravilhoso mundo da biotecnologia”, direcionado a estudantes do
ciclo médio. O material é bem produzido, de tiragem gigantesca.
Mais impressionante que os dois exemplos acima (quase incompreensível,
para falar a verdade): o último número da revista Caros Amigos
traz um estranhíssimo artigo que, a pretexto de esclarecer o que está por
trás da discussão, afirma (a partir de informações completamente
equivocadas) que os transgênicos são inofensivos e que “a engenharia
genética nada mais é do que a apropriação pelo homem de um processo que a
natureza realiza espontaneamente, mediante hibridização entre espécies”.
Francamente!! Onde passaram, no mínimo, o rigor e a fidelidade aos
fatos?
Ampliando para uma perspectiva internacional, temos que a ONU acaba de
divulgar seu Relatório de Desenvolvimento Humano 2001, do Programa das
Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), defendendo o uso de
transgênicos para combater a fome nos países em desenvolvimento. O
documento argumenta que as discussões sobre os organismos geneticamente
modificados que estão ocorrendo nos EUA e na Europa -- cada vez mais
atentos aos riscos ambientais e à saúde que esses produtos representam --
ignoram as necessidades dos países pobres. E justifica a afirmação
repetindo a propaganda enganosa das multinacionais, de que os
transgênicos seriam mais produtivos, baratos e nutritivos.
Já não faltam dados, inclusive oficiais do governo americano, que
demostram que os transgênicos não são mais produtivos (a soja
transgênica, por exemplo, é em média 4% menos produtiva que a soja
convencional) e nem usam menos agrotóxicos (a mesma soja usa em média 11%
- chegando a 30% - mais herbicidas). A própria Associação Americana de
Produtores de Milho já declarou, mais de uma vez, que economicamente os
transgênicos são um desastre, principalmente considerando as crescentes
dificuldades que se vêm encontrando para exportá-los. E simplesmente
nenhum transgênico existente no mercado é mais nutritivo que seu
equivalente convencional. Já discutimos, no
Boletim 51, a grande armação do Arroz
Dourado, o único “transgênico nutritivo” já desenvolvido.
O relatório da ONU também defende a ajuda internacional para programas de
aplicação de DDT -- pesticida altamente tóxico, proibido em quase todos
os países do mundo por ser cancerígeno e provocar distúrbios hormonais,
interferir na lactação e causar má-formação de bebês -- nos países pobres
por ser o “único instrumento de custos suportáveis” no combate à
malária.
O PNUD prestaria muito mais serviço à sociedade e especialmente aos
países em desenvolvimento se sugerisse investimentos e pesquisas para o
desenvolvimento rural local e regional e o desenvolvimento da agricultura
familiar e da agroecologia, que certamente são meios muito mais baratos,
eficientes e seguros para a conquista da segurança alimentar e da
diminuição da pobreza. Afinal, a própria ONU admite que há hoje alimento
suficiente para alimentar o mundo inteiro em uma vez e meia, o que falta
é a distribuição.
Só para não desanimarmos, por outro lado também são cada vez mais
freqüentes, em diversos meios de comunicação, as notícias que falam do
sucesso da agricultura e dos alimentos ecológicos e orgânicos. Este sim é
um campo (e um mercado) promissor que conquista, sem parar, mais e mais
adeptos e simpatizantes.
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Neste número:
1. Continuam aumentando as exportações de soja não-transgênica para a
Europa
2. Não será fácil para o Mercosul vender transgênicos para a Europa
3. Ação civil pede rotulagem em SP
4. Itália bane leite de soja transgênica para bebês
Sistemas agroecológicos mostram que
transgênicos não são solução para a agricultura
Produção agroecológica de frutas
Transgênicos no rádio
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1. Continuam aumentando as exportações de soja não-transgênica para a
Europa
A decisão de grandes redes de varejo do Reino Unido de
comercializarem apenas carnes provenientes de animais alimentados com
ração sem ingredientes transgênicos pode fazer do Brasil o principal
fornecedor de farelo de soja para os ingleses. A avaliação é de Tony
Ruane, gerente de desenvolvimento da área de carnes da rede Asda, do
Reino Unido, que participou em São Paulo de seminário sobre certificação
de produtos não-transgênicos.
A Asda, do grupo Wal-Mart, bem como outra gigante, a Tesco, exige que os
fornecedores de carnes usem farelo certificado não-transgênico nas
rações. Esmagadoras brasileiras com produção certificada já estão
vendendo para criadores britânicos de frango, como a GrampianFoods.
Para Ruane, a demanda por farelo não-transgênico no Reino Unido e na
Europa é crescente em função da exigência dos consumidores. Assim,
acredita ele, a demanda britânica, que é de 1,25 milhão de toneladas,
poderia ser atendida pelas empresas brasileiras com produção certificada.
(...)
Valor Econômico, 10/07/01.
2. Não será fácil para o Mercosul vender
transgênicos para a Europa
"Nos próximos dez anos a Europa vai comer somente
produtos não-transgênicos." A frase, pronunciada sexta-feira pela
chefe da delegação da União Européia no Uruguai e no Paraguai, Stela
Zervoudaki, dá a dimensão do conflito que a comercialização de alimentos
modificados geneticamente vai gerar na negociação de um acordo comercial
entre europeus e Mercosul.
Os países do bloco latino-americano afirmam que a exigência da UE de
rotulagem de produtos transgênicos é uma barreira não-tarifária, que deve
ser discutida no âmbito do acordo. Para os europeus, trata-se de uma
questão de saúde pública, que ganhou importância depois da crise da vaca
louca. (...)
No Brasil, o cultivo de produtos transgênicos está suspenso por decisão
judicial. Mas há interesse do governo de modificar essa decisão e
permitir a plantação desses alimentos. A posição oficial é deixar ao
produtor a possibilidade de escolher entre plantio orgânico,
não-transgênico e transgênico. (...)
Mas as declarações de Zervoudaki indicam que será difícil convencer os
europeus. Segundo ela, a crise da vaca louca revelou o risco da adoção de
determinadas alterações produtivas e colocou em evidência a necessidade
da teoria da "prudência" em termos científicos.
Por esta teoria, é necessário esperar mais tempo (ao menos dez anos) para
conferir o efeito de mudanças. Zervoudaki afirma que parte da comunidade
científica afirmava há dez anos que a adoção de farinha animal para
alimentar gado poderia ter conseqüências para o homem. Os argumentos não
foram levados em conta e, dez anos depois, apareceu o mal da vaca louca,
diz.
Valor Econômico, 09/07/01.
(...) A questão dos transgênicos, que envolve interesses milionários,
foi discutida há poucos dias, em Brasília entre a embaixadora da Comissão
Européia (Stella Zervoudaki) e o Ministro da Agricultura, Marcus Vinicius
Pratini de Morais. "Se o Brasil quer plantar transgênicos que o
faça, mas não os venda ao mercado europeu", disse ela. (...)
Gazeta Mercantil, 10/07/01.
3. Ação civil pede rotulagem em SP
O procurador do Estado em Campinas Enio Moraes da Silva, 36,
entrou anteontem com uma ação civil pública na 12ª Vara da Fazenda
Pública, em São Paulo, solicitando que nove empresas cumpram a lei
10.647, de 1999, que prevê a rotulagem de produtos geneticamente
modificados.
A lei estadual determina que os rótulos dos produtos que contenham
transgênicos tragam essa informação de maneira clara. Não há lei federal
sobre o assunto.
Além da medida que pede o cumprimento imediato da lei, Silva entrou com
um pedido de liminar para que os produtos com transgênicos sem rótulos
sejam recolhidos das lojas.
Caso seja atendido o pedido de liminar, as empresas terão 30 dias para
retirar os produtos. A decisão deve sair na próxima semana.
No documento, o procurador cita nove empresas que tiveram traços de soja
transgênica detectados em lotes de determinados produtos por um teste
encomendado pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor.
Folha de São Paulo, 07/07/01.
4. Itália bane leite de soja transgênica
para bebês
A Itália baniu o uso de leite artificial de soja geneticamente
modificada. O decreto já passou pelo Ministério da Indústria e passará a
valer a partir de sua publicação na Gazeta Oficial, nos próximos
dias.
A Itália aprovou este decreto como medida de precaução, dando seguimento
à medida de 1999 que proíbe a utilização de transgênicos em alimentos
infantis.
Enquanto isso, o país está oferecendo aos consumidores uma checagem em
tempo real de informações sobre a rotulagem de produtos vendidos como
orgânicos. Os consumidores podem obter maiores informações pelos sites
http://www.bioagricert.org
e http://www.transparente-ceck.com. (...)
A Itália lidera a União Européia na produção orgânica, tanto em área (estimada em 1 milhão de hectares), como em número de empresas envolvidas no setor (mais de 50.000).
Por Hilmi Toros, correspondente da just-food.com
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Produção agroecológica de frutas
No município de Porto União, norte de Santa Catarina, vem sendo realizado um programa de transição da agricultura convencional para a agroecologia, incentivado pelos trabalhos do produtor Aires Niedzielski, do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da região e do Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (CEPAGRI). Este trabalho vem trazendo inúmeros resultados como a criação de uma associação de produtores de frutas ecológicas.
Em pouco mais de um ano de funcionamento já são 20 famílias envolvidas, principalmente jovens, todas com o pomar desenvolvido ou em fase de plantio. O produto predominante é o pêssego, com mais de mil árvores já plantadas. Existem alguns sócios que estão investindo em laranja e caqui. O objetivo dos sócios é ambicioso. No começo eles pretendem implantar uma pequena indústria de transformação para agregar maior valor aos produtos e melhor aproveitar a produção.
De acordo com um dos membros da associação, o grupo estabeleceu alguns critérios rígidos para seguir. Por exemplo, todos devem produzir sem agrotóxicos, todos devem fazer um trabalho de recuperação dos solos, a aquisição das mudas e dos insumos deve ser feita em conjunto, os produtos in natura inicialmente deverão ser comercializados de forma conjunta e mais adiante será implementada uma pequena indústria de transformação coletiva. “Nós precisamos destas regras porque o consumidor quer a garantia de que o produto é agroecológico”, explica Aluir Freislieber, outro jovem associado.
Alguns pomares de pêssego já produziram nesta última safra. Mas a maioria está fazendo um trabalho para melhorar as condições dos solos e também o manejo do pomar que foi implantado há pouco tempo.
Produtores de frutas ecológicas. In: Agroecologia em Santa Catarina. Lages: Centro Vianei de Educação Popular, n 1, outubro de 1996, p. 20.
Transgênicos no rádio
A Rádio Eldorado AM, de São Paulo, tratará da questão dos transgênicos no programa Terra, Mar e Ar no próximo fim de semana.
O programa, que vai ao ar no sábado (14/07) às 14:00 h e às 24:00 h e no domingo (15/07) às 9:00 h, conta com a participação de Mariana Paoli, coordenadora da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace, e Flavia Londres, agrônoma e assessora da ONG AS-PTA (Assessoria e Serviços a Projetos em Agricultura Alternativa) e da Campanha “Por um Brasil livre de transgênicos”.
Você pode acompanhar pela Internet através do endereço www.radioeldorado.com.br, AM.
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