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De:  Campanha Transgenicos <campanhatransg@uol.com.br>
Data:  Sex Jun 29, 2001  5:56 pm
Assunto:  BOLETIM 71 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS

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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s Amig@s

Na última quarta-feira a Campanha “Por um Brasil livre de transgênicos” foi recebida por Esper Cavalheiro, presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio / Ministério de Ciência e Tecnologia), em Brasília.
Desde que Esper assumiu a presidência da Comissão, em março deste ano, a Campanha vem cobrando a abertura ao diálogo e a revisão de diversos procedimentos que vinham sendo conduzidos pelas duas gestões anteriores.
Estiveram presentes na reunião, representando a Campanha, o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) e o Inesc (Instituto de Estudos Sócio-Econômicos), além de alguns assessores. A reunião foi avaliada como bastante positiva, mas está claro que ela só representa um primeiro passo para uma possível mudança na forma de atuar da Comissão.
A Campanha estará atenta, daqui para frente, em cobrar cada compromisso assumido pelo presidente.
Os representantes da Campanha levaram à reunião um documento apresentando e justificando oito solicitações consideradas urgentes e fundamentais.
O primeiro ponto é referente à transparência e à disponibilização de informações. Consideramos fundamental que as reuniões da Comissão permitam a audiência dos cidadãos e organizações interessadas, e que as atas, votações e pareceres sejam disponibilizados no site do órgão e também mediante solicitação. Esper se mostrou de acordo e se comprometeu a providenciar a disponibilização.
No segundo ponto sugerimos que todas as instruções normativas (as já publicadas e as futuras), assim como a liberação de transgênicos com caráter comercial, sejam submetidas à consulta pública. Quanto a este ponto, Esper mostrou-se sensível e comprometeu-se a rever o procedimento.
O terceiro ponto trata da alteração do Regimento Interno da CTNBio, que atualmente permite que membros da comissão como empresas de biotecnologia e a Embrapa, que tem contrato comercial com a Monsanto, participem e/ou votem em processos de seu interesse. O quarto, pede a regulamentação mais cautelosa e detalhada dos campos experimentais. Esper assumiu o compromisso de rever também estas duas questões.
A quinta solicitação, cuja atenção consideramos absolutamente urgente, é a elaboração da política nacional de biossegurança. É inaceitável que a CTNBio tenha funcionado durante mais de seis anos (ainda que ilegalmente) e emitido centenas de autorizações sem que tenha se dedicado a esta discussão, que deveria orientar qualquer ação da Comissão. Até hoje temos assistido uma verdadeira política de promoção de biotecnologia e não de biossegurança. Para a elaboração desta política faz-se também imprescindível a participação da sociedade e de segmentos científicos independentes. Esper disse que se esforçará para que isto aconteça até o final deste ano.
O sexto ponto é a revisão de todos os experimentos em andamento e a suspensão de todos os experimentos irregulares, em atenção à decisão judicial que confirma que cultivos transgênicos com características de agrotóxicos (como as plantas Bt) precisam do Registro Especial Temporário, exigido pela Lei de Agrotóxicos. Este foi o único ponto em que Esper se mostrou resistente. Ele não pretende se esforçar para regularizar a situação.
Em compensação, ele se comprometeu a reapreciar o processo que liberou a soja Roundup Ready, da Monsanto, para cultivo comercial, que foi a sétima solicitação.
Por fim, a oitava solicitação, também recorrente por parte da Campanha, é que o Brasil assine o Protocolo de Biossegurança, um instrumento internacional que garante direitos para a preservação da biodiversidade brasileira.
Esper afirmou que a CTNBio é favorável à assinatura do Protocolo. Disse que a Comissão chegou a encaminhar um documento ao Ministério de Relações Exteriores para que o Brasil o assinasse, mas que por problemas operacionais o documento não foi assinado. Se comprometeu, então, a se esforçar para que o Brasil assine o Protocolo, ainda que tardiamente.
A Campanha enviará na próxima semana uma carta à CTNBio solicitando cópia do documento encaminhado ao ministério e cobrando a atuação pela assinatura.
O último fato importante da reunião foi que Esper apresentou um documento em resposta à carta enviada pela Campanha em abril deste ano, que pedia a revisão das autorizações para plantios experimentais -- especialmente aqueles em grandes áreas, como o campo experimental de 60 hectares autorizado para a empresa Monsanto no início deste ano. Apesar do avanço que representa a apresentação deste documento (as gestões anteriores da CTNBio não responderam a nenhuma de nossas solicitações), a Campanha considerou que as respostas não foram satisfatórias, deixando vários lacunas em sua argumentação.

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Neste número:

1. Presidente da SBPC alerta: cuidado com os transgênicos
2. Produtores americanos de milho alertam australianos: transgênicos são uma furada!
3. Cargill aposta em salto nas vendas de não-transgênicos
4. EUA confirmam retirada de ação contra o Brasil na OMC
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Parceria entre agricultores e técnicos gera boas sementes
Transgênicos no rádio

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1. Presidente da SBPC alerta: cuidado com os transgênicos
A presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Glaci Zancan, disse ontem, em audiência pública na Comissão Especial de Alimentos Geneticamente Modificados da Câmara, que é preciso "aprofundar" as pesquisas sobre os transgênicos. Segundo ela, somente resultados de estudos epidemiológicos específicos e ensaios toxicológicos no país serão capazes de "eliminar dúvidas" sobre transgênicos na alimentação humana. "Essa tecnologia é promissora, mas é muito jovem e requer muita pesquisa", afirmou.
A presidente da SBPC defendeu, ainda, "cautela" e "análises caso a caso" de cada um dos transgênicos que vierem a ser autorizados pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio ). "Há um elenco enorme de indagações que perturbam os pesquisadores e a comunidade científica prefere trabalhar com cautela", afirmou aos 12 deputados presentes à sessão. "Os investimentos privados nessa área são maiores do que os públicos e há preocupação com a apropriação comercial do conhecimento e o futuro da agricultura familiar".
A comissão especial, criada no último dia 15 de maio, analisa um projeto de lei do deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) que impõe condições para a comercialização de transgênicos no país. Além desse, existem 18 projetos sobre o assunto na Câmara.
O coordenador dos cursos de biossegurança da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o pesquisador Silvio Valle reafirmou a necessidade de normas específicas sobre rotulagem dos alimentos transgênicos. (...) "A sociedade precisa saber se o conceito que se utilizará na rotulagem levará em conta os interesses de agroindústrias ou dos consumidores e da própria saúde pública", resumiu Valle. (...)
Valor Econômico, 27/06/01.

2. Produtores americanos de milho alertam australianos: transgênicos são uma furada!
“Os agricultores australianos poderão conquistar uma parcela crescente dos mercados de exportação se não cultivarem transgênicos”, disse Gary Goldberg, executivo chefe da Associação Americana de Produtores de Milho, no dia 27 de junho, em Melbourne, durante uma conferência do Instituto Australiano de Lei e Ética na Saúde. (...)
“Nenhuma das promessas se tornou realidade e é a hora dos seus agricultores entenderem que as promessas que vêm sendo feitas e continuarão a ser feitas nunca se tornarão realidade”, disse ele.
Por enquanto a Austrália produz cultivos não transgênicos, mas companhias de agroquímicos contrataram agricultores para conduzir testes de campo, especialmente com canola transgênica. (...)
Goldberg disse que, na região asiática, os EUA estão perdendo em vendas para o Japão, Taiwan e Korea do Sul devido ao problema dos transgênicos, e que os preços do milho nos EUA tiveram uma queda drástica por causa da super oferta.
“A tecnologia não serve para nada se você não consegue vender o seu produto”, completou ele.
Goldberg disse aos repórteres que cerca de 24% do milho americano é geneticamente modificado, mas a polinização cruzada e a falta de segregação comprometem os outros 76%. (...)
Reuters, 27/06/01.

3. Cargill aposta em salto nas vendas de não-transgênicos
A americana Cargill, gigante dos agronegócios com vendas anuais de US$ 48 bilhões, está esperando aumento significativo na demanda de farinha de soja não transgênica para rações animais na Europa este ano. (...)
Para atender à demanda de consumidores que não aceitam alimentos modificados, a Cargill passou a oferecer um leque de produtos que inclui desde a farinha de soja do Brasil - onde os transgênicos são ilegais - até matérias-primas que passam por sistemas rígidos de preservação de identidade, em que cada etapa do processo é acompanhada do agricultor até o transporte.
Neste último caso, a Cargill ainda está vendendo quantidades muito pequenas, já que exige bom planejamento antecipado e envolve custos até 20% mais altos. Muitas cadeias européias de supermercados, especialmente no Reino Unido, assumiram compromissos públicos de fornecer aves alimentadas apenas com rações não-transgênicas.
Mas, quando tentaram cumprir as promessas, descobriram que a farinha de soja rigidamente controlada precisa ser encomendada com um ano de antecedência. "Os clientes começam a perceber que isso envolve custo e não há muito preparo nesse sentido" disse Ruth Rawling (vice-presidente de relações públicas da Cargill Europe). Fast-foods como o McDonald's prometeram servir frangos criados com rações não-transgênicas em vários países europeus.
Valor econômico, 27/06/01.
 N.E. É importante notar que a Cargill pertence à Monsanto, a segunda maior empresa de “ciências da vida” (agrotóxicos-sementes-fármacos) do mundo, e a maior produtora de transgênicos.

4. EUA confirmam retirada de ação contra o Brasil na OMC
O chefe do escritório de Representação Comercial dos Estados Unidos (USTR), Robert Zoellick, confirmou que seu país e o Brasil chegaram a um acordo pelo qual uma disputa sobre patentes será retirada do âmbito da Organização Mundial do Comércio (OMC) e negociada num fórum bilateral recém-criado. "Tratar desse litígio num painel da OMC não foi a maneira mais construtiva de lidar com nossas diferenças, especialmente porque o Brasil nunca usou de fato a provisão em disputa", disse Zoellick em comunicado divulgado em Washington.
Em compensação pela decisão norte-americana de abandonar sua ação no âmbito da OMC, o Brasil prometeu comunicar os Estados Unidos previamente sobre qualquer decisão de dar licença compulsória para patentes de empresas norte-americanas, além de discutir o assunto com o governo dos EUA. As divergências serão discutidas no quadro do Mecanismo de Consultas Bilaterais EUA-Brasil. (...)
O argumento brasileiro é o de que a iniciativa norte-americana contra essa provisão põe em risco o programa de distribuição de medicamentos contra HIV/Aids. "A administração informou aos membros da OMC que, quando eles tomarem medidas para lidar com grandes crises de saúde, como a crise do HIV/Aids na África subsaariana e em outras regiões, os EUA não vão levantar objeções, caso eles recorram à flexibilidade permitida pelo acordo Trips, da OMC", diz o comunicado de Zoellick. (...)
Agência Estado, 25/06/01

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Parceria entre agricultores e técnicos gera boas sementes
Em uma era de agricultura altamente tecnificada, onde parece que somente há espaço para grandes propriedades, trabalhadores rurais assentados, em parceria com algumas instituições como a Embrapa, vêm obtendo grande êxito em sua produção.
Neste sentido a parceria de uma instituição de pesquisa aliada à sabedoria dos agricultores tem rendido bons resultados. Um bom exemplo disto é o trabalho desenvolvido com milho para a obtenção de sementes crioulas. A Embrapa desenvolveu, junto com os agricultores, uma variedade nos estados da região Sul e outra na área do assentamento Sol-da-manhã, no estado do Rio de Janeiro. A variedade de sementes de milho Sol-da-manhã, conhecida oficialmente como Br 106-XI, foi desenvolvida para a agricultura familiar. Tem a capacidade de desenvolver-se bem com baixa quantidade de nitrogênio. Por ser rústica, possui menor custo de produção. O milho apresenta estabilidade de produção e adaptabilidade a todas as regiões brasileiras e tem mostrado boa resistência às principais pragas. Por isso, é um milho capaz de atender aos diversos tipos de agricultores, adaptando-se a solos com baixa fertilidade (característica comum dos assentamentos). Os dois tipos de milho são robustos, nutritivos, produtivos e libertam o agricultor do compromisso anual de comprar os híbridos das empresas de sementes. Cada produtor pode selecionar, nas próprias espigas que colhe, os grãos que servirão de semente para a próxima safra. Estas sementes de origem nativa “valem um milhão”, brincam os agricultores.
A adoção destas variedades está promovendo uma revolução agrícola que provavelmente repercutirá até na África, continente necessitado de uma agricultura livre de tecnologias que geram dependência externa. O pequeno agricultor brasileiro, com 5 a 50 hectares de terra, passou a ter possibilidades de fixar-se no interior rural e produzir em escala lucrativa. Estas variedades de milho estão possibilitando, por exemplo, a criação de frangos e galinhas caipiras, para os quais existe mercado crescente.
Existem diversas outras espécies com as quais estão sendo desenvolvidas variedades crioulas. O mercado para estas sementes é formado por 14 milhões de pequenos agricultores (60% da população rural do país), donos de 75% dos estabelecimentos agrícolas, cujas propriedades ocupam 25% das terras agricultáveis produtivas e responsáveis por 30% da colheita brasileira. Iniciativas como essa contribuem para a conservação da biodiversidade, o fortalecimento da agroecologia, a fixação do trabalhador no campo e a valorização de sua sabedoria e cultura.
Adaptado do Jornal do Commercio, 27/05/01.

Transgênicos no rádio
O programa São Francisco Ecologia (Rádio São Francisco - RS) deste sábado fala sobre a problemática dos alimentos transgênicos. O que são e quais os prejuízos para a saúde e para o meio ambiente são algumas das perguntas respondidas pela assessora técnica da Campanha Por Um Brasil Livre de Transgênicos, Flavia Londres, e pelo geneticista Flávio Lewgoy.
Você poderá acompanhá-lo pela Rádio São Francisco - Sat AM 560 Khz (no Rio Grande do Sul) ou pela internet por Real Áudio, pelo endereço www.saofrancisco.am.br, no próximo sábado (30/06) às 9:00 h.

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=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet

http://www.syntonia.com/textos/textosnatural/textosagricultura/apostilatransgenicos

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http://www.uol.com.br/idec/campanhas/boletim.htm

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