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De:  Campanha Transgenicos <campanhatransg@uol.com.br>
Data:  Sex Mai 25, 2001  7:45 pm
Assunto:  BOLETIM 66 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS

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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s Amig@s

Foi realizada, no dia 23/05/01, a primeira audiência pública da PFC (Proposta de Fiscalização e Controle), no âmbito da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias da Câmara dos Deputados. Esta PFC (uma espécie de “mini-CPI”) visa à fiscalização dos procedimentos adotados pelo Poder Executivo para autorizar a liberação de plantas transgênicas no Brasil. Um dos seus objetivos é levantar dados para a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) sobre os transgênicos.
Estiveram presentes nesta audiência o presidente da Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), Ésper Cavalheiro, a diretora executiva do Greenpeace Brasil, Marijane Lisboa, a advogada e coordenadora de campanhas do IDEC (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), Andrea Salazar, o geneticista e professor titular da Universidade Federal de Santa Catarina, Rubens Nodari e um representante do IBAMA. Estas audiências colocam frente a frente diversas partes envolvidas com a questão para darem seu testemunho.
Este processo é de extrema importância para a Campanha, que vem desde 1996 acompanhando a questão e exigindo um debate aberto com os Ministérios envolvidos com a liberação dos transgênicos no Brasil e com a CTNBio.

Foi instalada no dia 24/05/01, após 21 meses da sua criação, a Comissão Especial da Câmara dos Deputados destinada a apreciar e dar parecer sobre os Projetos de Lei que envolvem os transgênicos no âmbito federal. Como existem 24 projetos de lei sobre a matéria tramitando no Congresso, a tendência é que a Comissão apresente um projeto substituto que deverá, então, ser encaminhando para votação.
A Comissão, que tem como presidente o Dep. Betinho Rosado (PFL/RN) e como relator o Dep. Confúcio Moura (PMDB/RO), deve iniciar seus trabalhos na próxima semana.

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Neste número:

1. Abrasoja rebate denúncia de produto transgênico
2. Embarques de milho disparam
3. Estado de Missouri (EUA) processa a Aventis
4. Alemanha pede cautela
5. Ameaça de bactérias e vírus transgênicos
6. Estudo científico fortalece a hipótese da transferência horizontal de genes
7. Consulta Pública sobre Biotecnologia
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Mulheres dão pontapé inicial para o Manejo Agroecológico em Assentamento Rural
Lançamentos

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1. Abrasoja rebate denúncia de produto transgênico
A Associação Brasileira dos Produtores de Soja (Abrasoja) divulgou nota nesta quarta-feira repudiando as informações de matéria veiculada pelo jornal norte-americano "The New York Times". Na matéria, um representante dos produtores norte-americanos afirma que a produção de soja geneticamente modificada poderia atingir até 30% da safra brasileira.
De acordo com o jornal americano, os produtores estariam utilizando sementes contrabandeadas da Argentina para produzir soja transgênica no Brasil.
Segundo a nota da Abrasoja a declaração se constitui “numa tentativa de prejudicar o Brasil junto ao mercado internacional. (...) Esse número (30% da safra brasileira) representaria em torno de 9 milhões de toneladas, o que é infundado, já que não houve diminuição significativa na venda de sementes de soja no Brasil.” A carta diz ainda que “De acordo com a legislação nacional, está proibida a venda de produtos geneticamente modificados e não existe nenhum levantamento oficial que aponte números de plantio transgênico no Brasil. (...) A Abrasoja entende que essa atitude da Associação Americana de Soja é meramente especulativa e visa desacreditar a soja brasileira junto à Europa, que está rejeitando a soja plantada nos Estados Unidos e Argentina, onde a maioria da área já está ocupada com soja transgênica.”
Agência Estado, 17/05/01.

2. Embarques de milho disparam
O Brasil nunca exportou tanto milho como neste ano. Até ontem, 1,85 milhão de toneladas haviam sido embarcados pelos portos de Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS). Somando as vendas fechadas e negócios futuros, a previsão é de que as exportações ultrapassem 2,5 milhões de toneladas apenas com a atual safra. (...)
Mas a conquista do mercado externo deve-se aos problemas sanitários da Europa, como a “vaca louca” e o uso de rações à base de produtos de origem animal, que estão sendo substituídos por produtos vegetais. A técnica do Departamento de Economia Rural (Deral), do Paraná, Rossana de Godoy, aponta ainda o fato de que grande parte dos países importadores deixou de aceitar produtos transgênicos.
Valor Econômico, 23/05/01.

3. Estado de Missouri (EUA) processa a Aventis
O procurador geral do estado de Missouri (EUA) entrou com um processo em 02 de maio de 2001contra Multinacional de Biotecnologia Aventis, fabricante do milho StarLink, alegando que as informações sobre as restrições no uso do milho transgênico não foram passadas para os agricultores.
O procurador geral Jay Nixon disse que a deficiência da Aventis em providenciar as devidas informações resultou em perdas econômicas não só para os agricultores que plantaram a variedade StarLink, mas para os produtores vizinhos, armazéns de grãos, investidores e outros. (...)
Em declaração a Aventis afirmou que ficou “extremamente desapontada” com a ação judicial “tendo em vista o duro trabalho que vem sendo feito com os procuradores gerais dos 17 outros estados. Continuaremos trabalhando em Missouri e os demais Estados para, com sucesso, conter o milho StarLink e grãos contaminados com StarLink, direcionando-os para os usos aprovados.” (...)
A Aventis cancelou o seu registro para o milho StarLink no último outono, em 16 de outubro de 2000, portanto não há sementes de milho StarLink no mercado este ano.
Michael Howie, Feedstufs Staff Editor, 14/05/01.

4. Alemanha pede cautela
O governo alemão divulgou ontem um informe pedindo cautela no uso de tecnologias de modificação genética. A Alemanha defende regras mais rígidas sobre o assunto.
O Globo, 19/05/01.

5. Ameaça de bactérias e vírus transgênicos
Já há laboratórios nos EUA voltados para a detecção de doenças causadas por micróbios geneticamente modificados por bioterroristas. Um relatório do governo americano indicou que a maior ameaça vem de bactérias alteradas para se tornarem mais resistentes. Steven Block, da Universidade Stanford, disse na “Nature”, que há incontáveis formas de criar bioarmas. Detectá-los a tempo, é missão virtualmente impossível.
O Globo, 21/05/01.

6. Estudo científico fortalece a hipótese da transferência horizontal de genes
Para aqueles que se preocupam com o contrabando de genes de bactérias para seres humanos, a temida transferência horizontal, cientistas do Tigr (Instituto de Pesquisa Genômica), dos EUA, têm uma boa notícia: só existem de 41 a 46 genes de bactérias no meio de mais de 30 mil genes que constituem o genoma humano.
Dito de outro modo: a transferência horizontal de genes é muito rara. A má notícia, claro, é que ela - apesar de rara - existe. Mas há também quem diga que a principal causa da presença desses genes invasores no organismo humano não é uma manipulação direta do genoma humano pelas bactérias, mas um contágio com várias etapas intermediárias. (...)
A possibilidade de ocorrência de transferência horizontal é um dos argumentos daqueles que questionam a produção de organismos transgênicos, uma vez que vários genes de bactérias são usados no processo. Teme-se que os genes manipulados sejam incorporados ao genoma humano.
Jan Anderson, do Instituto Canadense de Pesquisa Avançada, que comenta o trabalho do Tigr na “Science”, afirma que, apesar de poucos, os genes estão lá, e que os dados do Tigr são sufientes para fortalecer a hipótese da transferência horizontal. (...)
Folha de São Paulo, 18/05/01.

7. Consulta Pública sobre Biotecnologia
O Documento básico do Programa Nacional de Biotecnologia e Recursos Genéticos (no âmbito do Ministério de Ciência e Tecnologia) está sendo disponibilizado para consulta pública até 11/06/01.
Os comentários deverão ser feitos em formulário específico, anexado ao Documento, podendo ser dirigidos a um ou a vários tópicos.
Documento Básico - Versão HTML: http://www.mct.gov.br/Temas/biotec/Consulta/htmlpage.htm
Arquivo PDF (92K): http://www.mct.gov.br/Temas/biotec/Doc_Consulta_Publica.PDF
Formulário de Consulta Pública: http://www.mct.gov.br/Temas/biotec/cnsPublica/default.htm

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Mulheres dão pontapé inicial para o Manejo Agroecológico em Assentamento Rural
Um grupo de mulheres dos assentamentos de Reforma Agrária de Leblon Régis, município próximo a Caçador-SC, está dando exemplo positivo para homens e outros agricultores locais. Desafiadas pela necessidade de melhorar a alimentação de suas famílias, que se baseava em feijão, leite, milho, carne de porco e de frango, elas decidiram experimentar em 1997 um trabalho com a produção ecológica de hortaliças.
Desde o início do trabalho, as mulheres contaram com a assistência do Centro de Assessoria e Apoio aos Trabalhadores Rurais (Cepagri), com sede em Caçador, além da dedicação da Eng. Agrônoma Rejane Werner. No princípio os homens do assentamento acreditavam que a iniciativa das mulheres era apenas um passatempo; não se envolviam nem incentivavam o trabalho. Hoje, depois dos resultados obtidos, toda a família está envolvida com o trabalho.
As atividades, que atualmente envolvem cinco grupos com 18 famílias e 39 pessoas, consistem na produção de hortaliças (com boa diversificação de produtos), de pêssegos e cultivos de arroz e feijão ecológico. Num futuro não muito distante, essas famílias planejam cultivar outras variedades de frutas e verduras.
No início do trabalho a primeira providência foi a recuperação dos solos. Para tanto foi utilizada  a prática de adubação verde (com as espécies de inverno nabo forrageiro, ervilhaca peluda e aveia preta), fosfato natural, esterco de aves, calcário e húmus de minhoca. Não se encontra na produção grandes problemas com pragas e doenças e quando se faz necessário, utilizam-se biofertilizantes e caldas caseiras para solucionar os problemas. Os excedentes da produção obtidos em março de 1998 começaram a ser comercializados pelo grupo, junto com outros produtores ecológicos da região, numa feira semanal na cidade de Caçador. Em fevereiro de 1999 foi constituída também uma feira em Leblon Régis.
O resultado econômico da produção ainda é modesto (média de R$ 150,00 por feira), porém há grandes perspectivas de crescimento, pois além da feira, a comercialização começa a se estender a restaurantes e lanchonetes do município. O maior resultado do trabalho tem sido a organização e a motivação destas famílias em relação a outras famílias que ainda apresentam forte resistência em relação às práticas agroecológicas, o que deve ser superado com o tempo e com os resultados obtidos.
Mulheres dão exemplo aos assentados de Leblon Régis. Agroecologia em Santa Catarina. Lages: Centro Vianei de Educação Popular, n. 2, p.11, set., 1999.I

Lançamentos:
Convidamos a todos para o lançamento dos livros Transgênicos: o direito de saber e a liberdade de escolher, de Fátima Oliveira, e Bioética: Vida e Morte Femininas, organizado por Alejandra Rotania, a realizar-se no dia 29 de maio (terça-feira), às 19:00, Hotel Novo Mundo, Praia do Flamengo, 20 Rio de Janeiro. Compareçam!

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=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet

http://www.syntonia.com/textos/textosnatural/textosagricultura/apostilatransgenicos

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