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De:  Campanha Transgenicos <campanhatransg@uol.com.br>
Data:  Sex Abr 6, 2001  3:21 pm
Assunto:  BOLETIM 59 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS

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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s Amig@s

Na última semana noticiamos com entusiasmo a diminuição da área plantada com transgênicos nos EUA, de acordo com os relatórios divulgados pelo USDA (Departamento de Agricultura do Governo Americano, na sigla em inglês), comparando as safras de 1999 e 2000. Como dissemos, esta diminuição estaria associada principalmente às dificuldades de comercialização desses produtos e também pela constatação, por parte dos agricultores, de que as vantagens agronômicas apresentadas pelos cultivos transgênicos são bastante questionáveis.
Esta semana o USDA divulgou suas previsões para as safras americanas de 2001. Curiosamente, os números apresentados indicam um considerável aumento na área plantada com transgênicos. Logo depois de todo o escândalo envolvendo a dispersão do milho StarLink (que não havia sido aprovado para o consumo humano nos EUA e contaminou inúmeros produtos alimentícios industrializados) e dos prejuízos milionários dela decorrentes, envolvendo inclusive grandes exportações, este aumento nos pareceu uma reação no mínimo estranha.
Procuramos, através das organizações americanas envolvidas com o movimento anti-transgênicos e de professores-pesquisadores americanos envolvidos com a questão, buscar uma explicação para o fenômeno. A resposta que tivemos foi: não há sementes convencionais de qualidade no mercado. O agricultor está sem opção. “O que as companhias (de sementes) produziram é o que será vendido”. Ou seja, muitos agricultores terão que comprar sementes transgênicas mesmo que não queiram.
Vocês se dão conta do que isto significa? É a dependência total dos agricultores, resultado da oligopolização das indústrias de sementes (que hoje são as mesmas que produzem os agrotóxicos). A indústria vende o que quer pelo preço que quer. O agricultor que já está inserido no contexto da agricultura industrial não tem por onde escapar.
Mais uma vez reforçamos: livremo-nos deste perigo enquanto é tempo!

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O IDEC -- Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (membro da Campanha “Por um Brasil livre de transgênicos”) divulgou ontem os resultados de mais um teste de detecção de ingredientes transgênicos nos alimentos vendidos nos supermercados brasileiros. Ao todo foram 26 produtos analisados, entre nacionais e importados. Oito deles apresentaram contaminação com soja transgênica Roundup Ready (RR), da Monsanto, (30% dos produtos analisados), sendo que 5 produtos foram reincidentes (já haviam sido detectadas contaminações pelo Idec em 2000).
Todos os produtos importados analisados apresentaram contaminação. No entanto, o grau de contaminação nos produtos nacionais caiu, apesar da omissão das autoridades federais quanto à fiscalização. Depois dos testes realizados no ano passado, algumas empresas tomaram iniciativas de controle que trouxeram bons resultados para o consumidor. Alguns produtos que haviam apresentado contaminação com transgênicos nos testes do ano passado estão livres de contaminação nestes novos testes. Vale notar também que já está havendo uma preocupação e um efetivo controle por grande parte das indústrias alimentícias. Quando foram divulgados os testes realizados em 2000, nenhuma empresa apresentou documentos de laboratórios ou de certificadoras. Já neste ano, 5 indústrias alimentícias entregaram análises laboratoriais e/ou certificados, além do percentual de contaminação ter diminuído.
Dentre os documentos apresentados por algumas indústrias há resultados negativos de testes realizados no Brasil, com os mesmos produtos em que foram detectados rastros de transgênicos pelos testes encomendados pelo Idec. Por este motivo elas consideram que seus produtos não são transgênicos e afirmam que não irão retirá-los das prateleiras. Também por este motivo, a ABIA (Associação Brasileira das Indústrias da Alimentação) afirma que não irá pedir às empresas que recolham seus produtos, pois “enquanto não existirem critérios definidos, fica um debate de laboratório contra laboratório”.
Esta aparente disparidade deve-se ao fato do laboratório contratado pelo Idec, o Interlabor Belp AG, na Suíça, ter capacidade de detecção 10 vezes mais sensível (de até 0,1% de componentes transgênicos) do que os das análises realizadas pelas indústrias no Brasil (de até 1%).
Diante das informações trazidas ao Idec por algumas empresas, ainda que com algumas imprecisões, o Idec encaminhou novas amostras dos mesmos lotes desses produtos, que acusaram resultado positivo na primeira análise, de forma a garantir a absoluta cautela na divulgação dos resultados. Os 4 produtos que foram reanalisados também apresentaram contaminação no segundo teste.
A Campanha considera que o limite de detecção de um teste como esse deve ter o máximo de rigor possível, por se tratarem de produtos proibidos no país. Pela legislação brasileira e pela ordem judicial vigente, é proibido produzir e comercializar produtos transgênicos, independentemente do percentual de ingrediente geneticamente modificado presente. Ou seja, os produtos relacionados neste último teste contendo soja transgênica estão ilegais no mercado.

Os ingredientes que apresentaram contaminação com soja transgênica no último teste são os seguintes:
                                
ProSobee Preparo Instatntâneo - Bristol Myers Squibb Brasil AS (EUA): > 1% Reincidente

Cup Noodles
- Nissin - Ajinomoto Alim. Ltda.(EUA): > 1% Reincidente

In Natura
- Mistura de Cereais - AUF Natur Ind. e Com. De Prod. Naturais Ltda (BRASIL): < 0,1% Reanalisado

Aptamil
Soja 1 - Support Produtos Nutricionais Ltda. (ARG): < 0,1%      

Nestogeno com Soja - Nestlé (BRASIL): < 0,1% Reincidente e reanalisado

Supra Soy Integral
- Joaquim Oliveira SA Participações (BÉLGICA): < 0,1% Reincidente e reanalisado

Creme de Milho Verde Knorr
- Refinações de Milho Brasil - RMB Ltda. (BRASIL):  < 0,1% Reincidente

Broinha de Milho Yoki
- Yoki Alim. AS (BRASIL): < 0,1% Reanalisado Retirado do Mercado pela Empresa

Um fato muito positivo foi que, diante da presença de soja transgênica em seu produto, a Yoki enviou um comunicado a suas equipes de venda e distribuição para que recolhessem o lote irregular dos pontos de venda.
O Idec encaminhou um ofício à ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) e aos Centros de Vigilância Estaduais exigindo providências, e uma carta de mesmo teor ao Ministro da Agricultura, ao Ministro da Justiça e ao Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor do Ministério da Justiça.
A Campanha entende que o principal responsável pelos produtos transgênicos mais uma vez encontrados no mercado é o Governo Federal, especialmente, a ANVISA, o Ministério da Agricultura e a CTNBio, que, por omissão na realização de suas competências legais, não regulamentam a matéria, não fiscalizam nem controlam os campos experimentais, as fronteiras, etc.
As recomendações que damos aos consumidores, portanto, são as seguintes:

Enquanto não houver evidências acerca da inocuidade desses produtos para a saúde e o meio ambiente, e considerando o contexto atual e os resultados dos testes:

- Não consuma produtos importados, principalmente dos Estados Unidos e da Argentina, que contenham milho e/ou soja;
- Não consuma produtos dos lotes que apresentaram contaminação neste último teste - caso já tenha adquirido algum deles, exija a substituição no estabelecimento em que comprou ou junto à empresa responsável;
- Evite consumir os produtos das marcas que apresentaram reincidência de contaminação;
- Ao consumir produtos com ingredientes de milho e soja, consulte a empresa responsável pela marca de sua preferência para saber se ela está realizando controle ou certificação da produção ou das suas matérias-primas; e
- Dê preferência ao consumo de produtos orgânicos e/ou de origem conhecida, evitando assim o risco de consumir agrotóxicos e transgênicos.

A íntegra do relatório dos testes (com todos os dados, fotos dos produtos, etc.) pode ser encontrada no site http://www.idec.org.br.

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Neste número:

1. Itália confisca sementes transgênicas
2. Italianos ateiam fogo em sementes
Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são solução para a agricultura
Manejo Integrado de Pragas - parte III: a experiência de Cuba
Enquete - você comeria arroz transgênico?

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1. Itália confisca sementes transgênicas
O ministro da Agricultura da Itália pediu a apreensão de mais de 300 toneladas de sementes de soja e de milho, que, segundo ele, foram modificadas geneticamente, e a suspensão da licença de importadora e distribuidora Monsanto Co.
O diretor presidente da afiliada italiana da Monsanto, Jean-Michel Duhamel, desmentiu que as sementes sejam transgênicas, e afirmou que está havendo “equívoco” por parte do Ministério da Agricultura.
“Não vendemos sementes de produtos transgênicos, isto é garantido”, disse Duhamel. “Alguns dos lotes podem apresentar uma pequena presença acidental de organismos geneticamente modificados, mas muito abaixo dos padrões aceitos.
As sementes chegaram a Gênova este mês, dos EUA. Algumas foram analisadas e apresentaram “irregularidades”, disse Oliviero Dottorini, porta-voz do ministério.
Gazeta Mercantil, 30/03/01.

2. Italianos ateiam fogo em sementes
Um grupo ainda não identificado incendiou ontem um armazém da empresa de biotecnologia americana Monsanto, localizado no norte da Itália. O incidente ocorreu uma semana depois das autoridades italianas recolherem 100 toneladas de sementes do armazém, suspeitas de estarem contaminadas com material genético proibido.
Jornal do Brasil, 04/04/01.

Sistemas agroecológicos mostram que transgênicos não são a solução para a agricultura
Manejo Integrado de Pragas - parte III: a experiência de Cuba
Diante da crise resultante do colapso do bloco comercial socialista e do o bloqueio econômico e político imposto pelos EUA à Cuba, este país teve que, rapidamente, reverter a matriz tecnológica de produção agrícola químico-mecanizada que até então predominava nos seus campos. Estava lançado então ao pequeno país o desafio de alimentar sua população com base num modelo agrícola mais sustentável e menos dependente de insumos industriais (adubos químicos, agrotóxicos e combustíveis fósseis).
O processo de transição para este tipo de agricultura deu-se em ritmo bastante acelerado.
A existência, ainda que tímida, de estudos e experiências na área de Manejo Integrado de Pragas (MIP) foi de fundamental importância para a transição no modelo de produção. Neste época o governo passou a perceber a grande necessidade de investir nesta área de pesquisa, que antes era deixada para segundo plano. Em 1994 foram criados 220 laboratórios voltados para o controle biológico de pragas (uma das técnicas utilizadas no MIP, que consiste na reprodução, em laboratório, de inimigos naturais das pragas e na sua liberação nas áreas de lavoura), o que promoveu resultados muito positivos, verificado em diversas culturas.
Dentre as medidas adotadas para a adaptação e reconstrução da agricultura estavam: a criação de uma rede nacional de laboratórios para a produção de uma grande variedade de agentes de controle biológico, pesticidas naturais e biofertilizantes; a troca de informações entre os agricultores; a pesquisa direta no campo; e a capacitação agroecológica para agricultores e pesquisadores.
Hoje a agricultura ecológica de Cuba serve como referência de desenvolvimento agrícola para outros países e vem evoluindo cada vez mais, tanto na área da pesquisa como na da produção.
Grandes mudanças aconteceram também na consciência dos agricultores e consumidores, que passaram a ter uma relação mais interativa com a agricultura e o ambiente. Neste caso o MIP foi usado não somente como uma técnica para substituir ou eliminar insumos, mas como um instrumento pedagógico para o desenvolvimento agroecológico.
O sucesso da conversão da agricultura em Cuba desafia a idéia de que para se alimentar uma nação é necessário o uso de agroquímicos.
Rosset P., Moore M.  La seguridad alimentaria y la producción local de biopesticidas en Cuba. Holanda: ILEIA, 1998. p.18-19.
Food First,
Verde que te quiero verde - La agricultura orgânica en Cuba. USA: Food First, 1996 (vídeo).

Enquete:

O Instituto Internacional de Pesquisa em Arroz (IRRI, na sigla em inglês) está fazendo uma enquete a partir do site do CGIAR (Grupo Consultivo Internacional de Pesquisa Agrícola, em inglês), do qual faz parte, perguntando se as pessoas comeriam ou não arroz transgênico. Até agora a resposta negativa está vencendo, com 76,94% das respostas (de um total de 1.813 votos entre "sim", "não" e "não sei"). Para votar, acessem o site http://www.cgiar.org/irri/pa/index.htm

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=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via Internet

http://www.syntonia.com/textos/textosnatural/textosagricultura/apostilatransgenicos

=> Para acessar os números anteriores Boletim clique em :

http://www.dataterra.org.br/Boletins/boletim_aspta.htm

ou

http://www.uol.com.br/idec/campanhas/boletim.htm

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