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De:
Campanha Transgenicos <campanhatransg@uol.com.br>
Data: Seg Fev 12, 2001 10:42
am
Assunto: BOLETIM 51 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s Amig@s
Recentemente comentamos, com lástima, a falta de informação que paira
sobre jornalistas, inclusive os especializados em cadernos de ciências, a
respeito dos transgênicos. É verdade, há muita falta de informação.
Mas muito pior do que falta de informação, e que também freqüenta os
principais jornais, revistas e programas de notícias na televisão, é uma
incrível tendência a enobrecer os transgênicos, ridicularizar seus
críticos e dissolver sua imagem negativa.
É lamentável, por exemplo, a revista VEJA ( 07/02/01), numa matéria sobre
o Fórum Social Mundial, apresentar um último parágrafo
“informativo”:
“A soja transgênica é mais resistente a pragas, mais rica em proteínas
e sua produção gera empregos de alto nível no campo”.
Nem as empresas de biotecnologia fazem estas afirmações em suas
propagandas!
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Neste número:
1. Protesto contra transgênicos no Sul
2. RS firma acordo com a França envolvendo a rastreabilidade de
transgênicos
3. Secretaria do RS firma termo de cooperação técnica com a Genetic
ID
4. Arroz Dourado: a questão não é tão simples
5. Transgênicos: um mau negócio
6. Alguém quer batatas? Se forem transgênicas, não!
Sistemas agroecológicos mostram que
transgênicos não são solução para a agricultura
1. Homeopatia reduz custos da pecuária e
permite a produção de carne e leite orgânicos
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1. Protesto contra transgênicos no Sul
Depois de arrancar e queimar uma pequena lavoura de soja em
Chapecó (SC)*, terçafeira, dirigentes das entidades responsáveis por esse
ato decidiram enviar hoje ao Ministério da Agricultura e ao Ministério
Público uma carta cobrando medidas concretas contra o plantio de sementes
transgênicas no País.
"Se as autoridades não tomarem as providências cabíveis, a sociedade
certamente vai reagir", diz Roberto Cordazzo, coordenador da
Associação dos Pequenos Agricultores do Oeste de Santa Catarina (Apaco),
que liderou a manifestação, ao lado do Movimento dos Trabalhadores Rurais
Sem Terra (MST) e de outras entidades ligadas à agricultura.
Os produtores inspiraramse no ato público do francês José Bové, que
danificou experimentos da Monsanto no interior do Rio Grande do Sul. A
ação na área experimental, de 2,5 a 3 hectares, não causou danos ao meio
ambiente, mas a Monsanto terá que eliminar a matéria orgânica
remanescente e rotacionar a área com cultura de inverno.
Segundo Cordazzo, há denúncias da existência de lavouras de milho
transgênico no oeste catarinense. "Parece que a situação está
fugindo ao controle", diz, lembrando que, além do risco à saúde dos
consumidores, há um risco de prejuízo econômico no âmbito das exportações
de carne, um dos principais sustentáculos do agribusiness
catarinense.
"Se a soja e o milho transgênicos forem consumidos localmente, nossa
região pode sofrer um bloqueio por parte dos países da Europa, que
proibiram o uso desses produtos.” (...)
Gazeta Mercantil, 08/02/01.
*NE: Após receberem uma denúncia, os manifestantes aspergiram
o herbicida Roundup sobre a plantação. Como a soja não morreu, concluíram
que era de fato transgênica.
2. RS firma acordo com a França envolvendo a
rastreabilidade de transgênicos
O governo gaúcho e o Instituto Nacional de Pesquisa Agronômica
da França (Inra) firmaram acordo de cooperação técnica permanente nas
áreas de produção vegetal envolvendo a rastreabilidade de produtos
transgênicos.
O acordo, selado ontem, em Paris, na França, entre o secretário da
Agricultura, José Hermeto Hoffmann, e o diretor do instituto, Bertrand
Hervieu, também prevê o controle biológico de doenças como cancro
cítrico, cydia pomonella, pinta preta na maçã e vespa da
madeira.
O convênio determina o intercâmbio de pesquisadores da Fundação Estadual
de Pesquisa Agropecuária (Fepagro), do Instituto Riograndense do Arroz
(Irga) e do instituto francês. Segundo Hoffmann, em maio, o pesquisador
Joseph Bové (pai do líder camponês), especialista em controle do cancro
cítrico, virá ao Rio Grande do Sul para iniciar as tratativas. Em
novembro, o próprio Hervieu concretizará o convênio. (...)
Zero Hora, 07/02/01
3. Secretaria do RS firma termo de
cooperação técnica com a Genetic ID
Dia 29 de janeiro, a Secretaria da Agricultura do RS, por meio
da Emater, firmou um termo de cooperação técnica com a empresa norte
americana de biotecnologia Genetic ID para instalar uma unidade para
processamento de amostras para testes de transgênicos em produtos
agrícolas. A partir do acordo, o processamento será feito em laboratório
da Emater/RS, em Porto Alegre, que vai moer, homogeneizar, embalar e
remeter até 300 amostras sólidas por mês.
Com isso, diminuirá o tempo de preparo do material a ser analisado nos
laboratórios da empresa. Antes, havia a necessidade de remeter para o
exterior em média, 2,5 quilos do material. Agora, é possível encaminhar
para os testes de transgenia a amostra já reduzida, que será analisada. A
iniciativa vai beneficiar pequenos e grandes agricultores além de
indústrias gaúchas que tenham interesse em assegurar ao mercado a pureza
de seu produto. O governo gaúcho adotou postura de cautela em relação aos
Organismos Geneticamente Modificados (OGMs) por causa, da falta de
informações seguras sobre os riscos destes produto para a saúde das
pessoas e do meio ambiente.
O Estado de São Paulo, 07/02/01.
4. Arroz Dourado: a questão não é tão
simples
Segundo o Dr. Marion Nestle, de Nova Iorque, o “arroz dourado”
sozinho não irá diminuir significativamente a carência de vitamina A e a
cegueira noturna. O arroz dourado é geneticamente modificado para conter
três novos genes que juntos fazem o arroz produzir betacaroteno. O
betacaroteno é um precursor de vitamina A, e precisa ser ativado por uma
enzima para se tornar ativo. Betacaroteno e vitamina A são substâncias
lipossolúveis, o que significa que demandam gordura na dieta para serem
absorvidas através das paredes do intestino. A conversão de betacaroteno
em vitamina A e o transporte no corpo para os tecidos que usam vitamina A
requerem dietas adequadas em gordura e proteína. Pessoas em cuja dieta
faltam esses nutrientes ou que tenham problemas de diarréia
intestinal comum em países em desenvolvimento não poderão
obter vitamina A do arroz dourado. O arroz dourado representa uma
sofisticada engenharia genética. Mas ele não irá vencer as
principais causas da deficiência de vitamina A desnutrição e
saneamento pobre. Vencer esses problemas requer intervenções mais
desafiadoras do que um produto de alta tecnologia sozinho.
The New York Times, 19/12/00 in The Ram’s Horn, nº 187, janeiro
de 2001.
5. Transgênicos: um mau negócio
O ex-diretor da companhia farmacêutica Smith Klein Beecham
disse à uma conferência da indústria biotecnológica que nos últimos 15
anos, 1.900 produtos desenvolvidos pelas companhias de biotecnologia
falharam em testes clínicos. Somente 137 alcançaram condições de chegar
ao mercado. Esse miserável nível de sucesso, disse ele, estava diante de
bilhões gastos em pesquisa. “Eu não acho que a biotecnologia tem sido um
bom investimento”, disse o senhor Lesghly. “O retorno tem sido terrível.
Em todas as conferências que eu vou nos Estados Unidos, os investidores
estão dizendo: ‘este é um mau negócio’”.
M&B News, 12/12/00 in The Ram’s Horn, nº 187, janeiro de
2001.
6. Alguém quer batatas? Se forem
transgênicas, não!
Os produtores de batata do estado de Oregon, EUA, viraram as
costas para as batatas geneticamente modificadas da Monsanto, as batatas
NewLeaf. O Porta-voz de commodities do estado de Oregon diz que eles não
sabem de nenhum produtor de Oregon que tenha plantado NewLeaf esse ano
depois que os grandes processadores de batatas (Lamb Weston, Simplot e
McCain Foods) e outros pequenos (Kettle) as recusaram. Processadores de
outros estados estão também as estão evitando. 75% das batatas
produzidas em Oregon vão para o processamento, e o resto para o
varejo.
Oscar Gutbrod, do Serviço de Certificação do Estado de Oregon, diz:
“Ninguém nos EUA está admitindo que as cultiva”. Segundo Will Wise,
presidente do Comissão de Batatas de Oregon, “Não existe nenhum interesse
comercial nelas. Pode haver alguém plantando aqui ou ali, mas eu não sei
de ninguém. Acabou.” Há dois anos cerca de 1% a 1.5% das batatas de
Oregon eram produzidas a partir das sementes NewLeaf Russet Burbank, da
Monsanto. Mark Buckingham, um porta-voz da Monsanto, disse que alguns
lotes comerciais estavam no sudeste do estado, acrescentando, “O mercado
para elas”, nacionalmente, “é muito pequeno”.
The Oregonian, 11/12/00. In The Ram’s Horn, nº 187, janeiro de
2001.
Sistemas agroecológicos mostram que
transgênicos não são solução para a agricultura
1. Homeopatia reduz custos da pecuária e
permite a produção de carne e leite orgânicos
Criadores de gado, búfalos e aves de várias regiões do país
estão substituindo antibióticos, vermífugos e inseticidas pela
homeopatia. Além de oferecer resultados rápidos e eficientes no
tratamento e prevenção de doenças, a homeopatia permite o aumento da
produtividade em torno de 20%, assim como corte radical nos gastos com
medicamentos - uma dose do hormônio alopático usado para provocar o cio
nas vacas custa R$ 5, enquanto a versão homeopática fica por R$
0,10.
No tratamento da mastite, uma infecção nas mamas que costuma tirar o sono
de criadores de gado, a economia é maior. Enquanto o tratamento com
antibiótico implica custo de R$ 48 por animal, a homeopatia permite
cuidar de até cinco vacas, por dois anos, com uma única dose, que custa
cerca de R$ 55.
Além disso, os remédios homeopáticos são aceitos sem restrições pelas
certificadoras de produtos orgânicos, um nicho que ganha cada vez mais
adeptos no Brasil. (...)
"O advento da 'vaca louca' tende a provocar uma explosão da produção
orgânica e do consumo de homeopatia", diz Mário Ramos Paula e Silva,
veterinário e inspetor do Instituto Biodinâmico (IBD), uma das maiores
certificadoras do País. (...)
O veterinário Antônio Vicente Dias, que cuida de 500 cabeças de búfalos e
bois para a Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), afirma que
o tratamento homeopático pode evitar a diarréia e a apatia que geralmente
acometem bezerros recémdesmamados.
Outra vantagem da terapia é a capacidade de estimular a produtividade. Há
dois anos, 200 dos 600 produtores de leite da Cooperativa de Pequenos
Agropecuaristas de Campinas do Sul (Coopasul), do Rio Grande do Sul,
passaram a administrar remédios homeopáticos a animais com mastite, até
então tratados com antibióticos. Além de evitar o descarte do leite
produzido no tratamento alopático, ele elevou a quantidade de proteínas e
gordura no leite. "Com isso, a produção de queijo cresceu de 1 para
1,2 quilo por dez litros", diz Nelson Franklin, do Departamento
Técnico da Coopasul, a primeira cooperativa da América Latina a produzir
leite orgânico. (...)
Gazeta Mercantil, 28/01/01.
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