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De:
Campanha Transgenicos <campanhatransg@uol.com.br>
Data: Sex Jan 19, 2001 7:14
pm
Assunto: BOLETIM 48 - POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s Amig@s
É impressionante o grau de desinformação dos jornalistas brasileiros, da
grande imprensa, sobre o que são os organismos transgênicos. Vemos a três
por dois notícias anunciando o lançamento no mercado de “bananas
transgênicas resistentes a fungo” ou “soja geneticamente modificada para
aumento de produtividade”. Tratam-se na verdade de novos cultivares,
obtidos a partir de melhoramento genético, técnica que nada tem a
ver com modificação genética. O melhoramento genético (técnica
antiquíssima) é feito através de cruzamentos naturais controlados, entre
animais ou plantas da mesma espécie ou entre plantas de espécies muito
próximas. Selecionam-se através das gerações os indivíduos que melhor
apresentam as características desejadas.
A modificação genética, técnica do DNA recombinante, proporciona
cruzamentos jamais possíveis na natureza, através da inserção, em
laboratório, de genes de um determinado organismo vivo no código genético
de qualquer outro organismo vivo. Ou seja, através da modificação
genética, pode-se inserir genes de bactérias em plantas, de animais em
plantas, de seres humanos em animais, e assim por diante (o que seria
impossível através de cruzamentos naturais).
Através dessa confusão aparentemente ingênua passa-se a idéia (ou ao
menos lança-se a dúvida) de que os transgênicos estão liberados para
plantio no Brasil.
Os transgênicos ainda estão proibidos no Brasil. Esses jornalistas, além
de demonstrarem total desconhecimento técnico sobre o assunto, mostram
total desinformação política e jurídica relacionada ao tema. Um
verdadeiro escândalo.
Recebemos pouquíssimos pedidos do documento do Grupo Africano, que propõe
uma total revisão do Artigo 27.3(b) do Acordo TRIPS da OMC (Organização
Mundial do Comércio), que trata dos Aspectos dos Direitos de Propriedade
Intelectual Relacionados ao Comércio (Agreement on Trade-Related Aspects
of Intellectual Property Rights - TRIPS), anunciado no
Boletim 47. Como já foi dito,
a revisão obrigatória do Artigo 27.3(b), que estabelece o patenteamento
de variedades de plantas e de outras formas vivas, representa,
possivelmente, a única oportunidade real para mudar essa medida que,
desde 01 de janeiro de 2000, obriga legalmente a maior parte dos países a
implementá-la dentro de suas legislações nacionais.
Voltamos a pedir que as organizações brasileiras solicitem cópia do
documento de apoio de ONGs para a revisão do Artigo 27.3(b) do Acordo
TRIPS através do endereço
campanhatransg@uol.com.br, e que o
assinem, mandando seu nome, organização e endereço para o Third World
Network (twnet@po.jaring.my).
Um comentário que vale ser feito é que a posição oficial do governo
brasileiro quanto à revisão do Artigo 27.3(b), embora não seja a que
consideramos ideal, ou seja, não peça a proibição do patenteamento de
plantas e animais, é uma posição bastante progressista (e também bastante
rejeitada pelos EUA e pela EU), pedindo que o TRIPS permita que os países
o proíbam.
Também temos este documento disponível. Caso haja interesse, vocês podem
solicitá-lo pelo mesmo endereço
campanhatransg@uol.com.br.
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Neste número:
1. Aventis pede cancelamento de registro do StarLink
2. Franceses de olho na certificação de não-transgênicos
3. Selo de nãotransgênico atrai grandes processadoras de soja
4. Alemanha anuncia ‘revolução agrícola’
5. Macaco transgênico abre debate ético
Sistemas agroecológicos mostram que
transgênicos não são solução para a agricultura
1. Plantio consorciado - parte 3: efeitos
sobre as plantas invasoras
Nota
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1. Aventis pede cancelamento de registro do StarLink
A Aventis pediu que as autoridades dos EUA cancelem a sua
autorização para produzir o milho geneticamente modificado StarLink,
depois que o grão transgênico foi encontrado em diversos alimentos para
consumo humano. A empresa só estava autorizada a produzir o StarLink para
uso em ração animal. O registro do milho transgênico será cancelado no
dia 20 de fevereiro.
Folha de São Paulo, 19/01/00
2. Franceses de olho na certificação de
não-transgênicos
Mais uma empresa está chegando ao Brasil para certificação de
produtos nãotransgênicos e orgânicos. A Ecocert Brasil, licenciada da
agência certificadora francesa Ecocert, inicia hoje suas operações no
país, com base no Rio Grande do Sul e atuação nacional, de acordo com o
secretário executivo da companhia, João Augusto Vieira de Oliveira.
De acordo com ele, a Ecocert Brasil já tem como cliente a Cooperativa
Tritícola Alto Uruguai (Cotrimaio) para a certificação de produção de
soja não transgênica e de milho, trigo e soja orgânicos. A Cotrimaio
dedica hoje 657 hectares para culturas orgânicas e pretende ampliar esta
área para 5 a 6 mil hectares em três anos.
Nesta safra a cooperativa prevê ainda a colheita de 90 mil toneladas de
soja não transgênica, o dobro do ano passado. Segundo o presidente
Antônio Wünsch, a certificação poderá facilitar a aceitação do produto na
França e em outros países europeus. (...)
Valor, 19/01/01
3. Selo de nãotransgênico atrai grandes
processadoras de sojaA soja certificada nãotransgênica está
deixando de ser um diferencial de mercado para ser um requisito
fundamental na comercialização do grão e seus derivados. Com clientes
cada vez mais exigentes, as gigantes do setor ampliam - ou pelo menos
estudam maneiras de aumentar - o controle sobre a produção.
A Ceval, a maior processadora do país, vai certificar cerca de 20% do
volume de farelo de soja que comercializará na próxima safra. Este
percentual não passou de 5% no ano passado. (...)
Pressionada pelos clientes, a empresa também exige mais dos fornecedores.
Em todos os contratos fechados com produtores envolvendo financiamento,
há uma cláusula especificando o não cultivo de transgênicos.
Segundo um analista, as outras grandes processadoras, Cargill e ADM,
estudam a implementação de um sistema de maior controle da soja. A
Coinbra também estaria desenvolvendo um sistema de preservação de
identidade (IP, sigla em inglês).
A atenção da Ceval é redobrada em sua unidade de Esteio (RS), onde são
produzidas proteínas de soja para consumo humano. A unidade processa 400
mil toneladas do grão ao ano, das quais uma parcela crescente referese à
soja certificada já no produtor. (...)
"Nossa preocupação não é atender apenas aos clientes externos, mas
também os brasileiros que estão preocupados com a nova lei de
rotulagem", afirma Oliveira. Da produção de Esteio, 40% fica no
mercado nacional.
Valor, 19/01/01
4. Alemanha anuncia ‘revolução
agrícola’
A
Alemanha deu as costas ontem para os métodos modernos de produção
agropecuária - que provocaram o surgimento da doença da vaca louca na
Europa - e anunciou uma revolução orgânica na agricultura e na criação de
animais no país.
Em um golpe contra o poderoso lobby agropecuário, o chanceler (premiê)
Gerhard Schroeder deu a uma das líderes dos Verdes (partido da coalizão
governista), Renate Junast, a tarefa de reformar o Ministério da
Agricultura.
Kunast, 44, uma ex-ativista antinuclear, assume o lugar do ex-ministro
Karl-Heinz, um produtor de leite que foi obrigado a renunciar na
terça-feira por causa da confirmação de dez casos de vaca louca nos
rebanhos do país.
“A crise da vaca louca exige uma reformulação da política agrícola”,
disse Schroeder. “Mudanças que não foram feitas nos últimos 50 anos serão
feitas agora”, afirmou.
Em seu primeiro pronunciamento como ministra, Kunast, uma advogada de
Berlim sem experiência em agricultura, prometeu mudar a agropecuária,
adotando a “produção natural e a procriação natural de animais”.
Ela anunciou uma investigação profunda “do que deu errado no passado” e
disse que será preciso muito trabalho para reconquistar a confiança dos
consumidores. (...)
“Está mais do que na hora de a gente mudar o rumo da agricultura.
Queremos alimentos seguros através de métodos de produção adequados que
sejam bons para o ambiente”, disse Schroeder.
Nenhuma meta específica foi anunciada ainda, mas o chanceler manifestou
apoio ao velho sonho dos verdes de destinar 20% das terras do país à
produção orgânica. Produtores que abandonarem os fertilizantes químicos
vão ter adubos naturais subsidiados.
Schroeder disse que vai tentar convencer a EU a adotar a agenda natural.
Assim, graças à crise da vaca louca, os verdes acabaram ganhando uma
influência bem maior do que haviam ousado sonhar. Uma de suas grandes
bandeiras, a agricultura orgânica, está agora, no centro dos debates
sobre as políticas européias.
Folha de São Paulo, 12/01/01
5. Macaco transgênico abre debate ético
O anúncio do primeiro primata transgênico do mundo, batizado
de ANDi (DNA inserido, ao contrário), encheu de esperanças pacientes que
sofrem de doenças incuráveis, mas suscitou um debate ético sobre o uso de
animais como cobaias, uma prática que cresceu 14% entre 1998 e 1999, só
na GrãBretanha. Sociedades de defesa dos animais temem que os macacos
sejam sacrificados, como vem acontecendo com milhares de camundongos
usados em testes de novos medicamentos.
ANDi recebeu o gene GFP, extraído da águaviva. O fragmento de DNA não
causa danos ou traz benefícios ao macaco. Facilmente identificável no
organismo, o gene serviu apenas para que os cientistas tivessem a certeza
de que o experimento deu certo, pois a transferência genética entre seres
vivos é um processo que o homem ainda não domina. No futuro, entretanto,
genes de doenças incuráveis, como o diabetes ou o mal de Alzheimer,
poderão ser inseridos no genoma dos macacos para que reações a novas
drogas possam ser observadas.
Entretanto, mesmo que os macacos transgênicos venham a beneficiar os
humanos, o bemestar dos animais preocupa muito. "É um de
desenvolvimento assustador. Os animais não estão na Terra para serem
explorados pelos humanos", protestou Robin Webb, portavoz da Frente
de Liberação dos Animais.
A médica britânica Maggy Jennings, responsável pelo departamento de
pesquisas médicas sobre animais da Sociedade Real para Prevenção da
Crueldade contra os Animais, fez coro. "Se o macaco é tão parecido
com o humano, ele tem um comportamento psicológico e afetivo semelhante
ao do homem. Como podem enjaulálo em laboratórios e maltratálo",
pergunta. Mais de 3 mil primatas são usados todos os anos em experimentos
médicos na GrãBretanha. (...)
Folha de São Paulo, 13/01/01
Sistemas agroecológicos mostram que
transgênicos não são solução para a agricultura
1. Plantio consorciado - parte 3: efeitos
sobre as plantas invasoras
O policultivo, ou associação de culturas, é prática bastante
usual entre agricultores, chegando a representar 80% da área cultivada da
África.
Já na América Latina, 40% da mandioca, 60% do milho e 80% do feijão são
cultivados em consórcios.
Diversos estudos mostram que obtém-se maiores rendimentos plantando-se
uma determinada área com policultivos do que plantando-se área
equivalente com monocultivos. No caso do consórcio de feijão com milho, é
preciso 1,38 ha desses cultivos em plantio solteiro para colher a mesma
quantidade que 1,0 ha de milho + feijão.
Os policultivos apresentam efeito direto na supressão de plantas
invasoras, uma vez que há uma maior porcentagem de recobrimento do solo,
incidindo, portanto, menos luz e reduzindo a taxa de germinação de mato.
Muitas vezes, o tempo que se gasta na limpeza do mato constitui o
principal fator a limitar o tamanho da roça que um agricultor pode
cultivar. A maior parte das combinações de espécies cultivadas suprime o
desenvolvimento das ervas infestantes através do rápido desenvolvimento
de uma cobertura vegetal sobre o solo. Plantas como a batata-doce, melão,
melancia e alguns tipos de abóbora, entre outras, por terem hábito de
crescimento rasteiro, desempenham muito bem essa função. Em muitos
sistemas de plantio consorciado, é necessária apenas uma capina, enquanto
que nas monoculturas pode-se precisar de duas ou três, representando uma
economia de tempo, dinheiro e mão-de-obra, que poderão ser empregados em
outras atividades.
Reijntjes, C.; Haverkort, B.; Waters-Bayer, A. Agricultura para o
futuro: uma introdução à agricultura sustentável e de baixo uso de
insumos externos. Rio de Janeiro: AS-PTA; Holanda:ILEIA, 1994. 324p.
DUPRIEZ, H. Cultures pures ou cultures en associations? Carnet
Ecologique, n.3, nov. 1995.
LIEBMAN, M. Sistemas de policultivos. Boletín Agroecológico. n.52,
julho 1997.
Nota:
Acompanhem os últimos artigos publicados no jornal O GLOBO em
decorrência da matéria paga sobre transgênicos publicada pela
UniverCidade (Centro Universitário da Cidade) em alguns jornais cariocas
no fim de novembro de 2000. São artigos de Jean Marc von der Weid,
Coordenador de Políticas Públicas da AS-PTA (Assessoria e Serviços a
Projetos em Agricultura Alternativa) e de Paulo Alonso, Pró-reitor da
UniverCidade, e estão disponíveis no sítio
http://www.geocities.com/comidatransgenica/univerci.html,
junto com o dossiê sobre o assunto organizado por Joaquim Moura.
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