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 Msg #
De:  Cristina Carneiro <cristinacarneiro@uol.com.br>
Data:  Qui Jun 22, 2000  10:10 am
Assunto:  [Fwd: <constrgn> FSP: Transgênicos já são consumidos no Brasil]




> Folha de São Paulo, quarta-feira, 21 de junho de 2000
>
> BIOTECNOLOGIA
>
> Análise encomendada pelas ONGs Greenpeace e Idec identificou 11 produtos
> geneticamente modificados
>
> Transgênicos já são consumidos no Brasil
>
> SALVADOR NOGUEIRA, FREE-LANCE PARA A FOLHA
>
> Os transgênicos já fazem parte da alimentação dos brasileiros. A conclusão
> é do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) e do Greenpeace.
>
> Testes realizados com a técnica PCR por laboratórios europeus, a pedido das
> ONGs, mostram que 11 alimentos à venda têm ingredientes geneticamente
> modificados.
>
> "Pela primeira vez, a questão aparece na mesa dos consumidores", afirmou
> Roberto Kishinami, diretor-executivo do Greenpeace Brasil, na entrevista
> coletiva em que foram anunciados os resultados dos testes, na sede do Idec.
>
> As avaliações foram encomendadas separadamente pelas duas organizações para
> dois laboratórios europeus. Os produtos analisados foram escolhidos pela
> presença de soja e milho, duas das culturas que mais apresentam variedades
> transgênicas, pela origem do produto e pelo grau de exposição ao consumidor.
>
> O efeito de alimentos transgênicos sobre a saúde humana e o ambiente ainda
> é objeto de debate. Variedades geneticamente modificadas de soja e milho
> são plantadas e consumidas em larga escala nos Estados Unidos, há pelo
> menos cinco anos, sem que se tenha notícia de problemas de saúde.
>
> Não há nos EUA obrigatoriedade de rotular produtos de consumo alimentar
> contendo transgênicos. Na Europa, vários países exigem esse tipo de rótulo.
>
> O teste do Greenpeace envolveu 11 produtos. Desses, 3 apresentaram
> ingredientes transgênicos. Já o exame feito pelo Idec foi mais amplo,
> avaliando 31 produtos, dos quais 9 apresentaram composição geneticamente
> modificada. Um produto aparece nas duas amostras.
>
> Produtos conhecidos, como a sopa Knorr, o macarrão Cup Noodles e a batata
> Pringles, apresentaram traços de transgênicos. Dos 11 produtos apontados, 6
> são importados, provenientes dos EUA, México e Bélgica.
>
> "Desrespeito"
>
> "A comercialização de produtos transgênicos é um flagrante desrespeito à
> legislação ambiental", disse Marilena Lazzarini, presidente do Idec.
> Segundo ela, "para que um produto geneticamente modificado seja colocado no
> mercado, é necessário fazer um estudo prévio de impacto ambiental".
>
> Além de não atender à Lei de Biossegurança, que exige a avaliação e
> aprovação do produto pelo Ministério da Agricultura antes da
> comercialização, segundo o Idec a venda infringiria o Código de Defesa do
> Consumidor, que determina a presença da composição do produto no rótulo.
>
> A CTNBio (Comissão Técnica Nacional de Biossegurança), responsável pela
> avaliação dos organismos geneticamente modificados antes de sua liberação
> no ambiente, se isenta de responsabilidade. "O órgão cumpre com suas
> obrigações ao apresentar as avaliações. A regulamentação nunca esteve em
> seu mbito de atuação", disse Simone Scholze, representante do Ministério da
> Ciência e Tecnologia na CTNBio.
>
> O órgão havia emitido parecer favorável à liberação da soja transgênica
> Roundup Ready em setembro de 98. A Justiça Federal concedeu depois uma
> liminar ao Greenpeace e ao Idec impedindo o plantio do produto, com base no
> chamado princípio de precaução, e determinando que se realizasse um estudo
> de impacto ambiental.
>
> A presença de transgênicos só está ocorrendo, segundo Lazzarini, pela
> "omissão grave das autoridades brasileiras". O Idec pretende com os testes
> chamar a atenção das autoridades para a irregularidade. "Estamos apenas
> pressionando para que o Estado cumpra seu papel", disse.
>
> Outro lado
>
> A Associação Brasileira das Indústria de Alimentação (Abia) questiona os
> resultados obtidos pelos laboratórios contratados pelo Greenpeace e pelo
> Idec. "Os procedimentos não foram feitos de maneira clara", afirma Edmundo
> Klotz, presidente da Abia.
>
> Na mesma linha, a Nestlé, fabricante do Nestogeno com Soja, divulgou
> comunicado afirmando que a empresa possui "atestado de laboratórios de
> reputação internacional garantindo que a soja utilizada é isenta de
> organismos geneticamente modificados".
>
> Já Letícia Beltrão, gerente de produtos da linha Supra Soy, da Jotapar,
> disse que o produto importado pela empresa tem de fato componentes
> transgênicos. "A empresa segue as regras européias de controle de
> transgênicos, já que o Brasil ainda não tem regulamentação definida", afirmou.
>
> A Olvebra, que teve dois produtos apontados (Soy Milke e Cereal Shake
> Diet), afirma que todos os lotes produzidos a partir de junho de 2000
> estarão livres da soja transgênica.
>
> Recomendações das ONGs
>
> A sugestão do Greenpeace para a população é o que Kishinami definiu como
> "ativismo de consumidor consciente". Ele defende que o consumidor deve
> entrar em contato com os fabricantes e supermercados, para reclamar, e
> evitar a compra dos produtos com conteúdo transgênico.
>
> Para a indústria, a recomendação das ONGs é utilizar apenas materiais
> certificados, garantindo sua origem não-transgênica.
>
> =========
>
> Teste é mais confiável quando positivo
>
> DA REPORTAGEM LOCAL
>
> A identificação por PCR (Reação de Polimerase em Cadeia) da soja ou do
> milho transgênicos nos alimentos industrializados é mais confiável quando o
> resultado do teste é positivo. Ou seja, a ausência de detecção não
> significa que o produto não contenha, de fato, ingredientes transgênicos.
>
> A PCR produz muitas cópias de uma sequência de DNA. A técnica é usada para
> detectar genes de qualquer origem (bactérias, vírus, plantas ou animais).
>
> No entanto, para amplificar a sequência, é preciso que o DNA esteja
> minimamente preservado. O que muitas vezes acontece, no processo de
> industrialização, é que na manipulação dos ingredientes o DNA pode ser
> degradado (por exemplo, por calor) e, com isso, não ser mais detectável.
>
> A invenção da PCR deu a Kary Mullis o Nobel de Química de 93.
>
> ===========
>
> Questão legal ainda está indefinida
>
> MARCELO LEITE, EDITOR DE CIÊNCIA
>
> O Brasil vive uma situação paradoxal, no que respeita à regulamentação dos
> alimentos transgênicos: plantar (ainda) não pode, mas importar e vender pode.
>
> O órgão responsável pela autorização para plantar é a CTNBio, ou Comissão
> Técnica Nacional de Biossegurança. Ela foi criada para dar pareceres
> técnicos conclusivos sobre a segurança de organismos geneticamente
> modificados (OGMs).
>
> Centenas de autorizações para plantio de OGMs fora de estufa já foram
> dadas, mas apenas em caráter experimental, para empresas e institutos
> interessadas em fazer testes de campo com variedades transgênicas.
>
> Houve só uma exceção: em setembro de 98, a CTNBio autorizou o plantio em
> escala comercial da soja Roundup Ready, da Monsanto, modificada para
> resistir ao herbicida glifosato.
>
> A licença foi contestada na Justiça pelo Idec e pelo Greenpeace. Em 10 de
> agosto de 99 o juiz federal Antônio Souza Prudente determinou a suspensão
> do plantio até que se realizasse estudo de impacto ambiental.
>
> Resumindo: até o presente, inexiste plantação legal em larga escala
> (não-experimental) de OGM no Brasil. Isso não quer dizer que OGMs não
> estejam sendo consumidos, como comprovou o teste das ONGs.
>
> Ocorre que importar OGMs não é proibido. Segundo a instrução normativa
> número 17 da CTNBio, de dezembro de 1998, a importação e comercialização de
> produtos derivados de OGM não é de sua competência. Regulamentá-la e
> fiscalizá-la caberia aos ministérios da Saúde, da Agricultura e do Meio
> Ambiente.
>
> A Lei de Biossegurança (número 8.974/95), porém, não deixa muita dúvida:
> "Os produtos contendo OGM, destinados à comercialização ou
> industrialização, provenientes de outros países, só poderão ser
> introduzidos no Brasil após o parecer prévio conclusivo da CTNBio e a
> autorização do órgão de fiscalização competente".
>
> _________________________________________________
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> Administrador: owner-constrgn@acd.ufrj.br
> HomePage: http://www.ufrj.br/consumo/
> Promoção: Lab de Consumo&Saude - FacFarm-UFRJ
> Apoio: NCE-UFRJ
> _________________________________________________
> Para sair do grupo mail para "majordomo@acd.ufrj.br" somente
> com esse texto no corpo da mensagem:
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