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De:
Luiz Meira <luizmeira@yahoo.com>
Data: Ter Abr 4, 2000 8:01
pm
Assunto: Diversos
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> POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
> ###########################
>
> Car@s Amig@s,
>
> Depois da soja RR, o milho Bt. Depois do milho Bt, o
> arroz transgênico. De
> produto em produto, as tentativas de introdução de
> organismos geneticamente
> manipulados em nossa agricultura se sucedem, enquanto as
> reações aos OGMs
> crescem em todo o mundo.
> Os transgênicos colocam a necessidade de uma discussão
> ampla e democrática
> com os diferentes setores sociais (produtores,
> consumidores, políticos e a
> comunidade científica) sobre os quais estas tecnologias
> repercutem. A
> sociedade quer alimentos seguros. E o Brasil, mantendo-se
> livre de
> transgênicos, pode ter, segundo Pat Mooney, uma enorme
> vantagem no mercado
> internacional.
>
> * * * * * * * * * * *
> Neste número:
>
> 1. Ação vitoriosa contra o arroz transgênico no Rio
> Grande do Sul
> 2. Manifestação contra os transgênicos em Boston
> 3. Arroz orgânico rende mais no Sul
> 4. Greenpeace realiza ato público contra OGMs em Porto
> Alegre
> 5. Ambientalista canadense faz palestra no Rio de Janeiro
>
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> 1. Ação vitoriosa contra o arroz transgênico no Rio
> Grande do Sul
> Em 23/03/00 a Procuradoria da República no Município de
> Rio Grande
> ingressou com uma ação civil pública pedindo a eliminação
> total do
> experimento envolvendo liberação de arroz transgênico no
> meio ambiente, que
> vem sendo desenvolvido pela empresa Aventis Cropscience
> do Brasil Ltda.
> Em 28/03/00, a 1ª Vara Federal de Rio Grande (RS)
> concedeu liminar que
> proíbe a empresa de liberar, colher ou utilizar arroz
> transgênico até que
> seja feito um estudo do seu impacto ambiental. Se a
> decisão for
> descumprida, a empresa pagará multa de 100 milhões de
> reais.
> O plantio está sendo realizado na unidade experimental do
> arroz pertencente
> à empresa, no quilômetro 449 da BR-471. A empresa, que
> vai recorrer, alegou
> possuir um “parecer conclusivo” da Comissão Técnica
> Nacional de
> Biossegurança (CTNBio) favorável à sua atividade em
> relação aos
> transgênicos, o que liberaria as experiências.
> De acordo com a Procuradoria da República, porém, tal
> parecer não é
> suficiente para possibilitar a realização dos exames,
> pois seriam
> necessárias autorizações dos Ministérios da Agricultura e
> do Meio Ambiente,
> de acordo com a lei federal 8.974/95. Além disso, a
> empresa precisaria ter
> um licenciamento ambiental, mediante elaboração de estudo
> de impacto ambiental.
> Na ação, a Procuradoria afirmou que “não se trata de
> impedir o progresso
> científico nem o avanço do conhecimento humano, mas de
> exigir que isso se
> dê nos exatos limites da legalidade e de modo
> ambientalmente seguro”.
> Folha de São Paulo, 29/03/00
>
> 2. Manifestação contra os transgênicos em Boston
> Quatro pessoas foram presas no dia 27/03/00 durante uma
> manifestação contra
> alimentos transgênicos que reuniu cerca de 2.500 pessoas
> em Boston (EUA).
> A manifestação ocorreu no local onde se realizava a
> Bio2000, considerada
> uma das maiores conferências de biotecnologia dos EUA.
> Funcionários municipais e a polícia, preocupados com a
> possibilidade de que
> se repetisse um confronto como o de Seattle, durante a
> reunião da
> Organização Mundial do Comércio, prepararam-se com
> antecedência para a
> manifestação contra os transgênicos.
> O protesto, considerado a maior demonstração dos EUA
> contra alimentos
> geneticamente modificados, teve um início pacífico, porém
> no dia seguinte ,
> quatro pessoas entornaram, na entrada do centro de
> convenções, seis
> conteineres do que afirmaram ser soja geneticamente
> modificada.
> Folha de São Paulo, 28/03/00
>
> 3. Arroz orgânico rende mais no Sul
> Com uma redução de 20% nos custos de produção pela não
> utilização de
> defensivos químicos, os agricultores do assentamento
> Filhos de Sepé, em
> Viamão (RS), iniciam esta semana a colheita de 140
> hectares de arroz
> orgânico. Toda a área com produtos ecológicos já abrange
> 210 hectares, com
> previsão de se chegar a mil hectares na próxima safra.
> A produtividade esperada no arroz ecológico é de 120
> sacos por hectare.
> Originários do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem
> Terra (MST), os
> agricultores do assentamento dão preferência à produção
> orgânica como uma
> resposta ao plantio de transgênicos.
> Jornal do Brasil, 31/03/00
>
> 4. Greenpeace realiza ato público contra OGMs em Porto
> Alegre
> O Greenpeace realizou em 30/03/00 um ato público em Porto
> Alegre
> denunciando a atuação favorável de deputados estaduais em
> relação aos
> transgênicos. A entidade ambientalista montou um painel
> na Esquina
> Democrática, conhecido ponto de encontro da capital
> gaúcha, exibindo o nome
> e as fotos dos parlamentares que aprovaram projeto de lei
> substitutivo que
> retira do governo estadual a competência para fiscalizar
> e regulamentar os
> transgênicos.
> Além das fotos e nomes dos deputados favoráveis aos
> transgênicos, o painel
> ainda trazia a frase: “Estes deputados podem fazer você
> de cobaias. Mariana
> Paoli, da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace
> afirmou: “A
> população tem o direito de se recusar a servir de cobaias
> para as
> indústrias de biotecnologia e por isso deve ser melhor
> informada sobre a
> atitude de seus representantes no Legislativo”.
> Comunicado de imprensa do Greenpeace, 30/03/00
>
> 5. Ambientalista canadense faz palestra no Rio de Janeiro
> Pat Mooney, diretor executivo da RAFI (Fundação
> Internacional para o
> Progresso Rural), em palestra realizada no Rio alertou
> para a falta de
> provas de que os transgênicos são seguros. O especialista
> afirmou também
> que o Brasil é estratégico na luta contra os transgênicos
> por ser um dos
> maiores produtores de soja onde o cultivo da soja
> geneticamente modificada
> é proibida.
> Segue a entrevista concedida por Pat Mooney para o jornal
> O Globo.
> O Globo: A tecnologia de modificação genética pode, de
> fato, aumentar a
> produtividade agrícola. Por que temê-la?
> Mooney: Devemos temê-la no estágio em que está e temer
> quem está decidindo
> o que será desenvolvido. Há razões genuínas para
> preocupação com segurança.
> O Globo: Há provas do risco dos transgênicos?
> Mooney: Há todo tipo de indicação de risco e não há
> benefício comprovado
> até agora. Essa é uma tecnologia poderosa, que está sendo
> trazida para o
> mercado, o ambiente e a sociedade sem que tenha sido
> testada por um período
> significativo. Os plantios transgênicos começaram em 95.
> Se os transgênicos
> não estão resolvendo uma grande necessidade humana, como
> a fome, por que
> assumir seu risco agora? Vamos mantê-los dentro dos
> laboratórios. A
> sociedade e o meio ambiente, no Brasil, por exemplo, não
> são campos para
> testes.
> O Globo: Cruzar plantas é uma atividade milenar e não
> deixa de ser
> manipulação genética. O que há de tão grave em inserir
> genes?
> Mooney: Fazer híbridos é criar novos parentes. Isso pode
> acontecer na
> natureza. Mas o que se fala aqui é inserir genes de
> peixes em vegetais ou
> um gene humano numa vaca. Isso não acontece naturalmente.
> É perigoso? Quem
> disser que os transgênicos são seguros é ingênuo ou
> mentiroso. Quem disser
> categoricamente que são perigosos, também.
> O Globo: Por que consumidores americanos são mais
> tolerantes com os
> transgênicos do que os europeus e japoneses?
> Mooney: Nos EUA, bem como no Canadá, prevalece a noção de
> que tudo em
> ciência é bom. Mas isso está mudando. O mercado de
> transgênicos foi
> reduzido este ano em 20%.
> O Globo: Por que o senhor afirma que a tecnologia do gene
> exterminador (que
> torna as sementes estéreis) é a mais ofensiva aplicação
> de biotecnologia em
> agricultura?
> Mooney: O propósito dessa tecnologia é criar uma
> modificação genética que
> faz a semente morrer ao tempo da colheita. As companhias
> admitiram
> abertamente que não há benefício para os agricultores ou
> consumidores. A
> tecnologia apenas força o agricultor a comprar sementes
> todo ano para poder
> plantar.
> O Globo: Qual o argumento para se vender isso?
> Mooney: Primeiro as empresas disseram que isso ajudaria a
> alimentar os
> famintos. Pararam porque provocava risos nas platéias.
> Depois, argumentaram
> que era o único modo de exportar novas tecnologias com
> segurança. Ou seja,
> os agricultores foram acusados de roubar sementes porque,
> há dez mil anos,
> guardam parte da colheita para plantio. Agora as
> companhias dizem que o
> exterminador é apenas para mercados industrializados e
> talvez para a
> Argentina e o Brasil.
> O Globo: Por que o Departamento de Agricultura dos EUA
> apoia a tecnologia
> do gene exterminador?
> Mooney: Por que são estúpidos. Falo seriamente. Por três
> vezes, no ano
> passado, eles nos disseram que não haviam percebido as
> implicações daquela
> tecnologia e que não iriam mais tentar desenvolvê-la.
> Recentemente,
> descobrimos duas novas patentes do Governo americano com
> a empresa Delta &
> Pine Land.
> O Globo: Os EUA têm interesse militar nessa tecnologia?
> Mooney: Não acredito. Mas essa tecnologia pode, sim, ser
> usada com
> propósitos militares. A Convenção sobre Armas Biológicas
> de Genebra permite
> bani-la, porque se trata de uma ameaça à segurança
> alimentar. Por outro
> lado, o exterminador apenas mostrou que é possível
> desativar
> características genéticas das plantas. Dominar esse
> mecanismo é muito mais
> atrativo do que apenas controlar a germinação. É a
> chamada tecnologia de
> controle das características. Os agricultores dependeriam
> das companhias
> para não ter, ao tempo da colheita, sementes com baixo
> teor nutricional,
> por exemplo. Nada disso está no mercado, há testes de
> campo em curso.
> O Globo: Economicamente, é uma vantagem para o Brasil
> manter-se livre de
> cultivos transgênicos?
> Mooney: Recentemente, um representante de uma empresa de
> alimentos me disse
> que sua companhia quer continuar podendo dizer ao mercado
> europeu que a
> soja brasileira não é transgênica. Seria uma tremenda
> vantagem para o
> Brasil fazer do nome do país sinônimo de alimento seguro.
> O Globo, 01/04/00
>
> ******************
> OBS: Recebemos de alguns leitores do nosso boletim a
> solicitação do resumo
> do debate com Pat Mooney. Comunicamos aos interessados
> que estamos
> transcrevendo as fitas com as gravações, para em seguida
> prepararmos um
> texto com a íntegra dos debates.
> No entanto, recebemos do jornalista Carlos Tautz, que
> esteve presente na
> referida palestra, uma síntese com os principais pontos
> do debate, que
> segue anexada a este boletim.
>
>
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