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 Msg #
De:  Luiz Meira <luizmeira@yahoo.com>
Data:  Seg Fev 28, 2000  9:30 pm
Assunto:  [gen-ocidio] diversos


>
> ###########################
> POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
> ###########################
>
> Car@s Amig@s.
>
> Está ficando cada vez mais evidente que a rejeição dos europeus aos produtos
transgênicos tem forçado uma redefinição nas estratégias de mercado. O
reconhecimento desta tendência já se nota em vário países como Argentina, Japão
e até no Brasil. A vigilância da sociedade civil sobre as decisões tomadas
pelos organismos públicos em relação aos transgênicos vem aumentando e, até a
Environmental Protection Agency e a Food and Drugs Administration dos EUAs têm
sido questionados.
> Empresas como a Sun Vally e a Tesco, do Reino Unido, e a Frito Lay, filial da
Pepsi, estão revendo suas estratégias e dizendo não aos transgênicos.
>
>
> ***********************************************************
> 1. Argentina enfrenta dificuldades para exportar soja transgênica

> Os agricultores argentinos foram rápidos em aderir à soja geneticamente
modificada, mas agora as exportações do país podem ser comprometidas devido à
crescente rejeição aos produtos transgênicos.
> A área cultivada com soja transgênica no país é estimada entre 70% e 90%.
Emiliano Ezcura, coordenador da campanha do Greenpeace contra os transgênicos
na Argentina, diz que não existe separação entre as lavouras convencionais e as
geneticamente modificadas. Os críticos dizem que a atual política de aumento do
plantio da soja transgênica denota pouca visão e é potencialmente desastrosa
para o setor.
> Algumas indústrias alimentícias européias e norte-americanas, sentindo a
mudança no mercado, começaram a exigir de seus fornecedores grãos
convencionais, oferecendo preços mais altos por este tipo de produto. Mesmo os
maiores defensores dos transgênicos reconhecem que, embora a ciência esteja ao
seu lado, foram derrotados pela opinião pública.
> Alberto Rodríguez, diretor da Câmara Argentina dos Produtores de Óleo, diz
que os principais mercados da soja são Índia, China e América Latina, onde há
pouca preocupação sobre os transgênicos. No entanto, em 1999 cerca de 40% da
soja e mais de 60% dos “pellets” argentinos foram para a Europa. Se o país
perder os mercados europeus, os “agricultores argentinos se verão às voltas com
um excedente que não poderá ser vendido no mercado mundial”, diz um corretor.
> A tendência na Europa, e cada vez mais no Japão, é de que os produtos sejam
rotulados, permitindo ao consumidor decidir se quer ou não alimentos fabricados
com produtos transgênicos.
> Associated Press/Dow Jones Gazeta Mercantil, 21/02/00
>
> 2. Alemanha proíbe milho transgênico
> O governo alemão não permitirá mais o plantio e a venda do milho
geneticamente modificado da Novartis AG, segundo o jornal suíço
“Tages-Anzeiger”, citando o ministro da Saúde alemão, Andrea Fischer. Baseado
em estudos, Fischer disse que o milho Bt prejudica moscas e borboletas e reduz
a eficácia de antibióticos no ser humano.
> A suíça Novartis, terceira maior indústria farmacêutica do mundo, cultiva o
milho Bt na Alemanha há três anos e lamentou a decisão, considerando-a um
“grande retrocesso” nas pesquisas com o milho Bt.
> Em janeiro, o governo suíço anunciou que conduzirá pesquisas próprias de
produtos geneticamente modificados e pretende responsabilizar as empresas que
os fabricam por qualquer dano causado.
> Bloomberg News Gazeta Mercantil, 18/02/00
>
> 3. Opinião: Clovis Terra Wetzel Engenheiro agrônomo, PhD. em tecnologia de
sementes “A conversa fiada sobre os transgênicos”
> Basta ver o que a mídia veiculou no ano passado e neste início de ano para
verificar que o assunto biotecnologia na agricultura está esgotado. Não há nada
de novo: dados e informações as mais diversas continuam a ser apresentados de
diferentes maneiras, mas os números diferem com freqüência. Questões como
efeitos dos alimentos trangênicos na saúde das pessoas e males sobre o meio
ambiente provocados por plantas geneticamente modificadas não aparecem de forma
conclusiva. Nem em países onde estão sendo plantadas grandes áreas com sementes
transgênicas Estados Unidos, Canadá, China, Argentina há consenso sobre essas
questões.
> Não são divulgados aumentos que estejam consagrados de rendimento por unidade
de área plantada com as transgênicas. Resta saber qual é, de fato, a redução do
custo da produção agrícola com o uso de sementes transgênicas, ainda que os
agricultores estejam pagando até 5,4 vezes mais do que pelas sementes normais,
na China, para o caso de algodão.
> Os números sobre redução do custo agrícola divulgados pelas imprensas
norte-americana e brasileira são quase sempre reproduções de pessoas dos mais
variados setores que não revelam como chegaram aos dados. A base de cálculo
dessas informações é ignorada.
> Persiste a polêmica a respeito dos alimentos transgênicos e geneticamente
modificados as duas faces da mesma moeda por falta de números e informações
que não deixem dúvidas.
> No Brasil, as sementes transgênicas de soja continuam proibidas, mas nem por
isso a produtividade das lavouras deixa de crescer, graças, até agora, às
cultivares não-transgênicas, desenvolvidas pela pesquisa pública.
> Gazeta Mercantil, 21/02/00
>
> Nota da Redação: Esta seção “Opiniões” tem sido publicada visando abrir o
leque das discussões em curso. Ressaltamos que as opiniões aqui publicadas não
refletem necessariamente a posição do boletim.
>
> 4. Rio Grande do Sul vai recorrer contra a liberação de testes
> O governo gaúcho anunciou ontem que vai recorrer contra a permissão de
continuidade do experimento de milho transgênico, desenvolvido no município de
Coxilha no início de 1999.
> Na liberação definida na última quarta-feira pela 4ª Câmara Cível do
Tribunal de Justiça prevaleceu a tese de que o Estado não tem competência de
legislar sobre a matéria.
> O secretário da Agricultura, José Hermeto Hoffmann, se mostrou irredutível:
“Como o plantio só deve ser iniciado na primavera, temos tempo para derrubar
esta decisão”.
> Zero Hora, 19/02/00
>
> 5. Repercussão do acordo de Montreal
> A Comissão Européia manifestou sua satisfação com o acordo sobre o Protocolo
da Biossegurança, alcançado em Montreal, lembrando que o “princípio da
precaução está fortemente ancorado no texto”.
> “É a primeira vez que se chega a um acordo sobre organismos geneticamente
modificados (OGMs)”, diz um comunicado da comissária para o Meio Ambiente,
Margot Wallstrom. “O acordo de Montreal foi um resultado muito bom”. Wallstrom
diz que a delegação européia gostaria de um texto mais ambicioso, mas deixa
claro que o acordo final “reflete as preocupações da União Européia”.
> Segundo a comissária, as negociações se concentraram na compatibilização do
texto com as regras da Organização Mundial de Comércio (OMC) e, em particular,
que as reservas baseadas em critérios de segurança biológica não representam
obstáculos ao livre comércio. O Protocolo de Montreal vai disciplinar o
comércio internacional de produtos transgênicos, submetendo-o às reservas de
alguns países que alegarem falta de provas suficientes sobre segurança para o
meio ambiente e a saúde
> Jornal do Brasil, 01/02/00
>
> 6.Denúncia: Ovelhas geneticamente modificadas na Nova Zelândia
> A deputada Sue Kedgley, do Partido Verde da Nova Zelândia, denunciou que
10.000 ovelhas geneticamente modificadas para produzir leite com proteínas,
vivem em uma fazenda em Waikato. As ovelhas fazem parte de um teste da empresa
PPL Therapeutics, visando a utilização do leite com fins farmacêuticos. A
deputada disse que se a Nova Zelândia quer ser coerente com o acordo firmado em
Montreal não deve permitir que multinacionais usem o país como laboratório para
a engenharia genética comercial.
> Jornal do Brasil, 01/02/00
>
> 7. Balanço sobre a atuação das multis da biotecnologia
> O Wall Street Journal de 21/12/99 publicou coletânea de matérias sobre os
problemas que as multinacionais passaram a enfrentar em 1999. Após fazer um
histórico da evolução das multis, concluiu:
> Com a controvérsia sobre os OGMs se espalhando pelo mundo e prejudicando as
ações destas nas bolsas, é difícil ver-se estas companhias como uma bom
negócio, apresentando uma pequena lista de razões que explicam o porque estas
empresas se encontram diante de sérios problemas, a saber:
> - Uma ação legal contra o U.S. Food and Drugs Administration (FDA) obrigou a
liberação de documentos do governo que mostram que os cientistas da própria FDA
já haviam expressado sérias dúvidas sobre a segurança dos alimentos
geneticamente modificados mesmo quando a agência norte-americana declarava
publicamente que tais alimentos eram “substancialmente equivalentes” aos
produzidos tradicionalmente. A partir destes documentos, fica claro que a
integridade científica do órgão regulador americano acabou por se comprometer
com intenções políticas a fim de providenciar um “fast track” para a rápida
disseminação em larga escala dos alimentos geneticamente modificados.
> New York Times,01/12/99
> - As companhias de seguro têm-se, sistematicamente, recusado a fazer apólices
cobrindo a responsabilidade de danos causados por OGMs. Steven Suppan, diretor
de pesquisa do Institute for Agriculture and Trade Policy (IATP) em
Minneapolis, afirmou: “Vale a pena perguntar-se sobre que tipo de sistema
regulatório aprova para comercialização uma tecnologia cujos riscos são ainda
desconhecidos e que os produtos desta mesma tecnologia não foram objeto de
seguros? Uma resposta intuitiva é que a rejeição sugere que o “agrobusiness”
dos EUA e o governo do país têm menos confiança do que é proclamado
publicamente sobre a segurança dos produtos.
> Documento não publicado do “National Summit on the Hazard of Genetically
Engineered Foods” em 17/06/99
> - Um crescente volume de publicações começou a mostrar que OGMs estão criando
novos problemas ambientais para os produtores agrícolas, e que as safras de
OGMs estão exacerbando os já sérios problemas dos produtores.
> Esta literatura sumarizada por Charles M. Benbrock pode ser encontrada no
seguinte
> Endereço: http://www.pmac.net
>
> 8. Mais rejeição aos OGMs na Grã Bretanha, mais oportunidade de comércio para
o Brasil
> O mais importante criador de frangos britânico, Sun Valley, filial da
Cargill, afirmou que não utilizará mais a soja OGM para a alimentação de suas
aves. Esta firma, que era o maior mercado para a soja da Monsanto na Europa,
tinha como principais clientes Mc Donalds, Marks & Spencers, Sainburys &
Iceland. Segundo o Greenpeace, a decisão da Sun Valley terá, necessariamente
conseqüências para as fontes de abastecimento da Cargill que poderá ser
obrigada a efetuar suas compras de soja no Brasil, pois somente uma pequena
parte da soja cultivada nos EUA não são geneticamente modificada.
> AgriOnline,02/02/00
>
> 9. Rejeição II
> A Tesco, um dos mais importantes varejistas do Reino Unido, enviou mensagem
aos seus principais fornecedores, Cargill e ADM, para informar-lhes de sua
intenção de obter “uma eliminação completa dos ingredientes geneticamente
modificados da ração animal”. A Tesco enviou delegações ao Brasil e à América
do Norte para planejar seu abastecimento a partir de alimentos não transgênicos.
> The Toronto Star, 24/12/99
>
> 10. Rejeição III
> A número 1 dos biscoitos aperitivos (salgadinhos), Frito Lay, filial da
Pepsi, pediu a seus fornecedores para não mais cultivarem milho transgênico.
> Associated Press, 02/02/00
>
> 12. Agência de Proteção Ambiental (EPA) /EUA sob suspeita
> Em fevereiro de 1999, o Greenpeace e uma coligação de mais 70 outros
reclamantes, inclusive o Center for Food Safety e a Federation Internationale
de l’Agriculture Biologique entraram na justiça contra a Environmental
Protection Agency (EPA) acusando-a de ser responsável pela destruição do mais
importante biopesticida natural, o Bt. Alguns cientistas haviam estimado que
era possível que uma tolerância se produzisse dentro de 3 a 4 anos. O milho Bt,
transgênico, seria também responsável pela morte de larvas da borboleta
monarca. A Corte acaba de considerar a EPA como responsável pela decisão de
legalizar as plantações de OGMs. O Juiz Louis F. Oberdorfer da Corte do
Distrito Federal de Washington ordenou a Agência a responder às acusações
dentro de 2 meses. Além disso, a rejeição ao milho transgênico Bt pelos
consumidores teria causado aos agricultores americanos uma perda de mais de 200
milhões de dólares em exportações.
> Comunicado de Imprensa do Greenpeace,19/01/00
>
> 13. Mais acusações contra a EPA
> O Greenpeace acusa a EPA de ameaçar a saúde pública dando sua aprovação para
a disseminação da bactéria transgênica Rhizobium meliloti. Em 1997, a EPA
aprovou uma cepa geneticamente modificada da bactéria Rhizobium meliloti,
RMBPC-2 contra a opinião de 5 dos 6 cientistas do conselho científico sobre
biotecnologia da EPA (Biotechnology Scientific advesory Committee BSAC).
> Um dos membros, o Dr. Conrad Istock pediu demissão para protestar contra a
decisão. Pouco depois dessa demissão, foram os cientistas da EPA que publicaram
um relatório criticando esta autorização.
> Inf’OGM nº 5
>
> 14. Lançamento de livro sobre transgênicos
> As bancadas do PT na Câmara e no Senado vão lançar um livro que traz os
debates realizados no Seminário Internacional sobre Biodiversidade e
Transgênicos. O lançamento do livro está previsto para depois do carnaval.
>
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http://www.syntonia.com/textos/textosnatural/textosagricultura/apostilatransgeni\
cos
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> http://www.dataterra.org.br/Boletins/boletim_aspta.htm
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> http://www.uol.com.br/idec/campanhas/boletim.htm
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