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De:
Luiz Meira <luizmeira@yahoo.com>
Data: Sex Fev 11, 2000 6:22
pm
Assunto: [gen-ocidio] importação de milho e soja transgênicos
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De:
"Marijane Lisboa" <mlisboa@dialb.greenpeace.org>
Data: Qui Fev 10, 2000 7:10
pm
Assunto: Greempeace denuncia importação de milho transgênico
Para: gmo.brazil@dialb.greempeace.org
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Caros amigos,
Aqui vai mais uma vitória contra os transgênicos!
Um abraço,
Mariana
Greenpeace denuncia chegada ao Brasil
de navio com milho suspeito de ser transgênico
Produto destina-se à Perdigão que já se comprometeu a reexportá-lo
(SP, 10/02/2000) - O Greenpeace detectou a chegada de um navio procedente dos Estados Unidos trazendo 30 mil toneladas de milho suspeito de ser transgênico. O navio, chamado Bulk Star, deve chegar até amanhã no Porto de São Francisco, em Santa Catarina, e sua carga destina-se à Perdigão Agroindústria. A empresa foi alertada pela entidade ambientalista sobre a ilegalidade da importação, uma vez que não foi concedido nenhum tipo de autorização dos órgãos competentes para a compra e comercialização, no Brasil, de organismos geneticamente modificados. (1)
A Perdigão confirmou hoje pela manhã junto aos seus fornecedores que o milho importado dos Estados Unidos não é certificado e que pode conter sementes transgênicas. A empresa comprometeu-se com o Greenpeace a reexportar todo o carregamento.
“A importação deste milho é extremamente preocupante porque um terço da produção de milho norte americana já é geneticamente modificada”, diz Mariana Paoli, da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace. “Naquele país não há normas de segregação e rotulagem que permitam diferenciar as sementes transgênicas das convencionais.”
O Greenpeace acredita que este navio não será o único. Como houve uma quebra na safra de milho brasileiro, a previsão é de que cerca de 1,5 milhão de toneladas do produto precisem ser importadas este ano. “O problema é que os principais exportadores mundiais de milho são Estados Unidos e Argentina, países que plantam largamente sementes transgênicas”, diz Mariana Paoli. “As autoridades brasileiras necessitam urgentemente tomar as medidas cabíveis para alertar os importadores brasileiros sobre a legislação brasileira, comprando apenas grãos não transgênicos.” O Greenpeace já enviou ao Ministro Pratini de Moraes duas comunicações, mas até agora se ignora se as providenciais já foram tomadas.
O Greenpeace encaminhou ao Ministério Público de Santa Catarina uma representação pedindo que o governo inspecione e fiscalize a chegada do navio Bulk Star. As autoridades portuárias e o Ministério da Agricultura já foram igualmente notificados. (2) Em 1997, o Greenpeace já havia tentado impedir o atracamento no mesmo porto do navio Sanko Robust, carregado com soja transgênica comprada pelo Associação Brasileiro de Óleos Vegetais (Abiove). A Associação disse que havia comprado a soja para reexportação. Em seguida, entidade ambientalista obteve liminar na justiça impedindo a entrada de transgênicos no país sem a devida rotulagem. (3)
“Os consumidores devem ter a informação sobre o que estão consumindo”, diz Mariana Paoli. “Importar qualquer tipo de produto transgênico sem a devida certificação representa um grande risco, uma vez que ainda não há estudos suficientes que comprovem a segurança alimentar e ambiental dos organismos geneticamente modificados.”
A ambientalista lembra que o Protocolo de Biossegurança, recém aprovado no Canadá, permite que um país não aceite a importação de transgênicos baseado no princípio da precaução, em razão dos ricos que podem representar para o meio ambiente e a saúde humana. O documento aprovado por 180 países também instituiu a rotulagem obrigatória para qualquer alimento transgênico. No Brasil, as normas sobre rotulagem de transgênicos estarão sob apreciação pública até o fim deste mês.
Mais Informações:
Mariana Paoli, da Campanha de Engenharia Genética do Greenpeace, (11) 3066-1184
Roberto Kishinami, Diretor Executivo do Greenpeace Brasil, (11) 3066-1167 ou 9169-7955
Renato Guimarães, Gerente de Comunicação do Greenpeace Brasil, (11) 3066-1178 ou 9900-7796
Internet: www.greenpeace.org.br
Notas ao Editor
(1) Segundo a Legislação Brasileira, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTN-Bio) deve avaliar todo pedido de importação de organismos transgênicos para o país. Os Ministérios da Agricultura, Meio Ambiente e Saúde, por sua vez, são responsáveis por conceder a autorização. Procurada pelo Greenpeace, a CTN-Bio disse que o pedido parta importação de milho transgênico sequer foi apresentado.
(2) O Greenpeace apresentou a representação à Procuradora da República de Santa Catarina, Dr. Ana Lúcia Hartman. Um comunicado também foi apresentado à Capitania dos Portos de São Francisco do Sul, Delegacia Federal de Agricultura e para o Ministro da Agricultura, Sr. Marcos Vinícius Pratini de Moraes.
(3) Em setembro de 1997, a CTN-Bio autorizou a Associação Brasileira de Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove) a importar soja dos EUA, mesmo considerando que parte dessa soja pudesse ser transgênica. Numa ação de surpresa, o Greenpeace interrompeu a atracagem do navio Sanko Robustus, no porto de São Francisco, em Santa Catarina, para denunciar ao público a entrada de transgênicos no país. Naquela mesma ocasião, a entidade ambientalista entrou com uma ação civil na Justiça Federal pedindo a suspensão da autorização e a segregação e rotulagem dos alimentos eventualmente introduzidos no mercado brasileiro. O juiz Antônio Oswaldo Scarpa, da 6a. Vara do Distrito Federal, concedeu a liminar contra a CTN-Bio, por ter autorizado a importação de soja transgênica norte-americana. O juiz ordenou à CTN-Bio que instrua os fabricantes de alimentos que tiverem utilizado a soja importada a rotulá-los, de modo a garantir o direito de escolha do consumidor.
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