from: asptatransg@ax.apc.org
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POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS
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Car@s Amig@s,
As preocupações com os transgênicos e a segurança
dos alimentos vem ocupando cada vez mais os espaços do cenário
internacional. No final de 1999, foi tema bastante polêmico durante
a reunião da OMC em Seattle. A Comissão Européia e
a OCDE - Organização para a Cooperação e o
Desenvolvimento Econômico estão trabalhando por uma legislação
mais rigorosa em relação as consequências das inovações
biotecnológicas no setor dos alimentos. Esta semana, a regulamentação
das plantas e animais geneticamente modificados está dominando a
cena dos acordos sobre o Protocolo de Biossegurança na reunião
da Convenção das Nações Unidas sobre a Diversidade
Biológica em Montreal-Canadá.
Procuramos, neste número, também dar visibilidade a existência
de alternativas aos transgênicos, como demonstra a rápida
e crescente expansão do mercado de produtos orgânicos no Brasil
e no mundo.
Nesta edição:
1. ONU promove reunião sobre Protocolo de Biossegurança
2. Biotecnologia une OCDE e Europa
3. Insistência
4. Fazendas orgânicas correm perigo devido à fraca regulamentação
dos plantios de OGMs
5. Caindo na real: produtores americanos começam a encarar os
riscos dos transgênicos
6. Estudo canadense questiona a teoria de alta produtividade da canola
modificada
7. Restrições ao plantio de milho transgênico nos
EUA
8. Alternativa aos OGMs em ascensão: orgânicos já
movimentam US$ 20 bilhões/ano
9. Olvebra na contra corrente
10. Rotulagem São Paulo sai na frente
11. Eventos
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1. ONU promove reunião sobre Protocolo de Biossegurança
O Programa Ambiental das Nações Unidas promove esta semana
em Montreal-Canadá, entre os dias 24 e 28 de janeiro, uma reunião
da Convenção sobre a Diversidade Biológica para discutir
a regulamentação de plantas e animais geneticamente modificados.
A intenção é concluir o Protocolo de Biossegurança.
Esta reunião é a continuação do encontro realizado
em Cartagena-Colômbia no ano passado que fracassou devido a recusa
dos Estados Unidos, Canadá, Austrália, Uruguai e Argentina
em firmar o protocolo assinado por 125 outros países.
Cerca de 300 pessoas fizeram uma passeata em Montreal para protestar
contra o uso de organismos geneticamente modificados. Os ativistas do Greenpeace
levantaram uma espiga de milho de 7 metros engolindo borboletas e exibiram
uma faixa com a frase
“Pare de poluição genética, biossegurança
agora!” sobre a entrada principal dos delegados.
Folha de São Paulo, 22/01/00 e Estado de São Paulo, 24/01/00
2. Biotecnologia une OCDE e Europa
A Organização para a Cooperação e Desenvolvimento
Econômico (OCDE) e a Comissão Européia vão trabalhar
estreitamente por uma legislação mais rigorosa para as novidades
biotecnológicas e para reforçar a segurança dos alimentos.
A OCDE vem consultando organizações não-governamentais,
entre elas o Greenpeace e, em data a ser fixada, promoverá seminário
sobre “Segurança dos alimentos transgênicos, fatos,
incertezas e provas”. Enquanto isso, a OCDE está preparando
um informe sobre as implicações da biotecnologia e outros
aspectos da segurança alimentar que deverá ser apresentado
em meados do ano. O estudo incluirá uma norma sobre segurança
dos alimentos obtidos a partir de organismos geneticamente modificados
ou deles derivados.
Jornal do Brasil, 24/01/00
3. Insistência
Dos US$ 800 milhões em investimento programados pela Monsanto,
a partir deste ano e até 2003, US$ 60 milhões são
destinados à construção de um laboratório de
biotecnologia em Uberlândia (MG). A diretoria da empresa informa
que ali serão desenvolvidas sementes geneticamente modificadas de
soja e milho, com características especiais para cultivo no cerrado
brasileiro. A partir de 2001, a empresa pretende lançar no mercado
brasileiro novas variedades de milho e soja transgênicos. Isso se
conseguir liberar o plantio comercial, hoje embargado pela Justiça.
O Estado de São Paulo, 13/01/00
4. Fazendas orgânicas correm perigo devido à fraca regulamentação
dos plantios de OGMs
Um estudo independente encomendado pela Soil Association do Reino Unido
alerta para o risco de que plantas orgânicas contaminadas pelos OGMs
poderiam espalhar-se.
O relatório afirma que, contrariamente ao que é recomendado
pelas indústrias isolamento de 200 metros entre culturas orgânicas
e as geneticamente modificadas sementes de óleo apresentam
vários riscos em relação à polinização
cruzada entre campos. Registrou-se dispersão de pólem até
4 km por insetos algo como 20 vezes superior a distância de
isolamento.
Estas novas evidências contradizem a recomendação
de distâncias de isolamento avalizadas pela equipe das indústrias
encarregadas pelo governo para estabelecer regras sobre a liberação
de OGMs no meio-ambiente.
A Soil Association acredita que as regras vigentes falham em proteger
os produtores orgânicos assim como aqueles produtores convencionais
da poluição transgênica. Patrick Holden, diretor da
Soil Association, diz que a sua proposta de uma zona de 6 milhas deveria
ser aceita imediatamente como condição prévia para
o licenciamento de todos os futuros experimentos.
Amanda Brown,PA News
5.Caindo na real: produtores americanos começam a encarar os
riscos dos transgênicos
Fazendeiros americanos planejam cortar drasticamente suas plantações
de soja, milho e algodão geneticamente modificados, como resposta
à recusa da Europa em aceitar este tipo de alimentos de acordo com
pesquisa feita pela Reuters. Foram entrevistados 400 fazendeiros e as resposta
obtidas mostram que os fazendeiros estão preocupados com a resistência
da União Européia aos organismos geneticamente modificados
que pode resultar num decréscimo no preço e na demanda por
suas colheitas. Eles estão preocupados também com a exigência
de ambientalistas e associações de consumidores sobre a rotulagem
destes produtos.
Os fazendeiros entrevistados disseram que planejam uma redução
de 15% no plantio da soja RoundUp Ready, 22% no de milho RoundUp Ready,
24% para o milho Bt e 26% para o algodão Bt.
Charles Sloan, produtor de soja de Oklahoma, disse que “este
ano será o mais crítico para a agricultura biotecnológica.
Infelizmente, os fazendeiros estão entre o mar e a rocha na medida
em que o mercado torna-se mais arriscado”.
Os fazendeiros entrevistados citaram vários fatores que os fazem
reconsiderar suas intenções de plantar OGMs:
- Consumidores preocupados com
a saúde
- Compradores europeus e asiáticos
oferecendo prêmios maiores para produtos não modificados
geneticamente
- Compradores internacionais exigindo
a custosa e exigente, em disponibilidade de tempo, segregação
entre produtos geneticamente modificados e não geneticamente
modificados
- Sementes GM a preços demasiadamente
altos para um mercado cada vez mais volátil
- Danos aos insetos nos campos
americanos, ano passado.
Reuters
6. Estudo canadense questiona a teoria de alta produtividade da canola
modificada
O estudo coordenado pelo especialista Bob Blackshaw da Agriculture
Canada diz que fazendeiros não terão necessariamente aumentos
de produtividade cultivando canola geneticamente modificada. O estudo realizado
durante dois anos indicam que a canola resistente a herbicidas trouxe maiores
rendimentos do que o método tradicional somente em 60% dos testes
de campo. Segundo o coordenador da pesquisa, estes resultados deveriam
levar os produtores de “Prairie canola” a serem mais
prudentes na decisão sobre qual método usar.
The Montreal Gazette,14/01/99 http://www.montrealgazette.com
7. Restrições ao plantio de milho transgênico nos
EUA
A Environment Protection Agency (EPA) dos EUA impôs novas restrições
ao cultivo de milho geneticamente modificado, respondendo às preocupações
quanto à possibilidade de os OGMs causarem danos ecológicos.
Entre as novas restrições, há uma exigência
de que fazendeiros plantem de 20% a 50% de sua área com milho convencional,
o que levou fazendeiros a afirmarem que seria trabalhoso demais e alguns
especialistas crêem que isto poderia levar a uma diminuição
das plantações utilizando sementes modificadas.
No verão passado, cientistas da Cornell University apresentaram
evidências preliminares de estudos em laboratórios indicando
que o pólen migra para outras plantas e matam as borboletas monarca.
A EPA sugere que os fazendeiros plantem seus campos convencionais em refúgios
que impeçam a migração do pólen.
De acordo com Rebecca Goldburg, cientista do Environment Defense Fund
em declaração sobre as novas posturas disse: “Muitas
das companhias e empresas demonstraram pouco interesse sobre os efeitos
do pólen tóxico sobre as borboletas e o desenvolvimento de
insetos resistentes. Em conseqüência, diversas variedades de
milho modificado foram rejeitadas pelos consumidores europeus e outros
devido às preocupações relativas ao meio ambiente
e à saúde, resultando numa perda de mais de US$ 200 milhões
em exportações no ano passado.
Washington Post, 16/01/00
8. Alternativa aos OGMs em ascensão: orgânicos já
movimentam US$ 20 bilhões/ano
Os alimentos e bebidas orgânicos deverão movimentar este
ano pelo menos US$ 20 bilhões na Europa Ocidental, Estados Unidos
e Japão. Sua parte no total de vendas de alimentos poderá
passar de 1% a 10% até 2005, refletindo a crescente sensibilidade
de consumidores com questões de saúde e meio ambiente
Gazeta Mercantil,18/01/00
9. Olvebra na contra corrente
A Olvebra Industrial S/A vai desenvolver este ano o projeto Soja Orgânica
isenta de resíduos de agrotóxicos ou insumos químicos
- com o objetivo de melhorar a qualidade dos produtos e proporcionar benefícios
aos consumidores. O projeto pioneiro terá a parceria da cooperativa
Cotrimaio, de Três de Maio.
Segundo o gerente Marcelo Schaid, “a intenção
da Olvebra é tornar-se a primeira empresa no Brasil a industrializar
a soja orgânica. No exterior, o consumo dos produtos orgânicos,
livres de insumos químicos, cresce de 20% ao ano”.
Correio do Povo, 21/01/00
10. Rotulagem São Paulo sai na frente
O governo de São Paulo sancionou, no final do ano passado, uma
lei que obriga a rotulagem de produtos transgênicos vendidos no estado,
antes mesmo de o Governo Federal aprovar a comercialização
desse tipo de produto no país.
A lei paulista determina que os produtos transgênicos tenham
a inscrição “alimento geneticamente modificado”
na embalagem. Para alimentos vendidos a granel, o local em que estiverem
expostos terá que ter a mesma inscrição. Já
os produtos que contém qualquer item derivado de organismo transgênico
devem ter a advertência “ contém, na composição,
alimento geneticamente modificado”.
Atenção: ainda está correndo o prazo para enviar
sugestões e críticas sobre o projeto de rotulagem no país.
Participe! O documento para a consulta pública está na página
do Ministério da Justiça http://www.mj.gov.br
Gazeta Mercantil, 18/01/00
11. Eventos
Será realizado na semana de 15 de março, Dia Internacional
do Consumidor uma série de eventos. Além das entidades que
participam da campanha Por um Brasil livre de transgênicos participarão
também o Fórum Nacional das Entidades Civis de Defesa do
Consumidor e da Consumers International. Mais informações
sobre as atividades previstas para este dia podem ser obtidas junto ao
IDEC: idec@uol.com.br
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=> Acesse a Cartilha "POR UM BRASIL LIVRE DE TRANSGÊNICOS" via
Internet
http://www.syntonia.com/textos/textosnatural/textosagricultura/apostilatransgenicos
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http://www.dataterra.org.br/Boletins/boletim_aspta.htm
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