|
Organizações
planejam protestos no Brasil contra alimentos transgênicos
Vanice
Cioccari
SÃO PAULO. O Instituto Brasileiro de Defesa
do Consumidor (Idec) e outras entidades preparam manifestações em nove
capitais do país contra os alimentos geneticamente modificados
(transgênicos) para marcar o Dia Mundial da Alimentação, no próximo sábado.
Para discutir os riscos do cultivo e consumo de transgênicos, o Idec trouxe
ao Brasil o biólogo americano Michael Hansen, diretor da Consumers Union, a
primeira e a maior ONG de defesa do consumidor do mundo, com cinco milhões
de associados.
Hansen acredita que o cultivo de
transgênicos começa a retroceder diante da pressão de cientistas,
ambientalistas e dos próprios agricultores, que constatam na prática que os
resultados do cultivo não são os propagados pelas grandes empresas de
biotecnologia.
- Creio que a grande dificuldade hoje são os
EUA. Mas nos países da União Européia os transgênicos são considerados
mortos. Na Inglaterra, por exemplo, há grandes redes de supermercados que
voluntariamente decidiram identificar no rótulo os produtos transgênicos -
afirmou.
No Brasil, o cultivo de transgênicos está
sob moratória judicial.
Grandes empresas do setor alimentício na
Europa, na Austrália e no Japão anunciaram que não vão fabricar ou vender
produtos transgênicos. É o caso da Nestlé, do Carrefour e da Unilever. Além
disso, segundo Hanson e o Idec, relatório do Deutsch Bank recomenda aos
investidores não investirem em ações de empresas de biotecnologia por causa
da rejeição dos consumidores.
Mesmo nos EUA, Hanson ressalta que aumentou
a pressão da sociedade para que sejam testados e rotulados os transgênicos.
Há duas ações na Justiça americana que devem ser julgadas até o fim do ano.
Uma é contra a Administração de Drogas e Alimentos (FDA, na sigla em
inglês) por ter liberado alimentos transgênicos antes de testá-los. A outra
é contra a EPA, a agência de proteção ambiental dos EUA, por danos ao
ambiente.
De acordo com o diretor da Consumers Union,
a FDA liberou produtos transgênicos para o consumo contrariando a opinião
de cientistas da própria instituição. Hanson denunciou ainda que pelo menos
dois ex-funcionários da Monsanto, empresa de biotecnologia (maior
interessada em explorar o mercado de soja transgênica no Brasil), passaram
ocupar cargos influentes na FDA e tiveram papel decisivo na liberação dos
transgênicos nos EUA. Ele citou o advogado Michael Taylor, que defendeu a
Monsanto, ocupou cargo na área política da FDA e depois voltou à empresa.
|