|
Capítulo 11
_____________________________
_____________________________
_____________________________
Capítulo
11
Endometriose
A endometriose é
uma das mais intrigantes enfermidades que o ginecologista encontra na sua
prática diária. Definida de forma simples como a presença
fora da cavidade uterina de tecido semelhante ao endométrio no aspecto
histológico e funcional, permanece um enigma mesmo já sendo
descrita há mais de um século.
Em 1869, a primeira
descrição da doença foi apresentada por Rokitansky,
a partir da observação em material de necrópsia. Posteriormente,
ocorreram publicações esparsas na literatura mundial, menos
de 20 até 1920. Destacam-se os relatos de Pfannenstiel de 1887 sobre
sua localização em septo reto-vaginal, os de Russel sobre
lesões ovarianas. Entretanto, somente o trabalho de Sampson (1921)
despertou o interesse mundial para a endometriose. Sampson, nos seus informes
determina a endometriose como sendo "a presença ectópica
de tecido que possui estrutura histológica e funcional da mucosa
uterina", além de lançar sua teoria sobre o fator causal.
Durante as últimas
décadas destacaram-se os estudos sobre as diferentes formas de endometriose,
sua alta incidência e principalmente, a descrição das
lesões não pigmentares (Jansen e Russel, 1986). A observação
de implantes endometrióticos microscópicos em peritônio
macroscopicamente normal (Murphy e cols., 1986) sugere que a real incidência
de endometriose pode ser ainda maior que a estimada.
A presença
de células endometriais no fluido peritoneal é um fato extremamente
freqüente (Badawy e cols, 1986; Bartosik e cols., 1986; Kruitwagen
e cols., 1991). Entretanto, a explicação para a implantação
do tecido endometrial em determinadas mulheres ainda é desconhecida.
Recentemente, McLaren
e cols. (1996) descreveram a presença de elevadas concentrações
no fluido peritoneal do fator de crescimento vascular endotelial (FCVE)
nas pacientes com endometriose versus o controle. Ao mesmo tempo, sugeriram
que o FCVE seria crítico para o processo de implantação
do tecido endometrial no peritônio.
Atualmente, existe
a hipótese Koninckx (1994) de que a endometriose superficial não
é uma doença, mas um fenômeno habitual na pelvis da
mulher, onde implantações ou metaplasias são estimuladas,
inibidas ou eliminadas periodicamente. Entretanto, na falha de um possível
sistema imunológico local de proteção, instala-se
a doença endometriótica nas formas penetrantes dos septos
reto-vaginais, adenomiose ou no ovário, com a formação
de endometriomas. |
A endometriose afeta
mulheres no menacme, com maior incidência na 3ª década
de vida. Na pós-menopausa é raro o seu achado, como também
no período da infância ou adolescência, sendo relacionada
nestes últimos a presença de malformações uterinas.
Associa-se a endometriose com a raça e as condições
sócio-econômicas das pacientes, afetando mais as mulheres
brancas e de melhor nível social. Por outro lado, é interessante
notar a propensão das nulíparas em apresentar esta enfermidade,
fato que realça as seguintes teorias : 1. o intervalo de tempo,
voluntário ou não, sem ocorrência de gestação
teria influência no surgimento da endometriose; 2. a endometriose
é um fator de infertilidade. A frequência de endometriose
nas pacientes com infertilidade varia de 2% a 50%, de acordo com diferentes
autores e a forma de estudo da população (Sangi-Haghpeykar
e Poindexter, 1995).
Quase todos os trabalhos
publicados sobre a endometriose fornecem números estatísticos
que devem ser entendidos de maneira crítica. Os dados de muitos
destes estudos derivam de populações heterogêneas,
sendo os padrões de classificação da endometriose
quase sempre diferentes, tornando a comparação entre elas
uma prática difícil. As questões sobre a incidência
também dependem das técnicas mais comumente utilizadas na
propedêutica desta patologia, em sua maioria cirúrgicas (laparoscopia
ou laparotomia). A menos que um método confiável e não
invasivo seja desenvolvido para o diagnóstico, os reais números
da incidência da endometriose permanecerão sempre em dúvida. |
A gênese da
endometriose não é completamente entendida, desconhecendo-se
a origem exata do endométrio ectópico. Em geral, existem
discussões desde os trabalhos de Sampson e novas teorias têm
sido acrescidas. As principais são :
1. Regurgitação
transtubária do material menstrual - A teoria original de Sampson
sugere eliminação através das tubas de material endometrial
viável, que teria capacidade de implantação e, conseqüentemente,
de originar endometriose. Esta teoria é reforçada pelos seguintes
achados : presença de sangue na cavidade peritoneal durante laparoscopias
feitas no período menstrual, aumento na ocorrência de endometriose
em pacientes com malformações atrésicas da genitália,
hipotonia da junção útero-tubária e a evidência
de que o tecido endometrial reflui para a cavidade abdominal com mais freqüência
em mulheres com endometriose do que em controles normais.
2. Metaplasia celômica
- Sugere que o endométrio ectópico se desenvolve em resposta
a estímulos anormais de diferenciação do epitélio
celômico, tecido do qual derivam a mucosa de quase todo o trato genital
e o epitélio germinativo.
3. Disseminação
linfática ou sangüínea - Tenta explicar a endometriose,
principalmente aquela que acomete orgãos mais distantes, propondo
uma possível disseminação de material endometrial
por meio de vasos linfáticos ou sanguíneos.
4. Deficiência
imunológica - Propõe que alterações no sistema
imunitário possibilita o desenvolvimento de endometriose. Na literatura,
descreve-se nas mulheres com endometriose, uma deficiência na imunidade
celular, na habilidade de reconhecer o material endometrial e uma diminuição
da citotoxicidade mediada por células T, para antígenos do
tecido endometrial (Olive e cols., 1985; Oosterlynck e cols., 1992). Além
disso, alguns pesquisadores sugerem que a regurgitação tubária
e a alteração da imunidade seriam importantes fatores etiológicos
da endometriose.
5. Herança
genética - Alguns autores têm publicado sobre a tendência
familiar da endometriose, sugerindo um modelo de transmissão poligênica.
Todas as hipóteses
acima permanecem somente no campo especulativo, com defensores e detratores
de cada uma. É provável que a origem da endometriose seja
também uma questão multifacetada para a qual uma explicação
única não será suficiente.III |
Toda classificação
tem por finalidade a uniformização nos padrões de
linguagem sobre determinada patologia, o que torna possível agrupar
casos, traçar esquemas terapêuticos e prognosticar. Houve,
no decorrer desse século, uma gradativa modificação
na classificação de endometriose, influenciada por vários
fatores, principalmente a capacidade diagnóstica, sendo esta sempre
um reflexo da tecnologia disponível em cada período.
O sistema mais recente
e que está sendo largamente utilizado é o da Sociedade Americana
de Fertilidade (American Fertility Society, 1985) em sua versão
revisada (R-RAFS). O princípio fundamental desta classificação
é fornecer um método direto e universal para descrever a
severidade da doença visualizada, utilizando um escore de pontos
que indicará o estágio da doença e ajudará
o médico na escolha da terapia mais apropriada para cada caso em
particular. A observação de implantes endometriais microscópicos
em peritônio macroscopicamente normal, dificulta a estimativa real
da presença de endometriose por qualquer metodologia (Murphy e cols,
1986).
Apesar da R-FSA
ser o sistema mais usado na literatura atual, críticas a ela são
feitas, principalmente quanto ao seu aspecto pouco prático. |
| Tratamento
da endometriose |
| Manejo
cirúrgico da endometriose.
O manejo cirúrgico
da endometriose envolve uma identificação visual e
a ablação (ou excisão) do implante endometriótico.
A endometriose varia amplamente na sua aparência visual correta.
A aparência "típica" da endometriose é de uma lesão
azul-escura ou negra, similar a uma vesícula com sangue. Com o advento
da laparoscopia e do uso liberal de biópsias peritoneais em áreas
com aparências anormais, tornou-se verdade o fato de que a maioria
dos implantes endometriais não possue a chamada aparência
"típica". Mais do que 20 diferentes tipos morfológicos de
implantes endometriais têm sido descritos, incluindo lesões
cicatriciais brancas e vesículas claras (Jansen e Russell, 1986).
Uma correta observação das lesões levará a
um correto estadiamento da doença bem como de uma melhor abordagem
terapêutica.
Balasch e cols.
(1996) realizaram laparoscopia em pacientes divididas segundo os seguintes
grupos : I - pacientes inférteis : 52 casos; II - pacientes com
dor pélvica crônica : 18 casos; III - pacientes submetidas
`a esterilização tubária : 30 casos. Nesses casos,
uma biópsia sempre foi executada no peritônio do ligamento
útero-sacro em área com visualização normal.
A laparoscopia evidênciou endometriose pélvica no grupo I
em 50% dos casos, no grupo II em 44% e no grupo III em 43%. No grupo I,
a endometriose no estádio I esteve presente em 80% das pacientes,
no grupo II em 87% e no grupo III em 100% dos casos. A endometriose foi
detectada em área normal pela biópsia do útero-sacro
no grupo I em 5.7% das pacientes, no grupo II em 11% e no grupo III em
10% dos casos. Em resumo, esse estudo evidênciou uma alta prevalência
de endometriose (45% - 50% dos casos) em pacientes assintomáticas
(férteis ou inférteis) e com dor pélvica crônica.
A laparoscopia é
útil, tanto no diagnóstico, como no tratamento cirúrgico
da endometriose. A utilização da videolaparoscopia operatória
no tratamento da endometriose oferece diversas vantagens sobre o tratamento
através de laparotomia. Com o tratamento laparoscópio há
uma diminuição na morbidade pós-operatória,
um menor período de internação hospitalar com redução
nos custos e a possibilidade do tratamento ser realizado no momento do
diagnóstico.
A abordagem videolaparoscópica
reduz a formação de aderências quando comparada com
a laparotomia (Nezhat e cols.,
1990). No tratamento
da endometriose um bom julgamento clínico na seleção
entre laparoscopia ou laparotomia é importante para maximizar a
freqüência do alívio da dor e/ou da subseqüente
gravidez.
O tratamento cirúrgico
da endometriose envolve tanto a excisão (ou ablação)
de implantes endometrióticos em pacientes com anatomia pélvica
normal, bem como a excisão de implantes endometrióticos e
correções das distorsões anatômicas acarretadas
pela patologia. O tratamento da endometriose superficial é realizado
com o uso de eletrocautério, endocoagulação ou laser.
Todos os métodos
atualmente utilizados podem remover os implantes endometrióticos.
Variações nas taxas de sucesso relatadas na literatura estão
provavelmente mais relacionadas com a acuracidade na identificação
da endometriose, habilidade do cirurgião e no método estatístico
empregado, do que com o tipo de modalidade utilizada para tratar a endometriose
superficial. As distorções anatômicas causadas pela
endometriose podem também ser tratadas por vídeolaparoscopia
através de novos equipamentos cirúrgicos.
Os procedimentos
que requerem a exposição de campo cirúrgico providenciada
pela laparotomia incluem a ressecção vesical, neurectomia
pré-sacral e ablação ou excisão de implantes
endometriais que não podem ser isolados com segurança das
estruturas vitais. O papel da laparoscopia e laparotomia no tratamento
de grandes endometriomas e na reconstrução tubária
são campos atualmente sujeitos a discussões. A ablação
de endometriose peritoneal, adesiólises, ooforectomia, salpingectomia
e cistectomia de ovário freqüentemente podem ser efetuadas
por videolaparoscopia.
Na laparotomia,
as lesões endometrióticas são comumente eletrocoaguladas
ou excisadas, mas alguns cirurgiões preferem usar o laser de mão.
Todas estas modalidades
de tratamento trabalham através da geração de calor.
Durante a coagulação, o calor desnatura as proteínas
incluindo enzimas e DNA. A vaporização ocorre quando a temperatura
excede a 100ºC, o qual resulta em conversão de água
em vapor com um aumento no volume de 1670 vezes. Este dramático
aumento resulta em energia mecânica que leva a separação
e destruição de tecidos.
A ablação
seletiva das lesões endometrióticas com preservação
dos tecidos saudáveis é o objetivo primário no tratamento
da endometriose superficial. As cirurgias tidas como definitivas, apologia
do tratamento da endometriose no passado, têm atualmente sua execussão
limitada. Baseia-se na exérese dos ovários (como forma de
cessar definitivamente o estímulo hormonal), na ressecção
dos implantes endometrióticos e na histerectomia. Encontraria aplicação
em casos onde a doença provocou uma maior destruição
e deformação anatômica, como na situação
de grandes endometriomas ou outras massas anexiais, envolvimento de outros
orgãos como a bexiga, ureter ou intestino. Uma outra indicação,
seria em casos de dor incapacitante e intratável com outros esquemas
terapêuticos.
Endometrioma.
Habitualmente, o
diagnóstico do cisto ovariano endometrial é realizado pela
visualização e aspiração. Entretanto, a presença
de conteúdo chocolate também pode ser encontrada em outras
patologias como o cisto de corpo lúteo e até em alguns cistos
neoplásicos. Geralmente, a biópsia do endometrioma deve ser
sempre executada, apesar de freqüentemente o exame do material revelar
apenas tecido fibroso (Fayes e cols., 1991). A localização
endoscópica do implante endometrial intracístico poderá
ser efetuada através de um histeroscópio de Hamou, tal cuidado
faz com que ocorra a descoberta de tecido endometrial em 82% das vezes,
contra 42% quando a biópsia é realizada sem controle. As
lesões vermelhas foram altamente sugestivas para a presença
de implante mucoso (Brosens e cols., 1994).
A aspiração
transvaginal guiada pela ultra-sonografia é outro tipo de abordagem
que pode ser utilizada na terapia dos endometriomas de ovário.É
uma técnica segura, de fácil realização, sendo
importante no manuseio de endometriomas recorrentes, pois conserva o tecido
ovariano sadio.
Contudo, existem
poucos trabalhos comparando a ressecção do endometrioma versus
sua simples aspiração. Donnez e cols. (1994) avaliaram o
papel da terapia com análogos de GnRH (GnRH-a) e/ou drenagem dos
endometriomas. Um total de 80 pacientes inférteis foram submetidas
a uma drenagem laparoscópica de endometriomas. Em seguida, no grupo
I (n=40) as pacientes não realizaram qualquer tratamento. No grupo
II (n=40) as pacientes receberam GnRH-a pelo período de 12 semanas.
Uma nova laparoscopia foi executada após 12 semanas. No grupo I,
observou-se uma rápida recorrência do cisto endometrial, o
escore e o tamanho dos cistos foram similares aos observados antes da primeira
laparoscopia. No grupo II, verificou-se uma significativa diminuição
no escore e no diâmetro do cisto observado. A drenagem simples foi
ineficiente, porém a drenagem seguida de GnRH provocou redução
do tamanho dos cistos e da atividade glandular mitótica em 40% dos
casos.
Por outro lado,
Zanetta e cols. (1995) executaram um total de 209 aspiração
de endometrioma, o exame ultra-sonográfico de controle após
2 meses mostrou persistência do cisto em quase todos os casos (apenas
em 4 casos houve desaparecimento do cisto).
Donnez e cols. (1996)
trataram um total de 814 pacientes com endometriomas maiores que 3 cm,
através de GnRH-a, e vaporização das paredes internas,
relatando uma taxa de recidiva de 8%.
Manuseio
clínico da endometriose.
O endométrio
normal e os implantes endometriais apresentam três classes de receptores
hormonais esteróides : receptores estrogênicos, progesterônicos
e androgênicos. Assim sendo, pode ocorrer uma série de possíveis
resposta ao endométrio, destacando-se : 1. estados hipoestrogênicos
que resultam em atrofia; 2. estados hiperandrogênicos que também
produzem atrofia; 3. doses farmacológicas de progestagênios
que levam a atrofia endometrial em meio hipoestrogênico (Saltiel
e Garabedian-Ruffalo, 1991). Os padrões de resposta aos estímulos
hormonais descritos formam as bases para o tratamento clínico da
endometriose (Oliveira e cols., 1991a)
Indução
de uma pseudogravidez.
Em 1958, Kistner
estabeleceu o primeiro regime de pseudogravidez para o tratamento da endometriose.
A terapia hormonal elimina as repetidas variações cíclicas
de estrógenos e progesterona ovariana, que estimulam o periódico
crescimento e desintegração do endométrio ectópico.
O uso das combinações anticoncepcionais orais de alta dosagem
foram efetivas na melhora da dismenorréia e da algia pélvica,
entretanto, os efeitos colaterais freqüentemente levavam `a descontinuação
da terapia. Entre estes efeitos colaterais, foram relatados a "distensão"
abdominal e mastalgia em cerca de 100% das usuárias. Logo foi descoberto
que as pílulas combinadas e de baixa dosagem, eram igualmente eficazes
e estavam associadas com uma menor freqüência de efeitos colaterais.
Qualquer combinação que contenha etinil-estradiol entre 30
a 35 g pode ser utilizada. O tratamento é iniciado com um comprimido
diário, aumentando-se a dose para dois comprimidos diariamente,
no caso de sangramento de escape. O objetivo desta terapia é a amenorréia,
sendo que a terapia deverá ser mantida por 6 a 9 meses. Na fisiopatologia
desta terapia, observa-se uma decidualização, necrobiose
e reabsorção do tecido endometriótico.
A utilização
de progestagênios de forma contínua também pode ser
empregada com menor incidência de efeitos colaterais do que a associação
estrógeno-progesterona. O acetato de medroxi-progesterona dado oralmente
na dose de 20 a 100mg/dia ou intramuscular na apresentação
de depósito (100mg cada 15 dias) é freqüentemente utilizado.
Recentemente, a gestrinona, um derivado sintético da 19-nortestosterona
tem sido usado para o tratamento da endometriose com resultados favoráveis.
Por outro lado, mostraram-se efetivas dosagens variando de 1.25mg duas
vezes por semana a 2.5 mg três vezes por semana.
Os efeitos colaterais
de todos os regimes que levam a uma pseudogravidez são freqüentemente
problemáticos e incluem a retenção de água,
ganho de peso, pele oleosa e menos freqüentemente hirsutismo. Em cerca
de 40% das pacientes podem ocorrer náuseas, mas usualmente melhoram
em poucos dias. O sangramento vaginal de escape foi relatado em 25% das
pacientes que usam terapia com progestágenos, sendo uma correção
indicada a adição de etinil-estradiol na dose de 20-30 g/dia.
O objetivo do regime
de pseudogravidez é induzir um endométrio adinâmico
sem mudanças cíclicas e sangramento. Entretanto, estes agentes
podem estimular um crescimento endometrial, ocorrendo um aumento da dor,
nas primeiras 2 ou 3 semanas de tratamento. Esta forma de terapia hormonal
é mais barata do que outras formas de tratamento clínico,
mas as complicações do uso contínuo de contraceptivos
orais combinados (tromboembolismo, etc) devem ser consideradas antes da
seleção desta terapia para o tratamento da endometriose.
O uso de agentes
progestacionais isoladamente reduz os riscos do tromboembolismo. Entretanto,
o efeito destes na supressão da função hipotalâmica
e ovariana são menos eficazes do que na terapia associada. O uso
do acetato de medroxiprogesterona pode ser útil em mulheres mais
idosas não interessadas em engravidar e naquelas que a cirurgia
está contraindicada. Entretanto, devido a amenorréia prolongada
que pode ocorrer após o tratamento, ela não é recomendada
em mulheres que desejam engravidar.
Indução
de uma pseudomenopausa com hiperandrogenismo.
A pseudomenopausa
com hiperandrogenismo é obtida através do danazol que é
um derivado da 17-etiniltestosterona. A farmacologia do danazol é
melhor compreendida pelo exame de sua interação com duas
classes de proteínas : receptores de hormônios esteróides
e enzimas da esteroidogênese. Os hormônios esteróides
produzem seus efeitos biológicos pela ligação com
receptores intranucleares. Esta interação do esteróide
com o receptor pode resultar em estimulação (ação
agonista) ou inibição (ação antagonista) do
efeito biológico ou produzir uma resposta mista. O danazol liga-se
aos receptores androgênicos. além disso é um agonista
androgênico. Isto não é de se surpreender já
que ele é um derivado da testosterona. Por outro lado, o danazol
também liga-se a receptores de progesterona, produzindo um efeito
misto, agonista e antagonista. Todavia, não possui efeitos estrogênicos,
já que não se liga aos receptores específicos de estrógenos.
O danazol também liga-se às proteínas transportadoras
dos hormônios sexuais (SHBG), resultando num marcado aumento da testosterona
livre. O efeito androgênico pode ser então atribuído
tanto pelas suas propriedades inerentes, como pela habilidade de aumentar
a testosterona livre.
O danazol inibe
múltiplas enzimas da esteroidogênese, incluindo a 17-alfa
hidroxilase, 17-20 desmolase e a 3 beta-hidroxidesidrogenase. Nas mulheres,
estes efeitos inibem a produção ovariana de estrógenos.
Em resumo, o danazol é eficaz no tratamento da endometriose por
produzir um efeito androgênico, o qual resulta na atrofia dos implantes
endometrióticos.
O danazol pode participar
do tratamento da endometriose com outras ações : inibição
do hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH) por ação
direta na hipófise ou por um efeito na resposta imunológica
pela supressão de autoanticorpos.
O tratamento deve
se iniciar no primeiro dia de um fluxo menstrual normal. Se o tratamento
inicia-se posteriormente, a supressão ovariana pode ser incompleta,
resultando em sangramento anormal ou escape da ovulação,
com a possibilidade de gravidez e efeitos teratogênicos sobre o concepto.
O danazol na dosagem
de 200 mg/dia produz melhora da sintomatologia na maioria das pacientes
com endometriose. Contudo, doses de 400 mg/dia são requeridas para
se induzir a amenorréia. A parada das menstruações
e a concentração plasmática do estradiol são
bons parâmetros para se monitorizar o tratamento (Barbieri, 1982).
Os efeitos colaterais
principais encontrados com a terapia com o danazol são o ganho de
peso, edema, diminuição do tamanho das mamas, acne, pele
oleosa, hirsutismo, alteração no timbre da voz, cefaléia,
ondas de calor, mudanças no libido e caimbras. Geralmente, 75% das
pacientes apresentarão um, ou
mais efeitos colaterais,
com o uso do danazol.
O danazol é
metabolizado pela via hepática, tendo sido relatado que poderia
provocar um aumento das transaminases, sendo sua administração
contra-indicada em pacientes com disfunção hepática.
Indução
de pseudomenopausa com hipoestrogenismo.
A indução
de pseudomenopausa com hipoestrogenismo é obtida com a utilização
de análogos do hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH-a).
O GnRH é
um decapeptídeo hipotalâmico que controla a secreção
hipofisária do hormônio luteinizante (LH) e do hormônio
folículo estimulante (FSH). Na fase folicular do ciclo menstrual,
o GnRH é secretado pelo hipotálamo de maneira pulsátil
na freqüência de 1 pulso por hora. A resposta hipofisária
do GnRH depende em grande parte da frequência dos pulsos. Este hormônio
possui uma meia-vida curta devido a rápida degradação
do decapeptídeo pelas endopeptidases. Através de alterações
químicas dos aminoácidos nas posições 6 e 10,
derivados sintéticos do GnRH podem ser produzidos, com duas interessantes
propriedades : alta afinidade aos receptores hipofisários de GnRH,
e uma meia-vida longa devido a sua resistência ao processo de degradação
pelas peptidases.
Inicialmente, muitos
investigadores acreditavam que os derivados sintéticos do GnRH poderiam
ser superagonistas e potentes estimuladores da fertilidade. Entretanto,
os GnRH-a provaram ser um potente inibidor da função gonadal.
Numa primeira fase,
sua administração causa um transitório aumento na
produção de LH e FSH pela hipófise (flare-up), seguido
de um dramático e sustentado decréscimo na produção
do LH e FSH. O decréscimo nos níveis de LH e FSH resulta
numa parada da atividade gonadal, e as concentrações circulantes
de estradiol decrescem para níveis iguais aos observados na menopausa.
Em nível
molecular, diversos GnRH-a (leuprolide, nafarelin, buserelin, goserelin,
triptorelin) estão disponíveis para o uso clínico.
Não há evidências de que algum GnRH-a seja superior
aos outros. Estes agentes podem ser administrados por injeções
intramuscular de depósito mensal, ou em doses diárias, pela
via subcutânea ou "spray" nasal.
O efeito farmacológico
dos GnRH-a na terapia da endometriose baseia-se no declínio dos
níveis de estradiol acarretando uma atrofia dos implantes endometrióticos.
Grande parte dos efeitos colaterais desta medicação é
decorrente deste hipoestrogenismo : ondas de calor, perda óssea,
atrofia dos tecidos genitais e diminuição da libido. Durante
seis meses de terapia, a perda óssea é em torno de 1%. Entretanto,
exceto em condições especiais, o uso de agonistas por um
período superior a um ano deve ser evitado.
Atualmente, alguns
grupos procuram adicionar progestágenos (acetato de medroxiprogesterona
: 10 a 20 mg por dia, ou norethindrone 0.35 a 3.5 mg por dia) durante o
tratamento com GnRH-a com a finalidade de diminuir os efeitos colaterais
provenientes do hipoestrogenismo, e diminuir o processo de perda óssea
(Lemay e cols., 1994).
Em 1996, Mäkäräinen
e cols. trataram com GnRH-a (goserelin) 38 pacientes com diagnóstico
comprovado de endometriose por laparoscopia. O estudo foi duplo-cego e
randomizado, administrando-se acetato de medroxiprogesterona (100 mg por
dia) para 19 pacientes e placebo para as restantes. Os efeitos hipoestrogênicos
e de reabsorção óssea derivados do uso de GnRH-a foram
reduzidos pelo emprego da medroxiprogesterona. Da mesma forma, Lindsay
e cols. (1996) empregaram a tibolona na dose de 2.5 mg associado com GnRH-a
no tratamento da endometriose. Os sintomas vasomotores e a redução
da perda óssea foram reduzidos com essa estratégia.
Terapia hormonal
da endometriose e perda óssea.
Dochi e cols. (1994)
realizaram um estudo com grupo-controle, com a finalidade de esclarecer
a hipótese de que as pacientes com endometriose poderiam apresentar
uma densidade óssea baixa (Comite e cols., 1989), e conseqüentemente,
serem de risco para desenvolver osteoporose na menopausa. Os dados obtidos
mostraram que a densidade óssea da coluna lombar (L2-L4), do femur
proximal, e corporal total não foi diferente do grupo-controle.
Os resultados não confirmam a hipótese de que as mulheres
com endometriose possuem densidade óssea baixa. |
| Etiopatogenia
da infertilidade pela endometriose |
Não é
difícil concluir que nos casos mais graves, em que observam-se importantes
alterações da anatomia pélvica, exista uma clara associação
da endometriose com infertilidade. Nestes casos, a fibrose, aderências,
grandes destruições ovarianas nos dão uma explicação
com base mecânica.
Os graus mais leves
da endometriose (R-AFS : escores 15) também poderiam estar relacionados
com infertilidade, principalmente quando não se encontra outro fator
causal. Vários autores sugerem esta relação, baseando-se
no fato de ser a endometriose relativamente freqüente em mulheres
inférteis (20%-40%). A exata explicação da associação
se realmente existe, permanece ainda desconhecida, não podendo ser
entendida no ambiente puramente físico.
A seguir estão
listadas algumas das tentativas de explicar a relação entre
infertilidade e endometriose, principalmente nos estágios mínimo
e leve (Mahmood e Templeton, 1990).
Alterações
da função ovariana
a. Anormalidades
da fase folicular - existem relatos sobre alterações na primeira
fase do ciclo menstrual em mulheres com endometriose : diminuição
urinária de estriol e pico de LH anormal.
b. Síndrome
de luteinização do folículo não roto (LUF)
- A análise ultra-sonográfica detectou LUF nas pacientes
com diagnóstico de endometriose entre 4 a 34% dos casos. A síndrome
do folículo não roto e luteinizado, foi proposta como um
fator facilitador para o desenvolvimento da endometriose (Koninckx e cols.,
1980), uma vez que a concentração de progesterona no fluido
peritoneal era muito inferior a obtida nas mulhertes ovulatórias.
Acredita-se que a presença de concentrações altas
de progesterona no fluido normal poderia dificultar a implantação,
a sobrevida e a proliferação das células endometriais
regurgitadas da cavidade uterina.
c. Fase lútea
deficiente - A deficiência do corpo lúteo poderia ser um dos
mecanismos pelo qual a endometriose leva à infertilidade. A incidência
dessa associação seria ao redor de 44%. Recentemente, vários
estudos reafirmam esta correlação, utilizando-se um ou mais
dos critérios diagnósticos para a deficiência de fase
lútea : curva de temperatura basal, duração da fase
lútea, dosagens de progesterona e biópsia de endométrio.
Entretanto, outros trabalhos observaram produção normal de
progesterona pela corpo lúteo. Dessa forma, questiona-se a deficiência
de corpo lúteo como um caminho importante pelo qual a endometriose
induz a infertilidade.
d. Anovulação
- em média 10% das mulheres com infertilidade e endometriose possuem
ciclos anovulatórios. A exata explicação para essa
associação permanece desconhecida, mas as prostaglandinas
e outras substâncias do tecido endometrial, têm efeito sobre
a função ovariana e poderiam causar anovulação.
Hiperprolactinemia
A hiperprolactinemia
foi associada com formas mais brandas de endometriose. Entretanto, este
fato nem sempre é confirmado
Ambiente peritoneal
:
a. O conteúdo
de prostaglandinas no líquido peritoneal poderia intervir com a
ovulação, alterar a mobilidade tubária agindo na musculatura
lisa e prejudicando o transporte de gametas e mesmo de embriões,
ou até mesmo alterar a função do corpo lúteo.
Esta elevação também acarretaria efeito nocivo sobre
o embrião em seus estágios iniciais.
b. Atividade dos
macrófagos - Alguns estudos mostraram elevação
do conteúdo
total de macrófagos no líquido peritoneal em pacientes com
endometriose. Este aumento do número de macrófagos no líquido
peritoneal estaria relacionado com um aumento na fagocitose dos espermatozóides,
prejudicando a sobrevida, a motilidade, e o transporte dos espermatozóides,
além de alterar a captação dos oócitos pelas
fímbrias, a fertilização e a sobrevivência de
embriões em estágios finais (Soldat e cols., 1989).
Fenômeno
auto imune :
Os trabalhos que
procuram evidenciar o componente auto-imunitário da endometriose
especula a possibilidade deste mecanismo também atuar sobre o processo
de fertilização e implantação. Porém,
este ponto permanece no campo teórico. |
| Tratamento
da infertilidade em pacientes com endometriose pelas técnicas de
reprodução assistida |
Atualmente, acredita-se
que a endometriose nos estágios mínimo e leve, não
é causa de infertilidade, já que sua erradicação
deveria elevar a freqüência de gravidez para níveis normais.
Entretanto, os dados da literatura não comprovaram esta hipótese,
pois os diversos tipos de tratamento da endometriose não modificaram
significativamente a freqüência de gestação em
relação ao controle.
Koninckx (1994)
acredita que não se deve considerar a endometriose mínima
ou leve como uma doença.
Habitualmente, ocorrem
divergências quanto a indicação das técnicas
de reprodução assistida, na situação em que
a presença de endometriose não esteja causando distorções
nas trompas. Nesse caso, alguns preferem a estimulação ovariana
seguida de inseminação artificial com o esperma do marido
(Kim e cols., 1996). Para outros, a técnica de transferência
intratubária de gametas seria a melhor alternativa terapêutica,
particularmente nas pacientes com estádios mais leves de endometriose.
Em geral, nas pacientes
com endometriose mínima e leve, os resultados com o emprego da técnica
de FIV são semelhantes aos observados nas pacientes sem endometriose
(Chillik e cols., 1985; Matson e Yovich, 1986). Naquelas pacientes com
endometriose moderada e severa a aplicação da técnica
de FIV pode apresentar resultados ruins (Chillik e cols., 1985; Matson
e Yovich, 1986). Por outro lado, segundo alguns autores os resultados com
FIV são semelhantes nos diferentes estágios de evolução
da doença (Inoue e cols., 1992; Curtis e cols., 1993). Da mesma
forma, Geber e cols. (1995) não observaram diferenças na
frequência de gestação e aborto após FIV entre
as pacientes com endometriose em seus diferentes estádios. Além
disso, a incidência de aborto foi de apenas 3.9% na população
estudada.
Olivennes e cols.
(1995) não observaram qualquer diferença quanto ao prognóstico
de gestação por FIV entre as pacientes em diferentes estádios
da endometriose, e aquelas controle, com lesões tubárias
de causa mecânica.
Entretanto, Simon
e cols (1994) relataram que em todos os estádios da endometriose,
a aplicação da técnica de FIV apresentou performance
inferior (redução significativa das taxas de gestação
e implantação) quando comparada com os casos de infertilidade
tubária de outra causa. Da mesma forma, quando analisaram os dados
do programa de doação de oócitos, verificaram que
as pacientes que receberam óvulos de doadoras com endometriose ovariana
mostraram uma taxa baixa de implantação embrionária
quando comparadas com controles sem patologia ovariana.
Wardle e cols (1986)
referiram que um bloqueio prévio com danazol ou gestrinona (6 a
9 meses) provocaria com a aplicação subseqüente da técnica
de FIV, um aumento da taxa de fertilização e implantação
embrionária.
Os resultados do
tratamento da endometriose com o emprego da técnica de FIV no Centro
de Reprodução Humana da Fundação da Maternidade
Sinhá Junqueira são semelhantes aos obtidos em outras séries
onde a indicação de FIV não tenha sido endometriose
(Tabela 11.1). |
Tabela 11.1
Resultados
do tratamento de pacientes
com endometriose
pela técnica de fertilização "in vitro"
| Número de
ciclos |
70 |
| Idade |
31.6+/-3.8 |
| Duração
da infertilidade |
5.8+/-3.6 |
| Número de
oócitos colhidos |
5.8+/-3.1 |
| Taxa de fertilização |
63+/-35% |
| Número médio
de embriões transferidos |
2.6+/-1.7 |
| Falha total na fertilização |
12% |
| Taxa de gestação
por punção |
26% |
| Taxa de aborto |
28% |
| Taxa de implantação |
12% |
| Referências
bibliográficas: |
| American Fertility
Society. Revised American Fertility Society Classification of Endometriosis
: 1985. Fertil. Steril., 43 : 351-352, 1985.
Badawy S.Z.A., Cuenza
V., Marshall L., Munchback R., Rinas A.C., Cobles D.A. - Cellular components
in peritoneal fluid in infertile patients with and without endometriosis.
Fertil. Steril., 42 : 704-708, 1986.
Balasch J., Creus
M., Fábregues F., Carmona F., Ordi J., Martinez-Román S.,
Vanrell J.A. - Visible and non-visible endometriosis at laparoscopy in
fertile and infertile women and in patients with chronic pelvic pain :
a prospective study. Hum. Reprod., 11 : 387-391, 1996.
Barbieri R.L., Evans
S., Kistner R.W. - Danazol in the treatment of endometrioses : analysis
of 100 cases with a 4 year follow up. Fertil. Steril., 37 : 737-746, 1982.
Barbieri R.L. - Hormonal
treatment of endometriosis. Drugs., 39 : 502- 510, 1990.
Bartosik D., Jacobs
S.L., Kelly L.J. - Endometrial tissue in peritoneal fluid. Fertil. Steril.,
46 : 796-800, 1986.
Brosens I.A., Puttemans
P.J., Deprest J. - The endoscopic localization of endometrial implants
in the ovarian chocolate cyst. Fertil. Steril., 61 : 1034-1038, 1994.
Chillik C.F., Acosta
A.A., Garcia J.E., Perera S., Uem J.F.H., Rosenwaks Z., Jones H.W. - The
role of in vitro fertilization in infertile patients with endometriosis.
Fertil. Steril., 44 : 56-61, 1985.
Comite F., Delman
M., Hutchinson-Williams K., DeCherney A.H., Jensen P. - Reduced bone mass
in reproductive-aged women with endometriosis. J. Clin. Endocrinol. Metab.,
69 : 837-842, 1989.
Curtis P., Jackson
A., Bernard A., Shaw R.W. - Pretreatment with gonadotrophin releasing hormone
(GnRH) analogue prior to in vitro fertilization for patients with endometriosis.
Eur. J. Obstet. Gynecol. Reprod. Biol., 52 : 211-216, 1993.
Dochi T., Lees B.,
Sidhu M., Stevenson J.C. - Bone density and endometriosis. Fertil. Steril.,
61 : 175-177, 1994.
Donnez J., Nisolle
M., Gillerot S., Anaf V., Clerckx-Braun F., Casanas-Roux F. - Ovarian endometrial
cysts : the role of gonadotropin-releasing hormone agonist and/or drainage.
Fertil. Steril. 62 : 63-66, 1994.
Donnez J., Nisolle
M., Gillet N., Smets M., Bassil S.A., Casanas-Roux F. - Large ovarian endometriomas.
Hum. Reprod., 11 : 641-646, 1996.
Fayes J.A., Vogel
M.F. - Comparison of different treatment methods of endometriomas by laparoscopy.
Obstet. Gynecol., 78 : 660-665, 1991.
Geber S., Paraschos
T., Atkinson G., Margar R., Winston R.M.L. - Results of IVF in patients
with endometriosis : the severity of the disease does not affect outcome,
or the incidence of miscarriage. Hum. Reprod., 10 : 1507-1511, 1995.
Inoue M., Kobayashi
Y., Honda I., Awaji H., Fujii A. - The impact of endometriosis on the reproductive
outcome of infertile patients. Am. J. Obstet. Gynecol., 167 : 278-282,
1992.
Jansen R.P.S., Russel
P. - Nonpigmented endometriosis : clinical, laparoscopic and pathologic
definition. Am. J. Obstet. Gynecol., 155 : 1154-1159, 1986.
Kim C.H., Cho Y.K.,
Mok J.E. - Simplified ultralong protocol of gonadotrophin-releasing hormone
agonist for ovulation induction with intrauterine insemination in patients
with endometriosis. Hum. Reprod., 11 : 398-402, 1996.
Kistner R.W. - The
use of newer progestins in the treatment of endometriosis. Am. J. Obstet.
Gynecol., 75 : 264-278, 1958.
Koninckx P.R., De
Moor P., Brosens I.A. - Diagnosis of the luteinized unruptured follicle
syndrome by steroid hormone assays on peritoneal fluid. Br. J. Obstet.
Gynaecol., 87 : 929-934, 1980.
Koninckx P.R. - Is
mild endometriosis a disease ?. Hum. Reprod., 9 : 2202-2205, 1994.
Kruitwagen R.F.P.M.,
Poels L.G., Willemsen W.N.P., De Ronde I.J.Y., Jap P.H.K., Rolland R. -
Endometrial epithelial cells in peritoneal fluid during the early follicular
phase. Fertil. Steril., 55 : 297-303, 1991.
Lemay A., Surrey
E.S., Friedman A.J. - Extending the use of gonadotropin-releasing hormone
agonists : the emerging role of steroidal and nonsteroidal agents. Fertil.
Steril., 61 : 21-34, 1994.
Lindsay P.C., Shaw
R.W., Bennink H. J. C., Kicovic P. - The effect of add-back treatment with
tibolone (Livial) on patients treated with the gonadotropin-releasing hormone
agonist triptorelin (Decapeptyl). Fertil. Steril., 65 : 342-348, 1996.
Mahmood T.A., Templeton
A. - Pathophysiology of mild endometriosis :
review of literature.
Hum. Reprod., 5 : 765-784, 1990.
Mäkäräinen
L., Rönnberg L., Kauppila A. - Medroxyprogesterone acetate
supplementation
diminishes the hypoestrogenic side effects of gonadotropin-releasing hormone
agonist without changing its efficacy in endometriosis. Fertil. Steril.,
65 : 29-34, 1996.
Matson P.L., Yovich
J.L. - The treatment of infertillity associated with endometriosis by in
vitro fertilization. Fertil. Steril., 46 : 432-434, 1986.
McLaren J., Prentice
A., Charnock-Jones D.S., Smith S.K. - Vascular endothelial growth factor
(VEGF) concentrations are elevated in peritoneal fluid of women with endometriosis.
Hum. Reprod., 11 : 220-223, 1996.
Murphy A.A., Green
W.R., Bobbie E., de la Cruz Z.C., Rock J.A. - Unsuspected endometriosis
documented by scanning electron microscopy in visually normal peritoneum.
Fertil. Steril., 46 : 522- 524, 1986.
Nezhat C., Nezhat
F., Metzger D.A., Luciano A.A. - Adhesion reformation after reproductive
surgery by videolaseroscopy. Fertil. Steril., 53 : 1008 -1011, 1990.
Olive D.L., Weinberg
J.B., Haney A.F. - Peritoneal macrophages and infertility : the association
between cell number and pelvic pathology. Fertil. Steril., 44 : 772-777,
1985.
Oliveira J.B.A.,
Baruffi R.L.R., Franco Jr. J.G. - Endometriose : incidência, classificação,
etiopatogenia, aspectos imunológicos, endometriose e esterilidade
(1 parte) - Femina., 19 : 628-634, 1991a.
Oliveira J.B.A.,
Baruffi R.L.R., Franco Jr. J.G. - Endometriose : quadro clínico
e métodos diagnósticos, tratamento (2 parte) - Femina., 19
: 655-661, 1991b.
Olivennes F., Feldberg
D., Liu H.C., Cohen J., Moy F., Rosenwaks Z. - Endometriosis : a stage
by stage analysis-the role of in vitro fertilization. Fertil. Steril.,
64 : 392-398, 1995.
Oosterlynck D.J.,
Meuleman C., Waer M., Vandeputte M., Koninckx P.R. - The natural killer
activity of peritoneal fluid lymphocytes is decreased in women with endometriosis.
Fertil. Steril., 58 : 290-295, 1992.
Saltiel E., Garabedian-Ruffalo
S.M. - Pharmacologic management of endometriosis. Clinical Pharmacy., 10
: 518-530, 1991.
Sangi-Haghpeykar
H., Poindexter A.N. - Epidemiology of endometriosis among parous women.
Obstet. Gynecol. 85 : 983-992, 1995.
Sampson J.A. - Perforating
hemorrhagic (chocolate) cysts of the ovary. Their importance and especially
their relation to pelvic adenomas of the endometrial type ('adenoma of
the uterus, rectovaginal septum, sigmoid, etc.). Arch. Surg., 3 : 245-323,
1921.
Simón C.,
Gutiérrez A., Vidal A., de los Santos M.J., Tarín J.J., Remohí
J., Pellicer A. - Outcome of patients with endometriosis in assisted reproduction
: results from in-vitro fertilization and oocyte donation. Hum. Reprod.,
9 : 725-729, 1994.
Soldat G., Piffaretti-Yañez
A., Campana A., Marchini M., Luerti M., Balerna M. - Effect of peritoneal
fluid on sperm motility and velocity distribution using objective measurements.
Fertil. Steril., 52 : 113-
119, 1989.
Wardle P.G., Foster
P.A., Mitchell J.D., McLaughlin E.A., Sykes J.A.C., Corrigan E., Hull M.G.R.,
Ray B.D., McDermott A. - Endometriosis and IVF : effect of prior therapy.
Lancet., i : 276-277, 1986.
Zanetta G., Lissoni
A., Valle C.D., Trio D., Pittelli M., Rangoni G. - Ultrasound-guided aspiration
of endometriomas : possible applications and limitations. Fertil. Steril.,
64 : 709-713, 1995 |
|