Cláudio, Te agradeço a
oportunidade de desfrutar do trabalho do José Luiz Moreira Garcia,
o padrão em leite, para quem quer construir vida: "De
minha parte, posso garantir que estou trabalhando para ter o meu leite
de vacas Guernsey, Jersey e Gir ou giradas, que comam preferencialmente
pasto ou feno produzidos em solos remineralizados, com altos teores de
fósforo, cálcio, magnésio e potássio e com
teores expressivos de ferro, manganês, zinco, cobre, boro, cobalto
e molibdênio, e com uma microbiologia ativa para garantir um bom
suprimento de húmus, o qual irá se contrapor às secas
e estiagens, cada vez mais freqüentes, e gerar plantas mais sadias
e nutritivas." José
Luiz, Prazer em vê-lo tão
pleno
Luiz Meira http://luizmeira.com
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To: Luiz
Meira Sent: Friday, October 19, 2007 10:29 AM Subject:
O Leite A2
O Leite A2
(Chutando o Balde)
José Luiz Moreira Garcia
Não é novidade para ninguém a informação
que o leite de vaca esteja causando alergia às pessoas. Não
estou falando de intolerância a lactose (o açúcar do
leite) por falta de lactase (a enzima que digere a lactose), pois esse
é um fator mais ligado à herança genética,
mas sim de alergia propriamente dita, ou seja, uma reação
imunológica gerada pelo nosso corpo às proteínas do
leite.Para explicar esse fenômeno, o que não
faltam são “profetas de plantão”, geralmente oriundos das
escolas e vertentes de pensamento naturebas, com explicações
do tipo: ‘o homem é o único animal no mundo que toma leite
na idade adulta’. Essa frase, dita e repetida “ad nauseum” por “gurus”
nutricionais e até mesmo por alguns médicos desavisados,
soa bastante verossímil.Essa explicação,
aparentemente correta, sempre desafiou a minha modesta inteligência.
Explico-me: Como descendente direto de ibéricos, sou geneticamente
equipado para desconfiar de tudo e de todos. O “Hay gobierno? Soy contra!”
está intimamente amalgamado no meu DNA.Decidi
estudar o leite de vaca na evolução da espécie humana.
Decidi também estudar a veracidade da afirmação natureba.
Logo de cara, descobri que o homem é o único animal de toma
leite na idade adulta por ser dotado de livre arbítrio.Descobri
que até mesmo pássaros, cães, gatos e o próprio
gado, tomariam alegremente o leite de vaca, se o leite fosse oferecido
a eles. Hipótese cada vez mais remota na prática, com o preço
do leite nos patamares atuais.A razão do bezerro
não tomar leite de vaca após uma certa idade é que,
em um determinado ponto, a vaca, sabiamente, dá um “basta!”, não
mais permitindo ao seu rebento esse privilégio, a fim de que o mesmo
passe a se alimentar por si próprio de capim, o alimento preferencial
para o qual o gado bovino está geneticamente aparelhado para garantir
a sua subsistência. Nesse momento a vaca sabiamente passa a hostilizar
a própria cria, pois irá necessitar de toda a sua energia
para gerar a próxima cria. É apenas mais uma faceta da natureza
sábia.Descobri, igualmente, que o homem toma
leite de vacas há mais de 10.000 anos e que nunca teve problemas
de alergia nos últimos 9.900 anos. Descobri também, que o
leite de vaca foi fundamental para o desenvolvimento da própria
espécie humana, tirando dos homens parte do trabalho diário
de obter alimentos, quer pela caça quer pela coleta de alimentos.O
que estaria acontecendo hoje em dia, então ?A
resposta pode estar em uma descoberta recente da ciência. Pesquisadores
descobriram que todas as mamíferas-fêmeas, incluindo a mulher,
cabra, égua, camela, etc… produzem, no leite, uma proteína
denominada Beta caseina A2, mas que, há aproximados 10.000
anos atrás, algumas vacas sofreram uma mutação genética
e passaram a produzir também uma proteína denominada Beta
Caseína A1. A única diferença entre as duas proteínas
é apenas um aminoácido na 67ª posição
entre 203 aminoácidos que compõem as duas proteínas.
A Beta Caseína A1 possui um aminoácido histidina,
enquanto que a Beta Caseína A2 tem uma prolina na 67ª
posição.Entra uma histidina no lugar
de uma prolina, e como a natureza é caprichosa, essa aparente pequena
diferença faz com que a proteína seja clivada (quebrada)
nessa posição, dando origem a um peptídeo (parte de
proteína) denominado “Beta Caseomorfina A7“, por apresentar
uma estrutura química semelhante à morfina.É
criado no estomago, por meio da digestão do leite, um opiáceo.Segundo
vários autores, a Beta Caseína A1 e seus peptídeos,
principalmente a Beta Caseomorfina 7, estariam implicadas em uma serie
de reações alérgicas.Estudos
europeus demonstraram estar esse peptídeo associado a casos de autismo,
morte súbita e diabetes tipo-1 em crianças; e problemas coronarianos,
problemas neurológicos e colesterol elevado em adultos.Esse
fato fez com que os pesquisadores estudassem todas as raças bovinas
e descobrissem quais as que produziam maior quantidade de Beta Caseína
A1 e A2.Uma pesquisa genética de nossos patrícios
da USP de São Carlos demonstrou que todas as raças zebuínas
ainda produzem leite A2 na sua quase totalidade (números bem próximos
a 100%), não tendo sido afetadas por aquela mutação
genética. Ponto para os criadores de Gado Gir Leiteiro. Além
das características já conhecidas de rusticidade e resistência
a parasitos externos, aparece agora mais essa vantagem, o leite do Gir
é não-alergênico.Nas raças
taurinas (européias), apenas a raça Guernsey, que já
foi a raça leiteira mais criada no Brasil e infelizmente quase se
extinguiu devido a vários fatores, e que agora está retornando
e aumentando em nível mundial, produz exclusivamente o Leite A2,
ficando a raça Jersey em segundo lugar com 75% de leite A2 e 25%
de leite A1 alergênico e a raça holandesa com 50% de leite
A1 e 50% de leite A2.Como em todas as descobertas
científicas que colocam em cheque o sistema estabelecido, essas
descobertas também são e continuarão sendo, por um
bom tempo, combatidas pelos cientistas de aluguel, mídia de aluguel
e finalmente por políticos/legisladores de aluguel, vendidos aos
interesses econômicos contrariados. A título de ilustração,
vejam o que está acontecendo com a idéia que propõe
a utilização de sacolas de supermercados feitas com material
biodegradável e vejam os argumentos usados pela industria de plástico
poluente para a manutenção da sua sobrevivência.Uma
outra hipótese nos chama a atenção para o manejo e
a alimentação das vacas leiteiras nos últimos 60 a
70 anos. A bem da verdade, é bom que se diga que as vacas leiteiras
evoluíram comendo capim. São seres pastejadores herbívoros.
Deveriam, portanto, se alimentar preferencialmente de capim. Certo?Errado!
As vacas leiteiras, hoje em dia, comem quase tudo menos capim. Vejam abaixo,
alguns exemplos de componentes da dieta exótica das vacas leiteiras
nos últimos 70 anos:- Esterco de galinha (proibido
mas ainda utilizado na clandestinidade no Brasil)-
Caroço de Algodão- Polpa de Laranja
(sub-produto industrial)- Farelo de Soja-
Uréia, Sulfato de Amônio ( derivados de petróleo) -
Farinha de Carne ( hoje proibida) - Farinha de
Penas ( hoje proibida)Finalmente, após todo
esse cardápio indigesto, vocês não ficariam surpresos
se eu lhes contasse que 80% de todo o Bicarbonato de Sódio produzido
nos EUA sejam utilizados na alimentação de vacas de leite.Haja
indigestão! Haja Bicarbonato de Sódio !!!!O
homem descobriu um atalho para a pobreza dos nossos solos, e ao invés
de fertilizá-los, prefere dar aos animais diretamente os sais que,
na verdade, deveriam ser utilizados como adubos de solo.Se
as duas hipóteses estiverem corretas, qual seria a vaca que, teoricamente,
produziria o leite mais alergênico?Exatamente
a vaca holandesa que produz mais proteína A1, e é alimentada
com as dietas exóticas utilizadas nas fazendas-fábricas,
dietas estas que são preconizadas pelo status-quo técnico-científico
do chamado agro-negócio, que insiste em tentar reduzir todas as
tarefas biológicas a meros produtores de moeda corrente, sem levar
em consideração as necessidades fisiológicas de cada
espécie animal, isto é, uma dieta altamente acidificante
e geradora de problemas já bastante conhecidos de todos os criadores
de gado leiteiro, a saber, laminite, indigestão, empanzinamento,
abomaso desalojado, baixa longevidade etc…Também,
não poderiam ficar surpresos se eu lhes disse-se que a média
de lactações de uma vaca nos Estados Unidos, a Meca do conhecimento
científico e onde todos os técnicos e cientistas brasileiros
se espelham, é de apenas 1,8 lactações ou até
menos. Não é para menos.Mas, afinal,
quem se importa?O Status Quo acadêmico-científico
nos diz o que é certo e o que é errado, e o que conta no
fim do dia é produzir mais leite, não importando as
conseqüências.Entretanto, vamos admitir
por um átimo de tempo, que ambas as hipóteses poderão
estar corretas. A Nova Zelândia já se adiantou a registrar
o nome “A2 Milk”, e está certificando laticínios ou fazendas
que trabalhem exclusivamente com Leite A2 determinado por meio de exame
de DNA dos animais do rebanho e normas de manejo que contemplem o livre
acesso dos animais ao pasto, luz solar e ar livre dos animais em lactação.No
mundo todo, consumidores conscientes estão demandando alimentos
cada vez mais produzidos de forma ecologicamente correta. Um leite produzido
em fazendas-fábricas de gado holandês criado em confinamento
(também ironicamente chamado de Free-stall), recebendo dieta
exótica e acidificante, que produz leite alergênico, não
é propriamente o que se pode chamar de “ecológico” e nem
de “correto”, ou até mesmo de “salutar”.- ‘Asneira
! Nonsense!’, irão protestar o sistema e as autoridades constituídas.Bem,
o tempo dirá quem está realmente com a razão.De
minha parte, posso garantir que estou trabalhando para ter o meu leite
de vacas Guernsey, Jersey e Gir ou giradas, que comam preferencialmente
pasto ou feno produzidos em solos remineralizados, com altos teores de
fósforo, cálcio, magnésio e potássio e com
teores expressivos de ferro, manganês, zinco, cobre, boro, cobalto
e molibdênio, e com uma microbiologia ativa para garantir um bom
suprimento de húmus, o qual irá se contrapor às secas
e estiagens, cada vez mais freqüentes, e gerar plantas mais sadias
e nutritivas.Talvez um dia, quem sabe, algum consumidor
mais exigente irá dar valor ao meu produto. Antes tarde do que nunca
!
São Paulo, 10 de outubro de 2007,
José Luiz Moreira Garcia O
Autor é formado em Agronomia pela Universidade Federal Rural do
Rio de Janeiro e tem Mestrado em Bioquímica e Fisiologia de Plantas
pela Michigan State University. Também é criador de Gado
Guernsey e Jersey no Sul de Minas. Um
grande abraço, Cláudio
Lima - Terapeuta Naturalistahttp://www.reformadesaude.orgMSN:
joshua_lima@hotmail.com
+15 9137
9908
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Dom, 21 de Out de 2007 2:29 pm
"Luiz Meira" <falecom@luizmeira.com>
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