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Uma pesquisa polêmica feita
na Grã-Bretanha sugere que exposição de um feto ainda
na barriga da mãe à poluição ambiental pode
levar a um aumento do risco de a criança desenvolver câncer.
Crianças nascidas perto
de áreas com alta concentração de emissões
de gases poluidores teriam maior possibilidade de morrer de câncer
antes de completar 16 anos de idade.
Embora o estudo, publicado no Journal
of Epidemiology and Community Health, não seja conclusivo, seu
autor, George Knox, acredita que a ameaça representada pela poluição
é real.
Knox é
professor da Universidade de Birmingham, na Grã-Bretanha, e analisou
o mapa de emissões químicas no país de 2001 e detalhes
de crianças com menos de 16 anos que morreram de leucemia e outros
tipos de câncer entre 1966 e 1980.
Ele sugeriu que crianças
nascidas em um raio de um quilômetro dos locais onde havia maior
concentração de emissões de determinados produtos
químicos tinham a probabilidade duas a quatro vezes maior de morrer
de câncer antes de chegar aos 16, se comparadas com outras crianças
que estiveram no mesmo ambiente.
Proximidade a emissões de
1,3-butadieno e monóxido de carbono, que saem do escapamento de
veículos, resultaram nos riscos mais altos.
Exposição cedo
Knox acredita que as mães
podem inalar toxinas do meio ambiente e passá-las para o feto pela
placenta.
"É justo admitir que uma
ou mais destas substâncias são prejudiciais", disse Knox.
"Nós sabemos que várias são cancerígenas em
animais."
O especialista admitiu, no entanto,
que as emissões diminuíram ao longo dos anos e que havia
uma interrupção de décadas entre as mortes que ele
examinou e os dados relativos à poluição.
Ele também disse que esta
é mais uma preocupação com o nível de poluição
e que indivíduos não deveriam ficar alarmados com sua descoberta.
"O risco de uma criança
ter um câncer é cerca de uma em mil. Nos locais mais críticos
é de duas a quatro em mil, então o risco ainda é baixo."
Mas o pesquisador acha que as emissões
deveriam ser reduzidas e que é necessário realizar mais pesquisas
sobre o assunto.
Oncologistas acreditam que a pesquisa
tem graves falhas e deve ser vista com cautela.
Um porta-voz do Fundo de Pesquisa
da Leucemia disse: "O fundo de Pesquisa da Leucemia não acredita
que esta pesquisa demonstra que a poluição atmosférica
desempenhe um papel-chave no desenvolvimento da leucemia infantil".
"Ela utiliza dados de emissões
atmosféricas de 2001, mas relaciona isto a nascimentos ocorridos
até 40 anos antes."
"Nós não gostaríamos
que pais sintam que podem, de alguma forma, ter culpa pela doença
de seus filhos."
Anthony Michalski, do Instituto
de Saúde da Criança, disse: "A incidência da maioria
dos tumores pediátricos é relativamente semelhante em países
industrializados e não-industrializados e não deveria acontecer
isso se esta hipótese fosse correta."
Lesley Walker, da Pesquisa do Câncer
da Grã-Bretanha, disse que as evidências apresentadas na pesquisa
são "muito ralas".
Fonte: BBC
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