Cláudio, Agradeço contribuição
tão providencial, pois freqüentemente sou questionado sobre
o uso da multimistura, e agora poderei analisar o assunto com consistência
apreciável.
http://luizmeira.com
Mais uma prova de que isolamento de partes de um alimento, torna-o
desequilibrado, enquanto que moramos
em um país tropical, aonde fator climático contribui
muito para produção de sementes equilibradas em
qualquer parte do país, devido a rusticidade de cada grão.Quanto
mais estamos distanciado do regime original(Gen.1:29), mais perto dos animais
estamos(Gen. 1:30; 3:18)!!!:
Como é feito a multimistura:
70% Farelo de Trigo ou Arroz
10% Sementes de Abóbora
10% Cascas de Ovos e/ou Dolomita
10% Folhas de Mandioca e/ou abóbora
Multimistura: A Posição do Conselho Federal de Nutrição
Na década de 80, a partir de idéias e práticas
preconizadas desde 1975, houve uma ampla difusão da
utilização de recursos alimentares não convencionais,
como forma de melhorar e/ou recuperar o estado
nutricional especialmente de gestantes, nutrizes e crianças
de baixo peso.
Tratava-se do emprego de um composto de baixo custo, obtido a partir
de alimentos mais comumente utilizados na nutrição animal,
como os farelos, adicionado de folhas e sementes secas e trituradas, denominado
"multimistura" (M.M).
Somente no início da década de 90, houve a mobilização
da comunidade científica na tentativa de avaliar a
verdadeira eficácia do produto, ocasião em que várias
entidades governamentais da área de saúde,
instituições de pesquisa e ensino superior, divulgaram
resultados de pesquisas básicas e experimentais que
demonstravam a fragilidade dos argumentos utilizados em favor de supostos
benefícios à saúde humana. Tais
estudos podem ser resumidos nos seguintes pontos:
1 - A "multimistura" é apenas uma farinha elaborada a partir
de subprodutos alimentares que contem
características químicas muito próximas, senão
similares, a outros farelos e cereais, não possuindo
qualquer atributo que lhe possa garantir a riqueza nutricional alegada
por seus adeptos;
2 - A quantidade de "multimistura" utilizada na alimentação,
é muito pequena e pouco contribui para a
melhoria da qualidade nutricional da dieta, apesar do conteúdo
nutricional de cada um de seus componentes.
Além disso, a presença de fatores anti-nutricionais como
o ácido fítico, encontrado nos farelos, e o ácido
cianídrico, encontrado nas folhas de mandioca, prejudicam a
biodisponibilidade de minerais como o
zinco, o ferro, o magnésio e o cálcio presentes na dieta
habitual;
3 - Os farelos de trigo e arroz podem ser considerados boas fontes
de fibras alimentares, com grande
capacidade de absorção de água, além de
representar uma fonte importante de vitaminas E e do complexo B, mas um
aumento de ingestão de fibras por pessoas que ingerem quantidades
insuficientes de proteína pode reduzir o balanço de nitrogênio,
prejudicando ainda mais o estado nutricional;
4 - Em relação a folha de mandioca e da semente de abóbora,
a maioria das pesquisas ressalta os elevados
conteúdos protéicos desses produtos, não mencionando
o seu conteúdo de oligoelementos, que foi o principal
motivo da disseminação dos mesmos na alimentação
humana.
5 - No farelo de trigo e de arroz, o ácido fítico está
presente em grande concentração constituindo um fator
anti-nutricional que interfere na biodisponibilidade de minerais, tais
como zinco, cálcio magnésio, e provavelmente ferro. 6 - Em
relação ao pó da casca do ovo destaca-se que, embora
seja um produto rico em cálcio, não há
pesquisas conclusivas quanto a biodisponibilidade deste elemento. Sabe-se
apenas que a forma de preparo
e de ingestão do produto interfere negativamente na absorção
do cálcio;
7 - A concentração do ácido cianídrico
é mais elevada nas folhas da mandioca do que na raiz da mandioca
e a
forma de reduzir de maneira significativa o teor dessa substância
envolve técnicas demoradas, que não
condizem com a forma de preparo do pó preconizado atualmente,
podendo ser prejudicial à saúde da
população;
8 - Foi observado processo de rancificação em amostras
do produto, em decorrência do seu conteúdo lipídico
e da carga microbiana indesejável que se apresenta muitas vezes
em níveis inaceitáveis para o consumo
humano;
9 - Várias pesquisas experimentais com animais e crianças
de baixo peso constataram que a utilização do
produto não foi capaz de promover a recuperação
do peso corporal dos usuários.
Em 1996, com base nessas conclusões, o CFN, ciente de seu compromisso
com a saúde da sociedade, emitiu um parecer sobre os aspectos técnicos
e éticos envolvidos na questão, que teve grande repercussão
entre os nutricionistas e as entidades que utilizavam ou recomendavam a
"multimistura" em seus programas de
assistência alimentar e nutricional. Já naquela época,
o posicionamento do CFN indicava "a necessidade de se
intensificar as pesquisas e o controle de qualidade do produto".
Ao longo desses anos o assunto continuou gerando diversas polêmicas,
tanto do ponto de vista nutricional, sanitário e microbiológico,
quanto do preceito na segurança alimentar, provocando a mobilização
de diversas instituições governamentais, entidades cientificas,
instituições de ensino superior através dos seus departamentos
e centros de pesquisas, com o objetivo de alertar as entidades governamentais
sobre a necessidade de se posicionar-se em com relação ao
tema, o que redundou na criação do Grupo AD HOC de
Multimistura, com objetivo discutir o Regulamento Técnico de
Identidade e Qualidade para a MM, cujos
subsídios foram encaminhados ao MS. O CFN esteve presente de
forma marcante em todo esse processo.
Dentre as repercussões desse trabalho, a ANVISA publicou a Resolução
nº 53, de 15 de junho de 2000
(DOU de 19/06/2000), que fixa a identidade e as características
mínimas de qualidade para a "mistura à
base de farelo de cereais", abrangendo sua composição
obrigatória e opcional, dentre outros itens.
1º - A difusão de alternativas alimentares, como qualquer
medida compensatória, assistencialista ou
paternalista para aplacar a fome, tem caráter imediatista, portanto,
sua recomendação não pode
perder de vista a necessidade de inseri-lá no âmbito das
políticas estruturais e ser tratada na totalidade
social e econômica que a originou;
2º - É necessário estabelecer a diferença
entre aproveitamento integral dos alimentos e outras práticas alimentares
de caráter discriminatório. A primeira prevê utilização
de brotos, folhas e talos de vegetais, os quais, através de técnicas
culinárias adequadas, podem contribuir para melhorar o aporte vitamínico
e mineral das refeições, coerente, portanto, com os princípios
da alimentação saudável;
3º - Considera-se pertinente, oportuno e atual o conteúdo
do Informe Técnico da UNICAMP, quando afirma
que "o valor nutritivo de qualquer alimento não pode ser estabelecido
unicamente com base na quantidade
(dosagem química) de seus nutrientes, uma vez que sua qualidade
nutricional é determinada por uma série de fatores como:
equilíbrio entre seus contribuintes, as interações
entre os diversos compostos da dieta, o
estado fisiológico do indivíduo, as condições
de processamento e de armazenagem e a ocorrência de
fatores anti-nutricionais";
4º - O declínio dos índices de desnutrição
e mortalidade infantil que ocorreu no Brasil nas últimas duas décadas,
deve ser creditado à melhoria das condições de saneamento
básico, à ampliação do acesso
da população às ações básicas
de saúde, com destaque especial ao acompanhamento do crescimento
e
desenvolvimento, controle das doenças diarreicas, vacinação,
incentivo ao aleitamento materno, maior
cobertura do atendimento pré-natal, e a efetividade de alguns
programas sociais.
Diante disso, o Plenário do CFN conclui que, antes de qualquer
ação pontual, é importante reforçar o cumprimento
dos preceitos contidos na Política Nacional de Alimentação
e Nutrição (PNAN), o qual constitui uma estratégia
adequada ao atendimento das necessidades alimentares e nutricionais da
população
brasileira, atendendo a amplitude da Segurança Alimentar e Nutricional.
Diante do exposto, orientamos os profissionais para a observância
do código de ética, capítulo I, artigos
1º, 2º e 3º, não devendo a multimistura ser prescrita,
nem recomendada pelo nutricionista.
http://www.cfn.org.br/revista/revista6/nutricao.htm
Um grande abraço,
Cláudio Lima - Terapeuta Naturista
Shalom!!!